HAMILTON DE HOLANDA

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ContraPonto com Hamilton de Holanda

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por 
Entrevistado:

Hamilton de Holanda

Arranjador e violonista

Data da entrevista: 20/03/2015

01) Se você tivesse que ouvir apenas uma música só durante um mês inteiro, qual escolheria?

Alguma bem alegre do Tom Jobim, ou do Villa-Lobos, do Dorival Caymmi, do Milton Nascimento, Pixinguinha, Baden Powell, Hermeto Pascoal, hahahahhaahha, impossível uma só!

02) Se você tivesse que eleger outro instrumento musical pra tocar que não fosse o seu, qual escolheria?

Piano.

03) Qual o personagem da História você gostaria de ter sido?

Alguém que viajasse pelo tempo, não sei se isso vai ser possível . Mas acho J. S. Bach um grande personagem da História.

04) Se o chef Paul Bocuse se oferecesse pra cozinhar pra você, qual prato você pediria pra ele fazer?

Eu aceitaria um menu confiance.

05) Quem você gostaria que estivesse sentado na poltrona ao lado da sua no avião?

Minha família.

06) Que filme você gostaria de ter dirigido, que livro você gostaria de ter escrito e que música você gostaria de ter composto?

O filme “De volta para o futuro”, algum livro do A. Schoenberg, alguma música dos mesmos compositores já citados.

07) Sabemos que nem sempre é bom conhecer nossos ídolos de perto. Muito menos conviver com eles… Mas se você tivesse que ser o braço direito (ou esquerdo…) de um grande compositor, escritor, pintor ou cientista, vivo ou já passado desta pra melhor, quem você escolheria?

Não sei… Gostaria de ter sido aluno do J. S. Bach ou do Pixinguinha.

08) A que grande evento da História você gostaria de ter assistido ao vivo?

Gostaria de ter assistido a um show do Pixinguinha em Paris com Os 8 Batutas, em 1922, deve ter sido muito bonito.

09) Qual o seu personagem de desenho animado preferido?

Papa-léguas e Fred Flintstone.

10) Qual personagem atual que você não hesitaria em deixar um dia inteiro ajoelhado no milho?

Qualquer corrupto que ainda insista em puxar o Brasil pra trás.

11) O que você está ouvindo atualmente?

Jazz, samba, rap, música brasileira em geral, música instrumental, música clássica, sei lá, é tanta coisa… Agora estou ouvindo músicas infantis pra um projeto que vou gravar com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, aproveito pra curtir com meus filhos!

Obra de Hamilton de Holanda chega a Alemanha

“Não quero rotular minha música para não me podar, a criação tem que ser livre”, diz o bandolinista brasileiro, que tem cinco discos lançados na Alemanha pelo selo de jazz MPS.

Eclética, virtuosa e cheia de sentimentos, a música do bandolinista Hamilton de Holanda é difícil de ser rotulada, mas seu fascínio é fácil de ser compreendido.

Com uma carreira consolidada no Brasil, onde gravou ao lado de gigantes como Chico Buarque e Maria Bethânia, e apresentações na Europa e Estados Unidos, Hamilton tem suas obras mais recentes lançadas na Alemanha.

Bandolim é uma coletânea com destaques dos álbuns Trio, Pelo Brasil, Brasilianos 2 e 3. Todos esses títulos estão sendo lançados na Alemanha pelo selo MPS, especializado em jazz.

“Eu não quero rotular minha música para não me podar, a criação tem que ser livre. A melodia quando nasce não tem nacionalidade, sua essência é pura”, disse o músico em entrevista à DW Brasil em Berlim.

Hamilton se apresentou pela primeira vez na capital alemã para um grupo de jornalistas. No clima intimista da apresentação ele mostrou suas técnicas e a maneira como ele e seu bandolim transformam canções em histórias – uma jornada que busca nas raízes da música brasileira uma maneira para expandir suas possibilidades.

“No começo, me lembrou um pouco uma prova na universidade, mas depois me senti em casa. Lembrei das festas de quando eu era pequeno, quando, nos fins de semana, reuníamos amigos e família para tocar”, diz Hamilton.

Brasília eclética

Filho de pernambucanos, Hamilton nasceu no Rio de Janeiro, mas em seguida sua família, repleta de músicos, mudou-se para Brasília. Desde pequeno, ele participava de rodas de samba e choro em casa. Aos 5 anos, depois de ganhar um bandolim do avô de presente de Natal, passou a estudar música.

“Comecei com o violino porque não tinha professor de bandolim na escola. Passava a semana estudando música clássica e no fim de semana participava das rodas de choro”, conta.

Apesar da formação clássica e da base musical no samba e no choro, Hamilton também foi influenciado pela cena rock de Brasília e chegou até a tocar baixo em uma banda. Seu ouvido apurado também apreciava MPB e jazz. “Brasília é uma cidade nova, onde as tradições se encontraram. Eu cresci no meio de tudo isso. Essa mistura foi definitiva na minha formação”, afirma.

Pequena orquestra

A maturidade e a complexidade do trabalho de Hamilton acabaram ficando pequenas para um bandolim de apenas oito cordas. Depois de estudar violão e composição, ele percebeu que precisava expandir o som do seu instrumento.

“Eu via um pianista e achava legal que ele tocava melodia e acorde ao mesmo tempo. Queria fazer isso com o bandolim, então pedi para criarem um com dez cordas, que acabou virando meu instrumento”, diz Hamilton.

Após terminar a universidade, Hamilton ganhou uma bolsa e passou uma temporada em Paris, explorando e aperfeiçoando o som de seu novo instrumento. “Foi uma necessidade de expressão artística. Quando estudei, pegávamos uma obra de Bach ou Villa-Lobos e dissecávamos todos os instrumentos. Queria tocar meu bandolim como uma pequena orquestra”, relembra.

Hamilton participou da escolha do repertório de Bandolim. O disco é uma espécie de introdução à recente produção do compositor e instrumentista. As faixas de seus últimos discos apresentam o eclético trabalho do músico em gravações solo, em trio e quinteto.

“Compor é minha maior verdade artística. Quando componho, sou aquilo que vejo no mundo com aquilo que eu aprendi de outros músicos. Estudei muito, mas não quero que minha música seja só pensar. Gosto de partir do espontâneo. O pensamento entra mais para dar um retoque. Se não for assim, ninguém vai se emocionar. Nem mesmo eu”, diz o músico.

“Bossa Negra” em concerto no Tivoli BBVA

Os brasileiros Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda sobem ao palco do Teatro Tivoli BBVA no dia 12 de maio, às 21h30.

POR: SUSANA BRITO
07 MAIO 2015, 08:00

“Bossa Negra” é a fusão dos universos por onde ambos os músicos “viajam” – Samba, Choro e Jazz – e pretende mostrar ao mundo o olhar da terra de Vera Cruz sobre a música universal.
O cantor Diogo Nogueira traz, segundo a crítica, “a entidade do Samba autoral, nascido nos morros, que canta e encanta o Brasil”. Já o instrumentista Hamilton de Holanda nasceu na “tradição do Choro e traz nos dedos a erudição da Villa-Lobos, a genialidade de Pixinguinha e a sofisticação despojada de Tom Jobim”, numa leitura brasileira do Jazz.

O disco da dupla de músicos foi lançado em agosto no Brasil e reúne 13 temas – faixas originais e versões de músicas de nomes conceituados, como Caetano Veloso, Arlindo Cruz, João Nogueira, Ary Barroso, Vinicius de Moraes, Pixinguinha, entre outros.

A primeira parte do espetáculo será preenchida com a atuação dos “Sacundeia”, um grupo de samba composto por jovens músicos brasileiros residentes em Lisboa. Betinho Mateus, Iro Borges, Beto Souza, Eron Gabriel, Jackson Azarias e Derek Viana compõem a banda, descrita pela critica como “um grupo de Samba com qualidade, novidades, modernidade, produção, profissionalismo e inovação”.

Casa do Choro, no Rio, nasce com proposta de difundir o gênero musical no mundo

Por Paulo Virgílio – Repórter da Agência Brasil / Edição: Stênio Ribeiro

A Casa do Choro, primeiro centro de referência ao gênero no Rio é inaugurado junto ao VI Festival Nacional do Choro, um encontro que contará com 20 grupos do Brasil e de outros países (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Mais de um século e meio após o seu surgimento, o choro, um dos gêneros de música popular mais antigos do mundo, conta, a partir de hoje (25), com um espaço cultural e centro de referência integralmente dedicado a ele, na cidade que o viu nascer. A Casa do Choro – instalada em um prédio de 1902, na Rua da Carioca, centro histórico do Rio de Janeiro – foi inaugurada no final da manhã deste sábado (25), em clima de festa, embalada com a sonoridade do gênero e com a presença de grandes nomes da música instrumental brasileira.

Administrado pelo Instituto Casa do Choro, criado em 1999 e presidido pela compositora e cavaquinista Luciana Rabello, o espaço nasce com uma proposta ambiciosa. Além de dar continuidade ao trabalho de educação musical, formação de plateias e novos músicos, e de preservação de acervos – executada desde 2000 pela Escola Portátil de Música, mantida pelo instituto –, a Casa do Choro pretende, segundo Luciana, contribuir de forma decisiva para a internacionalização do gênero.

Presidente do Instituto Casa do Choro, Luciana Rabello, pretende internacionalizar o gênero musical Tomaz Silva/Agência Brasil

“Há grupos de choro hoje espalhados pelo mundo, e nós queremos a participação deles aqui na casa e em nosso festival”, disse Luciana, referindo-se ao evento que ocorre neste fim de semana, na sequência da inauguração da casa. Em sua sexta edição, o Festival Nacional do Choro oferece, hoje (25) e amanhã (26), em palco armado na vizinha Praça Tiradentes, um total de 20 shows de chorões cariocas e de outros estados brasileiros.

Um dos integrantes do Conselho de Honra da Casa do Choro, o músico Dori Caymmi aposta no sucesso internacional do gênero. “Você vai a países da Europa e aos Estados Unidos e vê vários grupos de choro, e o choro se espalhar lá fora é mais uma vitória do Brasil”, destacou. Dori disse que ficou emocionado com o convite para fazer parte do conselho, já que não se considera um chorão. “Eu até compus alguns, mas não tenho essa capacidade. Sou um músico brasileiro, que acredita no Brasil, e gosto muito mais do Brasil do que as pessoas estão gostando hoje em dia, apesar de estar morando lá fora [em Los Angeles, nos EUA]”.

Dori Caymmi também acentuou a importância da iniciativa na valorização da cultura musical genuinamente brasileira. “Temos muitos gêneros, muita riqueza, e sou radical em relação a isso, sou filho de um dos maiores compositores que essa terra deu”, frisou, referindo-se ao pai, Dorival Caymmi (1914-2008). “Foi uma vitória a Luciana e o Maurício Carrilho [vice-presidente do Instituto Casa do Choro] conseguirem esse espaço na atual conjuntura, em que as pessoas chamam o funk de manifestação cultural carioca”, ressaltou.

O Conselho de Honra é presidido pelo poeta e produtor musical Hermínio Bello de Carvalho, parceiro de Pixinguinha e letrista de um clássico do choro, Doce de Coco, de Jacob do Bandolim. Hermínio, que no mês passado festejou seus 80 anos, deu valiosa contribuição ao acervo da Casa do Choro, que a partir de agora ficará exposto à visitação pública e à consulta dos pesquisadores.

Instrumentos musicais, partituras, manuscritos, capas de discos, quadros de chorões do passado, retratados por pintores e chargistas, e fitas de rolo que pertenciam a Jacob do Bandolim constituem uma pequena amostra do acervo em exibição em uma sala do 1º andar da casa. Por meio do site da Casa do Choro, o público poderá ter acesso a muito mais. São cerca de 15 mil partituras digitalizadas e 2 mil discos de 78 rotações e long plays, além de vasto material bibliográfico e iconográfico.

O poeta e produtor musical, Hermínio Bello de Carvalho, participa da inauguração da Casa do Choro, primeiro centro de referência ao gênero no Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)
O poeta e produtor musical, Hermínio Bello de Carvalho, preside o Conselho de Honra da Casa do Choro Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com Maurício Carrilho, o teatro de 120 lugares, no térreo, vai ter programação contínua, mas o instituto – que recebeu recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Petrobras para a restauração do prédio, que estava em ruínas, e para a implantação do espaço – ainda busca apoiadores para a manutenção da casa. “No início, a gente vai ter que levar na marra, com os recursos que conseguir de ingressos e do pagamento das aulas” revelou.

Sobrinho de lendário nome da música instrumental brasileira, o flautista Altamiro Carrilho (1924-2012), o compositor, arranjador e violonista Maurício fala com orgulho da nova geração de chorões. “Há 20 anos, a situação do choro era dramática, não tinha nenhum jovem tocando e nenhum espaço dedicado a ele. Hoje, você vê em bares e reuniões alunos e ex-alunos da Escola Portátil de Música tocando.”

Orgulho também compartilhado por Herminio Bello de Carvalho ao se referir à criação da Casa do Choro. “Quando eu vejo a vitória dessa garotada, fico muito feliz, porque é um momento de valorização da melhor música brasileira. Muitos dos que eu conheci há 40 anos hoje são professores dessa escola e estão formando novos professores”, elogiou.

Dia do Choro é celebrado em data alusiva aos 118 anos de Pixinguinha

Há 118 anos, nasceu um dos maiores compositores brasileiros, Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Em homenagem a essa data, comemora-se todo 23 de abril, desde 2000, o Dia Nacional do Choro.

O gênero musical surgiu no século XIX, como uma mistura entre ritmos africanos e europeus. No século seguinte, grandes nomes do choro, como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazaré deixaram enorme contribuição para o gênero, que serviu de base para outros e contribui, até hoje, para a formação da cultura brasileira.

“Choro e samba são gêneros irmãos”, diz Hamilton de Holanda

Para um dos principais expoentes do chorinho atual, Hamilton de Holanda, o choro “é um formador da personalidade cultural do brasileiro”. Segundo ele, “o choro é o primeiro gênero musical brasileiro, só de ser assim, já tem importância grande, além de ter uma ligação forte com gênero irmão, que é o samba”, explica. “O que mais me encanta no choro é a mistura de informalidade com a música elaborada”, completa.

Nascido em família de músicos, o encantamento do artista com o choro remonta à infância. Aos cinco anos ganhou do avô, como presente de natal, um bandolim. Desde então, ao longo da carreira, acumulou prêmios e se apresentou em diversos países do mundo. E o que percebe, em suas andanças, é um interesse crescente pelo gênero.

“Há 15 anos viajo pelo mundo. No começo, eu reparava que as pessoas se identificavam muito com o ritmo e o choro em si não era tão conhecido mas, de uns tempos pra cá, sinto interesse maior do público. O estrangeiro em geral gosta muito da música brasileira”, avalia.

Hamilton revela ainda que, quando morava em Brasília, chegou a ligar para o assessor do então senador Artur da Távola para sugerir a criação do Dia do Choro. A sugestão foi aceita e a data escolhida foi 23 de abril, dia do nascimento de Pixinguinha. “Isso foi em abril ou maio. Em setembro, a lei foi sancionada pelo presidente”, relembra o músico.

“Pixinguinha cristalizou o choro como gênero musical do país e também o samba, junto com Donga e sua turma. Ele é um dos pilares da formação cultural brasileira”, explica o bandolinista Hamilton de Holanda.
Parceiro de uma das bonitas homenagens ao mestre, o samba ‘Som de Prata’, ao lado do craque Paulo Cesar Pinheiro, que foi parceiro de Pixinguinha, Moacyr Luz diz que o criador do choro deveria ser santificado.

“Quando compusemos ‘Som De Prata’, a conversa girava em torno do encantamento da sua morte. O gênio da música brasileira fora à igreja da Nossa Senhora da Paz abençoar mais um afilhado. Sentado num dos longos bancos do salão, tombou e morreu antes de subir ao batistério. Perdemos o artista. Nascia um santo”, disse.

O historiador Luiz Antônio Simas faz coro com as palavras de Moacyr Luz e Hamilton de Holanda e põe Pixinguinha no topo. “Ele tem uma importância talvez maior que a de Villa-Lobos. Um músico de primeiríssima, que não se restringia ao choro, mas ao fox, polca, à valsa, ao maxixe, à marchinha. Era fantástico em tudo o que fazia”, diz Simas.