HAMILTON DE HOLANDA

Blog


Entrevista inédita com Hamilton de Holanda

Por Paulo Proença – MOTIF – http://motif.mus.br/hamilton-de-holanda/

Nossa conversa com Hamilton de Holanda aconteceu em Belo Horizonte, em abril, momentos antes da passagem de som do espetáculo que ele fez com o tradicional Conjunto Época de Ouro, em comemoração ao Dia Nacional do Choro. Confira!

hamilton-holanda-foto-interna

- Hamilton, o que você tem escutado ultimamente?
Ah, eu ando escutando Luis Barcelos, que é um bandolinista gaúcho mas mora no Rio, escuto os compositores clássicos que eu gosto de escutar sempre, tipo Piazzola, Tom Jobim, Paco de Lucia, Cartola. Um pouco de música clássica também, Debussy, Villa-Lobos, tanta coisa. Na verdade, eu tenho uma biblioteca com muita música e às vezes boto noshuffle e deixo rolando.

- Tem algum disco que nunca sai da audição, que você sempre escuta?
Tem o disco da trilha sonora do filme Cinema Paradiso, uma trilha do Ennio Morricone. Uma coisa que ouço sempre são Os Afro-sambas, do Baden Powell e do Vinicius [de Morais]. Tem um disco do Piazzola ao vivo no Central Park, escuto bastante também. Do Tom tem mais de um, mas o que eu lembro bastante é o Matita Perê, que é um disco lindo que estou sempre ouvindo. O Vibrações, do Jacob do Bandolim, um do Chick Corea chamado Three Quartets curto bastante também.

- Além da trilha do Cinema Paradiso, tem alguma outra que te arrebatou?
Olha, tem uma outra, do próprio Ennio, The Mission, que é linda. Do John Williams tem várias, mas eu destacaria essas. Gosto também da trilha do De Volta para o Futuro.

- Recordação do primeiro disco que comprou ou ganhou, você tem?
Foi na época do LP. O primeiro disco não vou conseguir lembrar porque eu era muito pequeno mesmo, mas eram esses discos do Jacob, do Pixinguinha. Meu pai gostava muito também daquelas big bands americanas. Mas o primeiro CD que me lembro de comprar foi o do João Gilberto, chamado João, que ele canta “Sampa” do Caetano, um disco bem emblemático dele.

- Você tem algum disco autografado, que você guarda com muito carinho?
Eu tenho um LP que fica na casa do meu pai, com o autógrafo da mulher do Jacob do Bandolim.

“A música, ela tem um poder de cura até”

- Além das big bands, o que mais veio de influência musical da sua família?
Primeiro foi o choro, na verdade. Bossa nova também e música brasileira em geral. Meu pai gostava muito de choro e bossa nova, então por parte dele foi o que veio. Mas a convivência com amigos me influenciou muito. Até hoje o ser humano é uma soma do que ele pensa com o que os outros pensam. Quando eu era adolescente, por exemplo, eu tinha uma banda de rock porque gostava daquelas bandas tipo Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude. Foi uma época em que eu passei a ouvir mais MPB também, Djavan, João Bosco que é um pouco diferente do Jacob, que é brasileiro também mas é diferente, são de gerações diferentes. E eu entrei nesse universo por meio dos amigos, não da família.

- Do primeiro show que você foi como público, você tem alguma lembrança? Ou algum que te marcou na adolescência?
O primeiro show que me lembro, na verdade, eu era atração e era público. Toquei e era uma homenagem aos 15 anos de morte do Jacob e estava até o Época de Ouro lá. Então, pra mim, estava tocando com os ídolos e assistindo da coxia e aquilo pra mim foi o máximo. Tenho uma boa recordação disso. Foi em 1984, Tributo a Jacob do Bandolim, na sala Villa Lobos, em Brasília.

- Um show que você lamenta ter perdido, que não rolou de ir por algum motivo.
Eu lamento não ter visto um show do Egberto Gismonti. Teve em Brasília, mas eu estava envolvido com outras coisas e não consegui parar para ver o show. E outra vez, na Itália, toquei com ele mas não consegui parar para ver o show. Gostaria de ter uma oportunidade de sentar e sacar um show dele inteiro.

- Nesses anos de carreira, inclusive, ele foi uma das suas parcerias de compartilhar palco. Qual foi o momento mais marcante de compartilhar palco com alguém?
Ah, é difícil, né? Foram tantos momentos bonitos. Essa resposta eu não vou te dar porque posso cometer alguma injustiça e não lembrar de algum momento bacana. Mas o que eu posso dizer é que eu sempre aprendo e é uma oportunidade de me reafirmar também. Porque se você consegue respeitar e trocar um tipo de ideia musical com outro artista, sem ferir e sem ser ferido, todo mundo ganha. A soma disso é maior.

- E há algum desejo de compartilhar, dividir o palco com alguém?
Eu queria tocar com a Orquestra Filarmônica de Berlim. Isso eu tenho vontade.

- E que outro instrumento musical que você gostaria de tocar?
É um que eu comprei no final do ano passado e que estou começando a aprender, que é o piano. Comprei pro meu filho na verdade, mas acabou que eu fico tocando [risos].

“Todo Sentimento”. É uma música que me dá um conforto

- Se você fosse produzir um festival de música, quem estaria na sua programação?
Pô, ia ser muito maneiro meu festival, cara [risos]! Ia ter rock, mas ia ter choro também, ia ter jazz, música clássica. Ia ser um festival com uns 4 tipos de palco diferente, com a possibilidade de você assistir artistas de diferentes universos alí, junto, compartilhando momentos legais. Meu festival ia ser bem bacana.

- Alguma atração específica?
Eu colocaria num palco, um grupo como Hermeto Pascoal e o grupo dele, num outro colocaria uma cantora como a Maria Rita, num outro palco botaria Metállica e no outro o Época de Ouro, sabe? Colocaria um palco “mundo” onde eu pudesse botar o flamenco, o jazz, música da Suécia. Seria um festival muito doido, mas seria legal [risos].

- Que canção costuma te emocionar bastante?
Ah cara… Ontem mesmo, fazia tempo que eu não ouvia “Eu Sei que Vou te Amar”, do Tom Jobim, e falei “nossa!”. Tem umas músicas que você ouve, ouve, ouve e depois fica um tempo sem ouvir… Essa música, por exemplo, é uma poesia! Tem uma música dele com Chico Buarque, chamada “Olha Maria”, que nossa! Uma do Milton Nascimento chamada “Cais” que é muito boa. Tá aí, Milton seria um dos meus homenageados do meu festival.

- Que música você gostaria de ter feito, por admirar tanto?
Eu não tenho isso. Eu acho lindas e admiro alguns sons mas, não a ponto de querer ter feito.

- Música te ajuda no processo de composição?
Normalmente a inspiração não é a música. Essa é a verdade. 80% do que eu faço vem de acontecimentos, vem de homenagens e a música, na verdade, já é fonte inspiradora, porque estou sempre estudando, ouvindo, mas na hora de compor eu tento fazer como se fosse um retrato da minha vida. Pequenos retratos do sentimento.

- Tem música ou músico que te ajuda em um dia triste? Muda seu humor?
Muda muito! A música, ela tem um poder de cura até. Tinha uma época em que eu pegava o violão, se estava meio triste, e tocava uma música do Chico Buarque e do Cristovão Bastos, chamada “Todo Sentimento”. É uma música que me dá um conforto.

- Capa de disco que você acha muito bonita?
Modéstia à parte, as capas dos meus discos são lindas. Os caras que trabalham comigo são feras. Em específico a última, do show que estou fazendo ultimamente.
De outros artistas, do Nirvana, do neném mergulhando [Nevermind], acho foda. Aquela capa da vaca do Pink Floyd [Atom Heart Mother]. Tem uma capa do Nó Em Pingo D’água, que o Celsinho toca, que é uma gota, quem fez foi o Elifas Andreato. Tem outra do Elifas que é doMemórias Chorando, do Paulinho da Viola, que é foda também. A do Tom Zé, que tem uma bolinha de gude [Tom Zé Todos os Olhos] que é muito hilária [risos].

- E videoclipe que te marcou?
Engraçado, não sou muito ligado a videoclipe, não. Não tenho muito costume. Até fiz um ano passado do Bossa Negra, que é um trabalho que eu tenho com o Diogo Nogueira, mas não sou muito ligado, cara… Tem um clipe do Pat Metheny, um guitarrista americano, que chama “Last Train Home” que é muito legal, da década de 80, com aquelas calças na barriga [risos].

- Um choro especial pra você?
Ah, “Vibrações”!

- Para viagens, você prepara playlist?
Eu ganho muitos discos, então eu fico tentando de alguma maneira passar esses discos para o computador e ouvir no celular pra poder ouvir. Às vezes eu boto uma playlist de música mais calma, às vezes uma para dar uma corridinha. Depende do dia.

- Qual foi sua descoberta musical mais recente?
Foi uma cantora lá da Galícia, que chama Silvia Pérez Cruz. É uma cantora espetacular. Uma das coisas mais bonitas que ouvi ultimamente.

- Hamilton, para finalizar, quem você sugere para uma entrevista no Motif?
Vocês podiam entrevistar o Toninho Horta.

Conheça os vencedores do 26º Prêmio da Música Brasileira

Sobrou emoção na homenagem do 26º Prêmio da Música Brasileira aos 50 anos de carreira de Maria Bethânia, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite de 10 de junho. A cantora foi abraçada pela classe artística, que a prestigiou em peso para agradecer por cinco décadas de uma trajetória marcante, fiel às suas convicções e à sua arte. Foi também um momento de celebração para grandes nomes da música e gente nova que começa a brilhar.

CATEGORIA INSTRUMENTAL

ÁLBUM
Hamilton de Holanda Trio

SOLISTA
Hamilton de Holanda

GRUPO
Quarteto MaoganI

CATEGORIAS ESPECIAIS

REVELAÇÃO – ÁLBUM
“Brahms e Liszt: Piano Sonatas” – Luiz Guilherme Pozzi

ÁLBUM LÍNGUA ESTRANGEIRA
The Chico Buarque Experience – vários autores

ÁLBUM INFANTIL

“Zoró (Bichos Esquisitos), Vol. 1 – Zeca Baleiro

ÁLBUM PROJETO ESPECIAL
“Dorival Caymmi Centenário” – Vários

MELHOR DVD
“Gilberto Sambas Ao Vivo” – Gilberto Gil

MELHOR CANÇÃO
“Sedutora”, de Guinga e Paulo César Pinheiro – intérprete: Mônica Salmaso (álbum “Corpo de Baile”)

ARRANJADOR
Francis Hime (“Navega ilumina”, de Francis Hime)

ÁLBUM ERUDITO
“Villa-Lobos: Sinfonia n° 10, Ameríndia” – Osesp

ÁLBUM ELETRÔNICO
“Zambê” – Donatinho

PROJETO VISUAL
Fernanda Takai, “Na medida do impossível” – Hardy Design

CATEGORIA CANÇÃO POPULAR

MELHOR ÁLBUM
“Na Medida do Impossível” – Fernanda Takai

MELHOR DUPLA
Zezé Di Camargo & Luciano

MELHOR GRUPO
Saulo Duarte e a Unidade

MELHOR CANTOR
Johnny Hooker

MELHOR CANTORA
Roberta Miranda

CATEGORIA SAMBA

MELHOR ÁLBUM
“Passado de Glória – Monarco 80 Anos” – Monarco

MELHOR CANTORA
Alcione

MELHOR CANTOR
Arlindo Cruz

MELHOR GRUPO
Semente

CATEGORIA MPB

MELHOR CANTOR
Luiz Melodia

MELHOR CANTORA
Monica Salmaso

MELHOR ÁLBUM
“Valencianas”, de Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto

MELHOR GRUPO
ZR Trio

CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/ HIP HOP/FUNK

MELHOR ÁLBUM
“Atento aos Sinais Ao Vivo” – Ney Matogrosso

MELHOR GRUPO
Os Paralamas do Sucesso

MELHOR CANTORA
Marisa Monte

MELHOR CANTOR
Ney Matogrosso

CATEGORIA REGIONAL

MELHOR ÁLBUM
“As Ganhadeiras de Itapuã” – As Ganhadeiras de Itapuã

MELHOR DUPLA
Zé Mulato e Cassiano – “Ciência Matuta”

MELHOR GRUPO
As Ganhadeiras de Itapuã

MELHOR CANTOR
Alceu Valença

MELHOR CANTORA
Marlui Miranda

Melbourne Jazz – Hamilton de Holanda & Stefano Bollani

Saturday 6 June, Hamer Hall

Without a doubt Stefano Bollani and Hamilton de Holanda are both eclectic virtuosos and prolific artists of the highest order.  On first analysis, it is tempting for the jazz aficionado to draw parallels between former pairings of guitar and piano (such as Bill Evans and Jim Hall), but the Bandolim is not a six string guitar, rather, an instrument in it’s own right with it’s own distinct timbre (higher in register than that of a guitar with closer ties to that of a 10 string mandolin).

To the outsider, the pairing of such instruments as the piano and Bandolim may seem unusual; although once a musician begins to approach the caliber of artistry that Bollani and de Holanda have achieved, the ideas conveyed manage to transcend the mediums they use to express their art.

Both share a deep passion for South American music and jazz, but more importantly (from an artist’s standpoint) it was evident through their mutual interaction that they genuinely enjoy each other’s company.

The duo have been playing together since 2009, have toured extensively having released a live album in 2013 through ECM, (Stefano Bollani / Hamilton De Holanda: O Que Sera) which provides an excellent account of the duo’s musical empathy and interplay.

The duo’s repertoire covered a wide range of tunes including Brazilian love songs, waltzes, tangos, original compositions and even a Bee Gees cover (How Deep is Your Love), all of which provided as appropriate vehicles for both musicians to express their unique personality.

From the outset, the high level of interplay was clear. Both players wove around each other with contrapuntal lines that were offset with some melodic passages played in unison. Their approach could be described as slightly reminiscent of the Lennie Tristano school of jazz if it were injected with a good dose of South American Rhythm.

To his credit, Stefano Bollani is a highly animated pianist. Not satisfied with sitting down at the piano, Bollani stands, crouches, and sometimes kneels at the piano while trying to engage the audience with his infectious enthusiasm.

In interviews, Bollani has named both Oscar Peterson and Art Tatum as early influences which is evident through his fluid technique. But Bollani’s approach is a far more percussive one – and not only while pressing the keys of the piano. At certain moments during the concert, Bollani would slap various parts of the body of the piano like a conga drum.

Hamilton de Hollanda is no slouch either. His accompaniment of Bollani was both tasteful and decisive, filling in the right spaces between Bollani’s notes, occasionally punctuating rhythms and phrases at the right moment. While soloing, it is quite obvious de Holanda is familiar with the language of jazz, yet he always manages to stay true to his Brazilian roots.

The string muting techniques employed by de Holanda are something to behold; coupled by his keen use of polyrhythms, the overall effect seems to meld seamlessly with the beautiful textures provided by Bollani.

At times one could be forgiven for thinking the duo might be playing in your living room rather than in a concert hall, as their overall interaction with the audience and general approach to performance came across as quite personal, sincere, and full of humour.

It is this paradox that wins you over. Bollani and de Hollanda are serious musicians who have worked very hard at perfecting their craft, but neither take themselves too seriously. It is this ethos combined with high level artistry that translates into the music to become something far greater than the sum of it’s parts. But the proof as they say is “in the pudding”, and the proverbial pudding came in the form of a very heart-felt standing ovation from the audience.

Special guest reviewer Mikey Chan is one of Melbourne’s foremost session guitarists. His playing appears alongside many of the world’s finest musicians, from Renee Geyer to Jill Scott and Grammy Award-winning producer, M-Phazes.

A Bituca e o bandolim caprichoso de Hamilton de Holanda

Por Kátia Cilene(Barbacena Mais)

A Universidade de Música Bituca já é o curso mais disputado no país pelos estudantes que escolhem a música como profissão. Na última semana a Bituca formou cerca de 200 alunos e recebeu outros tantos que iniciam sua trajetória.

A Bituca e o bandolim caprichoso de Hamilton de Holanda

Um dia frio, daqueles que faz de Barbacena a nossa e velha e boa cidade. E nada mais representativo de nós mesmos aqui na Serra da Mantiqueira do que o Ponto de Partida, uma mistura de cultura, empreendedorismo, mineiridade, garra e talento. E o oito de abril marcava uma data especial: formatura de uma turma de alunos da Bituca, uma experiência inédita no ensino da música, o início de um novo ano letivo naquela chamada de Universidade de Música Popular e a presença do bandolim mágico e caprichoso de Hamilton de Holanda, instrumentista e compositor reconhecido internacionalmente.

Na chegada já uma surpresa. Uma não, duas: o piso de mármore e o paisagismo viçoso do Inhotim – ambos como moldura para a Estação Ponto de Partida, imóveis da antiga Sericícola completamente recuperados para a alegria do patrimônio cultural de Barbacena. Só falta mesmo o Ministério da Agricultura criar vergonha na cara e desocupar o primeiro casarão. E ainda era de manhã, quase onze horas. Os jovens formandos chegavam de toda parte, como também a imprensa – todos recebidos com o sorriso dos atores, quer dizer, dos integrantes do Ponto, dublês deles mesmos pela desenvoltura e múltiplas atividades.

Concorridíssimo, o workshop de Hamilton de Holanda revelou um músico extraordinário para quem não o conhecia, o mágico ‘inventor’ do bandolim de dez cordas. ‘Presente de vô’, como ele disse, quando se viu gente estava como o bandolim na mão. “Cresci no choro, no samba e na bossa nova. Música é música, sem preconceito. A técnica é importante, no mínimo, para alimentar a intuição, esta fundamental. Divido-me entre o profissionalismo e a coisa lúdica. Acordo cedo, planejo, tenho o pé no chão”, disse ou insinuou o músico, entre milhares de acordes e as perguntas de Gilvan de Oliveira e Pablo Bertola.

Na saída, os formandos, quando questionados, tinham respostas na ponta da língua, para os estudantes de canto, e na ponta dos dedos, para os instrumentistas. “A Bituca é uma melodia. Eu, se pudesse, saía de um curso e entrava em outro. Aqui é o início de uma carreira para todos nós. Eu estou me formando e iniciando um outro curso. Quando vi que tinha passado nas provas de acesso aos cursos senti que minha vida iria mudar. Formar é uma alegria e uma tristeza. Foi a melhor época da minha vida”, disseram vários alunos.

Quando deu quatro horas, o tempo havia esquentado mas já começava a esfriar novamente. Isso do lado de fora. Porque dentro do peito dos novos alunos o coração batia descompassado – eles ainda iriam aprender o compasso musical da vida dos estudantes de música. “Confesso, estou nervoso. Vim de longe mas já me sinto em casa. Nossa, Barbacena preserva o verde. Não sabia que aqui era tão bonito. Um dia vou ser cantora, vocês vão ver. Vou fazer esse sonho virar realidade”, diziam entre sorrisos e esperança de uma formação para fundamentar a intuição de uma profissão – como afirmou Hamilton de Holanda.

A aula inaugural para os 230 novos alunos foi uma pequena demonstração da estrutura da Bituca, que tem novos patrocinadores, como a GVT e futuramente a Petrobrás, entre outros. E como não poderia faltar, com a palavra, Regina Bertola. “A Bituca é a escola de música que tem mais candidatos por vaga, mais do que UFMG ou a Unicamp. Ninguém pode ser rico se abandonar a sua herança. É comum, quando jovem, quem tem talento pra música, ser o sucesso das festas de aniversário e dos encontros familiares, mas se eles disserem para os pais que querem ser músicos na vida vão ouvir: escolha uma profissão primeiro. A música é a consequência da vida, todo mundo aqui na Bituca ensina e aprende. Vocês vão tirar da escola o que colocarem aqui. Ela é uma escola para desatar amarras mas disciplinadora. Temos que ter foco. Este é um espaço de confiança. A música nos leva a dimensão do eterno, mas, para chegar lá, temos que ser humanos”, disse ela, não nessa ordem. Sendo completada por Gilvan de Oliveira: “Este lugar é o ponto de partida nesta travessia”, unindo o grupo com a canção do artista que empresta seu nome ao espaço cultural.

E o frio aumentava enquanto a emoção aquecia a todos. E chegou a hora do show, sempre em horários adequados e com o profissionalismo do Ponto. A garoa ameaçou mas ficou só nisso mesmo. Dessa vez acompanhado, Hamilton de Holanda mostrou novamente o seu bandolim com composições próprias, de Tom Jobim, Baden Powell, Geraldo Vandré, entre outros. A plateia delirou. Poucas vezes a cidade viu e ouviu um instrumentista tão completo.

Que dia! Ou melhor, que noite!! Ah, especial mesmo. E Ponto!

ContraPonto com Hamilton de Holanda

.contraPonto

por 
Entrevistado:

Hamilton de Holanda

Arranjador e violonista

Data da entrevista: 20/03/2015

01) Se você tivesse que ouvir apenas uma música só durante um mês inteiro, qual escolheria?

Alguma bem alegre do Tom Jobim, ou do Villa-Lobos, do Dorival Caymmi, do Milton Nascimento, Pixinguinha, Baden Powell, Hermeto Pascoal, hahahahhaahha, impossível uma só!

02) Se você tivesse que eleger outro instrumento musical pra tocar que não fosse o seu, qual escolheria?

Piano.

03) Qual o personagem da História você gostaria de ter sido?

Alguém que viajasse pelo tempo, não sei se isso vai ser possível . Mas acho J. S. Bach um grande personagem da História.

04) Se o chef Paul Bocuse se oferecesse pra cozinhar pra você, qual prato você pediria pra ele fazer?

Eu aceitaria um menu confiance.

05) Quem você gostaria que estivesse sentado na poltrona ao lado da sua no avião?

Minha família.

06) Que filme você gostaria de ter dirigido, que livro você gostaria de ter escrito e que música você gostaria de ter composto?

O filme “De volta para o futuro”, algum livro do A. Schoenberg, alguma música dos mesmos compositores já citados.

07) Sabemos que nem sempre é bom conhecer nossos ídolos de perto. Muito menos conviver com eles… Mas se você tivesse que ser o braço direito (ou esquerdo…) de um grande compositor, escritor, pintor ou cientista, vivo ou já passado desta pra melhor, quem você escolheria?

Não sei… Gostaria de ter sido aluno do J. S. Bach ou do Pixinguinha.

08) A que grande evento da História você gostaria de ter assistido ao vivo?

Gostaria de ter assistido a um show do Pixinguinha em Paris com Os 8 Batutas, em 1922, deve ter sido muito bonito.

09) Qual o seu personagem de desenho animado preferido?

Papa-léguas e Fred Flintstone.

10) Qual personagem atual que você não hesitaria em deixar um dia inteiro ajoelhado no milho?

Qualquer corrupto que ainda insista em puxar o Brasil pra trás.

11) O que você está ouvindo atualmente?

Jazz, samba, rap, música brasileira em geral, música instrumental, música clássica, sei lá, é tanta coisa… Agora estou ouvindo músicas infantis pra um projeto que vou gravar com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, aproveito pra curtir com meus filhos!