HAMILTON DE HOLANDA

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Virtuoso musical, Hamilton de Holanda grava versões de Chico Buarque em bandolim

Das 14 faixas do álbum, oito são instrumentais e quatro contam com vocais; duas delas com participação de Chico

por Roberto Midlej – Correio da Bahia

Hamilton de Holanda se especializou no bandolim de dez cordas, em vez do tradicional, que tem oito cordas. Músico ganhou seu primeiro instrumento aos cinco anos de idade (Foto: Marcos Portinari/Divulgação)

O bandolinista carioca Hamilton de Holanda, 40 anos, vinha flertando há tempos com o repertório de Chico Buarque. Já havia gravado, em diferentes álbuns, versões instrumentais para músicas como O Que Será e Sinhá.

Agora, finalmente, lança Samba de Chico (Biscoito Fino), um disco com repertório dedicado exclusivamente a um dos maiores compositores da música brasileira.

“Eu já havia feito discos só com música de Pixinguinha, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal… E Chico faz parte deste meu ‘time’. Tenho uma admiração por ele e tenho tocado muita música dele de uns cinco anos pra cá. Chico tem uma harmonia muito boa e permite improvisação”, diz o artista. A gravação do álbum foi motivada também pelo centenário do samba, celebrado neste ano.

Para o bandolinista, o maior desafio deste seu trabalho era conseguir transmitir ao ouvinte a emoção das canções de Chico somente por meio da melodia, abrindo mão da maior marca do compositor, que é a força do texto. “Enquanto gravava umas faixas, fazia questão de manter ao meu lado a poesia de Chico. Assim, eu me inspirava”, revela Hamilton.

Das 14 faixas do álbum, oito são instrumentais e quatro contam com vocais. Duas delas, A Volta do Malandro e Vai Trabalhar Vagabundo, têm  participação do próprio Chico Buarque. Hamilton já tinha alguma proximidade com o compositor, graças, principalmente às partidas de futebol do Polytheama, clube fundado por Chico.

“Eu jogo com ele e o convidei. Ele topou e foi ótimo porque não cantava Vai Trabalhar Vagabundo já fazia mais de 20 anos. E deu para notar que ele curtia a gravação e os arranjos”, diz Hamilton.

Homenagem autoral
O compositor mereceu do fã uma homenagem, que é a faixa Samba de Chico, composição do próprio Hamilton. “Eu venho compondo muita coisa ultimamente. Essa música, eu peguei o bandolim e saí fazendo. E percebi que tem ‘coisa’ de Chico nela. Tem também um pouco de Tom Jobim, eu acho. E foi uma composição muito sentimental”, diz.

Há ainda outras duas faixas acompanhadas da voz da cantora catalã Silvia Perez Cruz, que afirma ter aprendido português graças às músicas de Chico Buarque. Silvia está em Atrás da Porta e O Meu Amor. Hamilton, no entanto, preferiu ainda não se arriscar cantando: “Fiz, com João Nogueira, o disco Bossa Negra, que é cantado e tem uma composições minhas ali, que são cantadas. Mas eu fazia só a segunda voz. Eu tenho composto algumas canções e até penso em fazer um disco com elas. Mas com outros cantando”.

A intimidade de Hamilton com o bandolim vem desde criança, quando, aos 5 anos , ganhou seu primeiro desses instrumentos: “Meu pai me dizia: ‘aprende, que você vai fazer muito amigo na vida’. E levo isso comigo até hoje”.

Hamilton ressalta que buscou, desde cedo, conciliar o conhecimento prático com o teórico: “Eu ficava nas rodas de samba, apendia de ouvido, acompanhando os bêbados (risos). Mas meu pai me colocou cedo nas aulas de música e estudei violão e violino na Universidade de Brasília”.

Hamilton acabou se especializando no bandolim de dez cordas, em vez do tradicional, de oito. “Com o de dez, tenho mais possibilidades. Tenho mais notas e um som mais grave”, justifica.

Bandolinista homenageia centenário do samba com músicas de Chico Buarque

O objetivo era lançar um disco dentro da celebração dos 40 anos de Hamilton de Holanda, mas com tantas ideias, o que se fazer? Composições novas? Músicas conhecidas? Homenagear um gênero ou um compositor? Foi então que nasceu ‘Samba de Chico’ e junto o desafio de transformar um repertório de canções muito conhecidas do grande público em um disco de música de essência instrumental.

“O objetivo era encontrar um novo caminho para chegar ao mesmo destino: a emoção. As notas musicais contam histórias e segredos do poeta. O sentimento chega ao coração pelas melodias de Chico Buarque e alguns de seus parceiros. Tudo feito com respeito e reverência ao compositor. Uma merecida homenagem aos 100 anos do Samba, fundamental para a cultura brasileira como água”, conceitua Hamilton de Holanda.

Hamilton de Holanda apresenta 'Samba de Chico' dia 17 de maio, no Rio.Hamilton de Holanda apresenta ‘Samba de Chico’ dia 17 de maio, no Rio.A vontade de gravar um disco todo dedicado ao repertório do compositor é antiga. Junto ao pianista italiano Stefano Bollani gravou “O que será?’, música que também dá nome ao disco. Em ‘Hamilton de Holanda Trio’, que recentemente ganhou no Prêmio da Música Brasileira como Melhor Solista e Melhor Disco Instrumental, o bandolinista lançou ‘Sinhá’ e ‘O que será?’. Nas edições do Baile do Almeidinha, ‘Vai passar’ é cantada em coro pela plateia cativa da gafieira contemporânea, que há três anos ocupa mensalmente o Circo Voador.

A maior dificuldade encontrada por Hamilton foi a escolha do repertório. Com tantos sambas bons, precisaria de mais uns dois ou três discos pra gravar tudo. Durante o processo de seleção das canções Buarqueanas, o bandolinista, compositor em sua essência, fez um samba inspirado nas melodias do homenageado e que dá titulo ao álbum.

“‘Quem te viu quem te vê’ não podia faltar, ‘A Rita’ e ‘Construção’, também não. As canções trazem o DNA da Música Popular Brasileira. Vem Tom Jobim, vem Pixinguinha, vem João da Bahiana, Noel Rosa. Vem Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Nelson Cavaquinho. A turma toda chega através das melodias dos sambas de Chico”, conta Hamilton.

Em ‘Samba de Chico’, Hamilton de Holanda, com seu bandolim de 10 cordas, é elegantemente acompanhando por Thiago da Serrinha na percussão e pelos contrabaixistas (revezando) Guto Wirtti e André Vasconcellos. O bandolinista conta ainda com as participações internacionais do pianista italiano Stefano Bollani nas faixas ‘Vai trabalhar vagabundo’ e ‘Piano na Mangueira’, e da cantora catalã Silvia Perez Cruz que canta ‘O meu amor’ e ‘Atrás da porta’ – ela confessa que aprendeu a cantar ouvindo o nosso idioma.

O trabalho ganha o aval do homenageado em duas faixas, ‘A volta do malandro’ e ‘Vai trabalhar vagabundo’, música que não cantava há mais de 20 anos. “E o bandolim, rodeado de amigos, mostra suas raízes e seus frutos”, finaliza Hamilton de Holanda.

O disco é uma coprodução da Gravadora Brasilianos, que tem com o seu sócio e parceiro criativo Marcos Portinari, e a Gravadora Biscoito Fino. O disco foi gravado no Estúdio Fibra, no Rio de Janeiro, com a mixagem de Daniel Musy e masterização de André Dias, outras duas parcerias que já lhe renderam três indicações como Melhor Engenharia de Áudio no Latin Grammy. O projeto gráfico foi desenvolvido pelo designer Fernando Salles a partir das fotos que retratam o cotidiano carioca feitas no Mercado Municipal do Rio de Janeiro (Cadeg).

Serviço: Hamilton de Holanda em ‘Samba de Chico’

Data: 17 de maio, as 21h

Local: Theatro Net Rio – Sala Tereza Rachel. Rua Siqueira Campos, 143 – Sobreloja – Copacabana

Ingresso: R$ 120,00 (plateia) R$ 90,00 (balcão)

Classificação: 12 anos.

Mais informações: 21 2147 8060 / 2148 8060 ou www.theatronetrio.com.br

Crítica: Hamilton de Holanda transmuta e reverencia obra de Chico

POR SILVIO ESSINGER – OGlobo

Hamilton de Holanda com os filhos, Gabriel e Rafaela, e o pai, o violonista José Américo – Hermes de Paula / Agência O Globo
RIO — Ideias não faltam a Hamilton de Holanda para construir uma das discografias das mais volumosas (em lançamentos e qualidade) da música instrumental brasileira. O disco de Chico Buarque até poderia se apresentar como uma tarefa menos trabalhosa, já que as composições são muito marcadas por seus arranjos originais, mas o bandolinista mais uma vez preferiu o caminho mais difícil, jogando tudo para cima com seu virtuosismo e investindo em conversas de alto nível, num disco em que a obra de Chico ressurge reverenciada e transmutada.

Não precisou muito mais do que a base criativa e segura de Guti Wirtti (baixo) e Thiago da Serrinha (percussão) para que Hamilton soltasse suas rédeas, entre o buliçoso (“A Rita”, “Samba do grande amor”) e o poético (“Trocando em miúdos”, “Samba e amor”). A voz do autor entra bem em “A volta do malandro” e “Vai trabalhar vagabundo”, assim como a da catalã Sílvia Pérez Cruz, em “O meu amor” e (um tanto atropelada pelo bandolim) “Atrás da porta”. Disco além do choro e do jazz, com sotaque atual, “Samba de Chico” termina de forma cândida, com a brincadeira de Hamilton em torno da melodia simples de “A banda” — mostrando que nem tudo são mil notas por segundo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/musica/critica-hamilton-de-holanda-transmuta-reverencia-obra-de-chico-19137052#ixzz47V7OtCzK

Hamilton de Holanda lança disco em tributo ao samba e a Chico Buarque

POR LEONARDO LICHOTE 21/04/2016 6:00
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RIO – Uma das formas mais rápidas de entender o lugar de Hamilton de Holanda na música brasileira hoje é pesquisar o nome do artista no YouTube. Tem Hamilton tocando jazz na França com seu Quinteto; pagodeando popularíssimo com Diogo Nogueira ou Zeca Pagodinho; relendo “Índios”, da Legião Urbana, num estádio, acompanhado de uma orquestra; ao lado de Wynton Marsalis num Pixinguinha incendiário; fazendo dançar o Circo Voador em seu Baile do Almeidinha… Difícil pensar em alguém que transite como o instrumentista e compositor, que agora se atira na aventura de reler clássicos de Chico Buarque, no álbum “Samba de Chico” (Biscoito Fino). No disco, como em todas as outras empreitadas — estão no forno uma homenagem a Milton Nascimento e um dedicado ao repertório infantil —, ele aparece à vontade.

— É da minha personalidade. Amo choro, mas sempre achei que podia tocar outras coisas no bandolim. Menino, tocava Djavan, Plebe Rude, Legião, coisas que ninguém fazia na época — conta. — Nasci em Brasília, uma cidade jovem, então tinha vizinho mato-grossense, mineiro, pernambucano. Não tenho opinião sobre nenhuma música antes de ouvir. E me comporto perante a música como na vida. No Almeidinha o ritmo é fundamental, e quando toco num teatro posso explorar detalhes das palhetadas, assim como ajo diferente quando estou numa fila de banco e num restaurante.

Hamilton — que lembra que sua formação era de violino e bandolim na escola de música, durante a semana, e rodas de samba e choro no fim de semana, “acompanhando os bêbados” — diz também que ainda hoje ecoa nele um ensinamento do pai:

— Ele dizia: “Aprende a tocar seu bandolim que você vai fazer um monte de amigos”. Tenho muito isso.

ÁLBUM INCLUI INÉDITA DO BANDOLINISTA

Em “Samba de Chico” (um tributo ao gênero e ao compositor), Hamilton segue sua vocação. Há ali, na verdade, um tanto de sua trajetória com Chico, que já fazia parte do seu repertório no Almeidinha, em seu Trio, e em seu duo com o pianista italiano Stefano Bollani.

— Não quis fazer pesquisa para escolher o repertório, fui lembrando coisas de que gostava, que queria tocar e, quando chegou num número bom, parei — conta o bandolinista, que incluiu uma inédita sua no disco. — Fiz a música “Samba de Chico” com um sabor daqueles sambas de Noel, Ismael.

No disco, Hamilton tem a companhia do percussionista Thiago da Serrinha e dos baixistas Guto Wirtti e André Vasconcellos. Ele também recebe três convidados especiais: Bollani (“Piano na Mangueira” e “Vai trabalhar vagabundo”); o próprio Chico (“A volta do malandro” e “Vai trabalhar vagabundo”); e a cantora catalã Sílvia Pérez Cruz (“Atrás da porta” e “O meu amor”). De passagem pelo Brasil, Sílvia participará do Baile do Almeidinha neste sábado.

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Hamilton explica que nas releituras buscou sempre expor um olhar novo, alternando momentos de maior ou menor reverência sobre o original. Em cada faixa, um caminho:

— Em “Construção”, fiz o arranjo com a letra do lado, achava importante ali transmitir, sem a letra, o sentimento poético da música. “O meu amor”, na qual Sílvia participa, tem as palmas do flamenco, mas no ritmo do samba. Acabou soando como uma morna cabo-verdiana. “Quem te viu quem te vê” quis desconstruir mesmo, só entrego no fim. Quando Chico ouviu pela primeira vez, demorou a sacar: “Que música é essa? É minha?”.

Baile do Almeidinha

Onde: Circo Voador — Rua dos Arcos s/nº (2533-0354).

Quando: Sáb., às 21h30m.

Quanto: De R$ 10 a R$ 60.

Classificação: 18 anos (de 14 a 17 com os pais).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/musica/hamilton-de-holanda-lanca-disco-em-tributo-ao-samba-a-chico-buarque-19134764#ixzz46XX7ZOYy

Hamilton de Holanda – Premio Profissionais da Música 2016

Hamilton de Holanda é o Melhor Instrumentista do país, segundo o Prêmio Profissionais da Música 2016!
Queremos agradecer por todos que votaram e participaram desta edição.
Uma alegria esse reconhecimento!

Confira abaixo os vencedores da edição de 2016 do Premio Profissionais da Música 2016:

MODALIDADE CRIAÇÃO

Autor
Thiago Amud
Instrumentista
Hamilton de Holanda | Bandolim
Cantor
Pedro Sá Moares
Cantora
Verônica Ferriani
Arranjador
André Vasconcellos
Hip-Hop
Lurdes da Luz
Gospel
Anayle Sullivan
Instrumental
Panorama do Choro Paulistano
Rock’n Blues
Adriano Grineberg
Metal & Hardcore
As Verdades de Anabela
Groove & Pop
Aláfia
Raiz Regional
Chico Lobo
MPB
Roberta Campos
Folclore e Cultura Popular
Mawaca
Samba Choro
Galo Cego

MODALIDADE PRODUÇÃO

Editora
YB Music
Produtor Artístico
Conrado Goys
Produtor Executivo
Genildo Fonseca
Selo ou Gravadora
Pôr do Som
Egenheiro de Gravação
Lindenberg Oliveira
Engenheiro de Mixagem
Ricardo Mosca
Engenheiro de Masterização
Carlos Freitas
Designer
Karina Santiago
Fotógrafo
Karina Santiago
Diretor de Vídeo Clip
Igor Damasceno
Produtor de Eventos
Mariana Martinez
Estúdio de Gravação e Mixagem
Estudio 185 Apodi
Estúdio de Masterização
Classic Master

MODALIDADE CONVERGÊNCIA

Distribuidora Digital
CD Baby
Festival de Música
Festival Porão do Rock
Start Up
Sympla
DJ
DJ GustavoFK
Projeto Cultural Musical
Concerto Secreto – Orquestra Petrobras Sinfônica
Canal de Divulgação de Música
ShowLivre.Com
Programa de TV ou WebTV
Sotaques do Brasil
Web  Rádio
Rádio Graviola
Programa de Rádio
Programa é Papo Firme
Canal do YouTube
Pôr do Som
Plataforma de Negócios
SIM São Paulo