HAMILTON DE HOLANDA

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Em construção.. Casa de Bituca!

Em breve, as portas da Casa estarão abertas para poder receber o público. Não haverá restrições de horário de visitação e, logo, as entradas estarão disponíveis no balcão da Biscoito Fino.

Ela foi construída sobre um solo bem brasileiro, moldada por um mineiro, planejada e erguida por um quinteto de pedreiros sensacionais que estão comemorando 10 anos de parceria, com uma série de edificações já expostas ao público.

Ela está viva. É uma morada que pulsa num andamento único e que te atrai para o interior. Adentrar por entre as suas paredes é daqueles poucos momentos que sacodem a alma da gente. Apesar de não verbalizar, é abarrotada de significados. Cada um a verá de uma forma diferente. Lá você poderá remontar memórias, momentos, sentimentos, sensações, estudá-la ou somente apreciá-la. É fácil se perder e ficar horas por ali, então aproveite e brinque com suas travessias, com suas esquinas e suas pontas.

Ao todo, tem 11 cômodos bem singulares. A arquitetura da maior parte deles vocês já devem conhecer, mas foram erguidos a partir de uma releitura. Foram olhares, mãos e pensamentos que trouxeram uma bagagem única com traços peculiares marcantes, tornando o já conhecido em algo completamente novo.

Uma dica que a equipe sempre dá é: entre com os pés descalços e deixe os sapatos na soleira, para sentir melhor a base que a sustenta.

Seja bem vindo e fique à vontade nesse nosso ambiente que tem um quê de mata, de tempero e de jogar malha. Ela cresce para todos os lados. Nela tudo cabe. E, por fim, permanecerá em nós. Vem aí, CASA DE BITUCA, novo CD do Hamilton de Holanda Quinteto.

Hamilton de Holanda comemora aniversário no Baile do Almeidinha

Hamilton de Holanda celebra seu aniversário com edição classuda do Baile do Almeidinha, nesta quinta, no Circo Voador. A noite festeira contará com convidados de peso, a começar pelo cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo. A cantora, multi-instrumentista e atriz Lucy Alves estará presente desfilando um repertório irresistível, depois o som se tornará grave com a presença do renomado baixista Arthur Maia. Hamilton receberá ainda o violonista Daniel Santiago, parceiro de Hamilton no aclamado Quinteto Brasilianos. O brasiliense Esdras Nogueira faz o show de abertura. Na discotecagem, com o seu repertório imbatível: DJ Lencinho. Os portões abrem 20h30!

Hamilton de Holanda e sua magnífica banda (Eduardo Neves – sopro, Aquiles de Moraes – Trompete, Guto Wirtti – baixo acústico, Xande Figueiredo – bateria, Thiago da Serrinha – percussão, Rafael dos Anjos – violão, e Marcelo Caldi – Acordeon), realizam dois sets de 1h15 com clássicos da música brasileira que passam por Tom Jobim, Pixinguinha e Paulinho da Viola, além de composições autorais.

Agora os ingressos do Baile do Almeidinha são vendidos antecipadamente. O primeiro lote sai por R$ 20. Aproveitem!

Participações: Geraldo Azevedo + Lucy Alves + Arthur Maia + Daniel Santiago
Abertura: Esdras Nogueira
Pista: DJ Lencinho
Data: Quinta, dia 30 de março de 2017
Abertura dos portões: 21h
Ingressos a partir de R$ 20.

Crônica sobre um tal Almeidinha…

Há quatro anos que os amantes do Baile do Almeidinha se perguntam quem é esse tal Almeidinha que dá nome ao Baile comandado por Hamilton de Holanda, que virou sucesso em todo Brasil ?

Almeidinha, servidor público exemplar, pessoa integra que tem a ética como o seu bem. Dedicado, dono de um alegre sorriso estampado, trata igual à todos. Na sua cartilha defende o funcionalismo público à que se dedicou por inteiro e diz “ Minha profissão é injustamente mal afamada, e muito em virtude desses apadrinhamentos e uso político-eleitoreiro que sempre se fez dele, principalmente a pouca vergonha da barganha para favores eleitoreiros. E você que me conheçe sabe que não sou adepto da carteirada ou do infame Sabe com quem você está falando?”. Por isso não acha graça ou admite piadinhas do tipo. Acredita que quem exerce honradamente a sua função e atribuição merece total reconhecimento e isso desenrola enveredando numa teia das suas teorias “ Veja os professores, dedicam toda uma vida à nos formar cidadãos e qual a valorização que recebem? Nenhuma! O que ganham? Quase Nada perto da responsabilidade de alimentar as almas dos alunos. Precisam de ter outro trabalho, plano de saúde e o que ganham mal se dá para colocar comida no bucho. É dar muito pouco e querer demais e depois reclama-se dos cidadãos que temos?”.

Mas não é só de trabalho que vive Almeidinha, ele adora a vida através da pespectiva de seus selos, com eles realiza seu sonho de voar e faz um alerta – “Coleção de selos não é o mesmo que filatelia, seu estudo. Um verdadeiro filatelista é como um detetive que está sempre atento aos pequenos detalhes.” Pode passar horas, dias, semanas ou anos viajando pelo mundo sem sequer sair de casa, sempre na tentativa de desvendar qualquer vestigio que revele por onde andou, qual tipo de cola ou mistura disponíveis e a maneira utilizada por exemplo o dedo, um pincel ou os labios e por ai vai…

No começo da infância a sua coleção, tipica de todo iniciante, não seguia nenhum critério, a variedade era tão grande quanto a curiosidade, até que com os anos decidiu-se especializar na sua outra paixão de colecionador – seus passaros – ou melhor seus melhores amigos: canarios, arapongas, rolinhas, corrupiões, pardais, pintassilgos e rouxinois. A dedicaçnao de Almeidinha é tanta que pode-se até sem diploma chama-lo de Ornitólogo com especialidade na Canaricultura de estudo relacionado exclusivamente sobre a criação de canários de cativeiro “ Vc sabia que para um pardal, a média de 250 vezes por segundo de abertura e fechamento das cordas vocais é o necessário para produzir as melodias maravilhosas que ouvimos.  E que esta variedade de contrações musculares permite que cada pássaro tenha um repertório próprio para sua espécie, destinado a cada situação.” Ele acha tudo isso incrivel !!

Almeidinha está em seu paraiso mora em casa própria, herança dos pais, e pouco precisa para sobreviver. Assim pode se dedicar as suas paixões..

Mas numa sexta-feira de carnaval, de ponto facultativo, foi trabalhar. O calor infernal o barulho das buzinas e gritaria das pessoas, a sujeira colorida das calçadas o fez sentir o peso do fim de um expediente que nada aconteceu. A volta para casa de poucas conduções disponiveis foi tranquila pois diferente dos outras voltas o trem estava vazio, chegou em casa tirou sua calça de linho e camisa branca engomada suada quando de repente viu a ponta de um iceberg que até hoje procura por seus limites, uma tragédia! Um de seus prediletos, “o Barão”, tinha sido devorado pelo gordo gato do vizinho  Almeidinha caiu duro no frio chão de ladrilhos, e por lá ficou por algum tempo.

Levantou e não acreditou o que tinha acontecido. Olhou para aquele monte de gaiolas e por mais doido que possa parecer se viu repetido em cada uma delas. A unica coisa que era diferente era a cor da sua camisa e seu canto. Será que tinha morrido? pensou. Será que estou louco? E olhava para as gaiolas e os varios clones pulavam de um lado para o outro cantando. A cena de Dali, ele conhecia bem dali pelo um selo comemorativo que tinha recebido de um amigo da repartição que sabia de sua paixão filatelista. De volta a gaiola ele começøu a sentir caustrofobia e as barras frias mais pareciam uma, uma, uma prisão….Prisão ? Mas eu amo meus pássaros, compro a melhor ração, agua filtrada, limpo as gaiolas todos os dias, aprecio seus cantos suas conversas. Um dia li numa revista enquanto esperava no consultorio dentário que a grande variedade de notas musicais registradas pelos pássaros nos cantos matinais tem sido através dos séculos motivo de inspiração para músicos, poetas, artistas e qualquer indivíduo que tenha o prazer de ainda poder ouvir o canto dos pássaros onde mora. “

Mas que coisa é esse que está acontecendo? Foi pela sua incapacidade em gritar que deu um grande estalo e começou como num espelho perceber que apesar de tudo, esses passaros mereciam liberdade, mereciam voar coisa que hoje até imagino que não saibam mais. Talvez se até abrir essas gaiolas por mais cuidadas que sejam, nunca se comparará a voar na briza do campo pousar no alto de uma mangueira e saborear uma manga , um jambo, uma jaca mole pois é e acoado na lembrança de tantas tentativas, em seu departamento, de suborno – e aquela gaiola vazia que tinha cido cena de um crime passional,  Almeidinha teve pela primeira vez em seus 42 anos de existencia, uma explosão de emoções foi quando uma coisa nova o libertou –  Soltar em voz altiva um palavrão:  PUTA QUE PARIU !!!

E apartir dai Almeidinha nunca mais foi o mesmo……

Uma noite pra Jacob

O público se amontoava na estreita calçada da Carioca para conseguir entrar na Casa do Choro. Alguns já vislumbravam a possibilidade de acabar ficando do lado de fora. Minutos depois que as portas foram abertas, o Auditório Radamés Gnattali lotou e muitos subiram os andares para poder, ao menos, assistir a transmissão pelo telão do restaurante. O evento de tamanha procura era a entrega oficial do bandolim de 10 cordas de Jacob do Bandolim ao Hamilton de Holanda, que aconteceu na última terça feira, 14 de fevereiro.

O espetáculo se deu no dia em que Jacob completaria 99 anos e foi o marco para a abertura de uma série de celebrações pelo centenário do bandolinista. O evento- que acabou tendo duas sessões devido a grande demanda do público- contou não só com a entrega do instrumento, mas também com apresentações de diversos músicos. Para a felicidade do público fãs de choro, mais de 10 bandolinistas subiram ao palco, cada um apresentando suas singularidades, ora acompanhados de Luciana Rabello, Rogério Caetano, Maurício Carrilho e Marcus Thadeu, ora sozinhos.

A poderosa força comunicativa da musicalidade de Jacob se fez presente toda a noite. Entre um bandolim e outro, o público permanecia atento, decodificando os sons presentes na memória coletiva. Estava claro a potência produzida pelo músico. A noite contou com momentos nostálgicos, com personalidades dos tempos de Jacob e com a geração que o escuta através do computador. Hamilton recebeu o instrumento e leu uma carta de agradecimento que abarçava a sua relação com a música e com o bandolinista, deixando clara a importância fundamental daquele gigante para a música brasileira.

O bandolim que acabava de ser entregue oficialmente para Hamilton, para a surpresa de muitos, tem 10 cordas. Tal fato era desconhecido. Não há fotos ou registros sabido pelos músicos. Sobre isso, Hamilton comenta “em 2015 veio a descoberta, pelo menos pra mim, que o nosso mestre Jacob também teve o bandolim de 10 cordas. Era o elo que faltava para ter certeza de que esse instrumento é muito especial e já fazia parte do inconsciente coletivo dos bandolinistas.”

É comum instrumentos famosos ou que pertenceram a grandes músicos serem expostos em museus e galerias ou ficarem guardados em grandes coleções. A Casa do Choro resolveu fazer diferente. Ao receberem alguns dos instrumentos que pertenceram a Jacob e que estavam sob a posse do Instituto Jacob do Bandolim, decidiram passá-los à grandes músicos, para que eles pudessem continuar soando por aí. “Resolvemos que não iríamos deixar o instrumento exposto numa redoma, nem íamos vendê-lo. Escolhemos curadores para esses instrumentos. A gente entende que ele vai ficar o tempo que o Hamilton achar que deve ficar com ele e depois ele vai, no mesmo movimento, fazer esse instrumento circular entre os mais novos, pensando naquele que está se destacando, se dedicando com mais afinco ao instrumento”, disse Luciana Rabello, presidente da Casa.

Carta agradecimento: Pela guarda do Bandolim de 10 cordas que foi de Jacob

Comecei a tocar bandolim aos 5 anos de idade ou pelo menos a brincar porque ele sempre foi o meu brinquedo mais legal. Antes eu tocava escaleta, cornetinha de plástico e um pouquinho de cavaquinho. Confesso que não me lembro muito bem, só por algumas gravações em fita cassete da época que o meu pai, José Américo, teve a boa ideia de fazer com um gravador da Polyvox. Não me esqueço das viagens que fazíamos de carro no banco de trás com o aparelho de som entre mim e meu irmão César, que já tocava cavaquinho e passou muito rápido pro 7 cordas, tinha 10 pra 11 anos. Ouvíamos muito choro de Pixinguinha, Jacob, Altamiro Carrilho, Época de Ouro, Joel Nascimento, Déo Rian, Galo preto, Camerata Carioca, Os carioquinhas, Nó em pingo D’água, Armandinho, Waldir Azevedo, Radamés Gnatalli, Raphael Rabello. Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Elis Regina, Fundo de Quintal, João Nogueira, Tom Jobim, João Gilberto, Luiz Gonzaga, Sivuca e mais um monte de coisa boa. Muito  Frevo também, já que meus pais são pernambucanos. Lembro que minha mãe, D. Teba, pedia pra gente tocar suas músicas preferidas: Naquele tempo e Vibrações. Ela não pedia sempre porque sabia que tinha dia que a gente só tocava o que queria, ficava de marrinha.

No ano de 1984, com 8 anos, participei de um show em homenagem a Jacob que marcou definitivamente a influência de sua música em minha vida. Nesta oportunidade, conheci o conjunto Época de Ouro. Toquei com Dino, Jorginho, Ronaldo do Bandolim, com Armandinho, Déo Rian, entre outros nomes. A música de Jacob foi a trilha de um momento muito emocionante em minha vida. Tocava Jacob em todas as rodas que eu ia no Clube do Choro de Brasília. Passei uma infância feliz, com amigos, família, brincadeiras e muita música.

Aos 13 anos, aprendi a tocar violão com os acordes do estilo da Bossa nova e do Choro, ao mesmo tempo em que estudava harmonia pela metodologia da música clássica como uma outra matéria na Escola de Música de Brasília, isso depois de ter estudado uns 3 / 4 anos de violino. Mas o violão abriu um portal na minha mente e na emoção pelas possibilidades de montagem de acordes. Passei a visualizar e ter um pouco mais de controle do que podemos chamar de arquitetura da música. A harmonia é uma parte fundamental da música, através dela passei a entender e curtir vários gêneros e artistas de diferentes escolas : Hermeto Pascoal, Baden Powell, Milton Nascimento; a música clássica de maneira geral, compositores como Bach, Villa-Lobos, Mozart, entre outros. Com o tempo, fui tentando passar o que aprendia no violão pro bandolim. Daí, descobri a polifonia : eu podia ver, ouvir e tocar a melodia, a harmonia e o ritmo no meu bandolinzinho. Nesse mesmo período, conheci um bandolinista que foi amigo de Jacob, o Cincinato. Ele era conhecido por sua maneira peculiar de tocar o bandolim : tocava armado. Mas não era arma de fogo, sua arma eram os acordes, os dedos estavam sempre com um acorde armado. Numa finalização de frase, sempre aparecia um acorde, ele gostava de harmonizar as melodias. Cheguei a tirar algumas músicas dele, gosto do estilo.

Em 1998, gravei a música Inesquecível, que Paulinho da Viola fez pro mestre Jacob. É a minha primeira gravação apresentando o bandolim polifônico, solo. A partir daí, fui criando arranjos com essa cara. Com o tempo, fui sentindo a necessidade de ter mais notas no instrumento, chegava uma hora que me faltava uma notinha ou outra. Passei a pensar na possibilidade de acrescentar cordas no bandolim. Já sabia que outros músicos tinham feito instrumentos com mais cordas do que o usual. O próprio violão de 7 cordas, instrumento tão importante na história da Música Brasileira, era meu companheiro através das mãos de meu irmão. Eu já tinha ouvido falar de Mário Álvares,  até tocava Teu Beijo, que é uma música dele gravada por Jacob. Foi um chorão que viveu entre viveu na virada dos séculos 19 e 20. Ele tocava um cavaquinho de 5 cordas e um tipo de bandolim com 14 cordas. Outro acontecimento foi marcante: fui passar o carnaval em Salvador, na casa de Armandinho e vi a guitarra baiana, que é um bandolim elétrico com cordas simples, tendo uma corda a mais, total de 5. Ele também tinha um instrumento bem diferente no estúdio, um bandolim elétrico com 5 pares de corda.

No começo do ano 2000, liguei pro luthier Vergílio Lima, de Sabará, Minas Gerais, e fiz uma encomenda. Pedi que fizesse um bandolim com 10 cordas. Me lembro de duas coisas que disse a ele : que o instrumento fosse feito com madeiras baratas, já que era um protótipo e, caso não desse certo, o prejuízo não seria grande. E  que pegasse as medidas do bandolim de 8 dividisse por 4 e multiplicasse por 5, fazendo as compensações que ele achasse necessárias, com sua experiência de anos na luteria. Alguns meses depois, especificamente em outubro de 2000, chegou o bandolim. O protótipo deu certo. Passei a gravar meus discos com ele. No início, parecia um bandolim de 8 com um dózão que eu tocava de vez em quando. Depois de alguns meses, passei a usar as 10 cordas na totalidade. A primeira gravação de um arranjo solo no 10 foi em 2001, a música Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro. Em 2002, passei um ano morando sozinho em Paris, o que me deu tempo e sossego pra tocar o bandolim de 10 o dia inteiro, compondo, criando arranjos, descobrindo novos caminhos e repetindo algumas coisas à exaustão. Nos anos seguintes, gravei alguns discos solo que mostram o bandolim de 10 polifônico : 01 byte 10 cordas (Ao vivo no Rio), Esperança (Ao Vivo na Europa), Samba do Avião e Íntimo. Alguns em parceria, que mostram a possibilidade do instrumento como acompanhante também : com o bandolinista americano Mike Marshall, com Joel Nascimento, com a cantora Zélia Duncan e com o cantor Diogo Nogueira. Além do projeto Caprichos, que é uma proposta de repertório brasileiro para o Bandolim 10 cordas com 24 músicas de estilos e diferentes técnicas.

Desde 2014, praticamente todos os luthiers que fazem bandolim no Brasil passaram a fazer o de 10 cordas. Alguns estrangeiros, também. E novos bandolinistas começaram a se destacar tocando este instrumento : Dudu Maia, Luis Barcelos, Rafael Marques, Fábio Peron, Rafael Ferrari, Carrapicho, Vitor Angeleas, Tiago Tunes, Gabriel Rosário, Pedro Franco, Jorge Cardoso, Fernando Dalcin, Ian Coury, entre outros feras.

Em 2015, veio a descoberta, pelo menos pra mim, que o nosso mestre Jacob também teve um bandolim de 10 cordas. Era o elo que faltava pra ter certeza de que este instrumento é muito especial e já fazia parte do inconsciente coletivo dos bandolinistas. Temos dentro dele o bandolim de 8 e ainda outras possibilidades harmônicas e de timbre que são muito valiosas. Saber que Jacob também buscou essa sonoridade é um alento pra que os bandolinistas de 10 continuem a desenvolver, cada um a sua maneira, uma linguagem inspirada na musicalidade brasileira. Mostrar que o instrumento é o meio pelo qual podemos expressar nossa ancestralidade, nossos sentimentos e nossa capacidade de ver o futuro.

Eu só tenho a agradecer por estar com o bandolim que pertenceu a esse músico sem igual. Me sinto muito honrado, muito emocionado. Muito obrigado ao Instituto Jacob do Bandolim, seu presidente Déo Rian, o vice, Sérgio Prata e toda a diretoria, conselheiros e colaboradores que tocam em frente a difícil e bonita tarefa de divulgar e valorizar o legado deixado por Jacob. Muito obrigado também à Casa do Choro, nas pessoas de Luciana Rabello e Maurício Carrilho, além de todos que contribuem diariamente. O trabalho que vocês fazem é motivo de muito orgulho. Muito obrigado ao luthier Tércio Ribeiro, do qual tenho 2 instrumentos e foi o responsável pela restauração do bandolim de 10 do Jacob. Agradeço todos os músicos com quem tive a chance de tocar, gravar e aprender. Graças a Deus, são muitos. Eu sou tudo que aprendi e aprendo com vocês. Um agradecimento especial ao meu parceiro de trabalho do dia-a-dia nestes últimos 12 anos, Marcos Portinari, pelas horas e neurônios dedicados e toda nossa equipe por fazer acontecer a minha carreira e a alegria no trabalho. Aos meus fãs que dão sentido ao resultado final de todo esse trabalho, muito obrigado. E à minha família, que, chova ou faça sol, está comigo pra elogiar e criticar tudo que faço. Rafaela, Gabriel, Bruno, Cinara, Teba, Américo, César (e tem mais gente legal na família), amo vocês!

Música é trabalho, diversão e educação. Ela nos faz viajar pelo tempo, nos eleva a alma, além de nos dizer quem somos, de onde viemos e aonde podemos ir. A música faz o ser humano se sentir vivo e altivo. Sentimos a grandeza de nossa humanidade e nossa pequenez diante do universo.

Finalizo com um trecho da carta que Jacob escreveu para Radamés Gnattali falando sobre a Suíte Retratos, que ele compôs especialmente pro mestre do bandolim :

Antes de Retratos, eu vivia reclamando: ‘É preciso ensaiar.’ E a coisa ficava por aí, ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: ‘Mais do que ensaiar, é necessário estudar’. E estou estudando.”

Viva Jacob !