HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: julho 2012


Sobre Luz da Aurora, Jazztimes (English)

By Scott Albin

Yamandu Costa and Hamilton de Holanda are renowned in Brazil on their respective instruments, the seven-string guitar (violão) and the ten-string mandolin (bandolim). This 2008 concert in Brazil is their first recorded release, memorable duet performances that will surely broaden their following internationally.

Their uncanny rapport enables them to play technically brilliant, intricate passages without stepping on each other’s toes. There are no extended solos on any of the 11 selections, and yet they are able to continuously astound the listener without any indulgent displays. Their musicianship and passion are both focused solely on communicating with the audience, which responds with adoring appreciation.

Highlights are numerous and varied as they explore a repertoire that (except for one) consists of original tunes written by one or both of these sublime string artists. “Samba de Véio” exhibits a floating interweaving of lines, while “Samba for Rapha” is a distinctively fresh take on the form. On “Chamamé,” they effectively utilize contrasting dynamics to enhance their filigreed interplay. “Sweet” contains a delicate, romantic wistfulness, and “Light of Dawn” is a very moving ballad. “01 Byte 10 Strings” is reminiscent of “Samba de Orpheus,” a nuanced tour de force with especially fiery de Holanda mandolin. “Whispered” is a particularly good example of how flawlessly they can alternate phrases of a melody, and then improvise contrapuntally. A glistening, cascading beauty envelops their rendition of “Flowers of Life.” “Seasons” is an exciting flamenco-flavored romp.

This is a CD that many will find demands repeated listens.

Sobre Brasilianos 3, Site jazzchill.blogspot.com.br (English)

HAMILTON DE HOLANDA – BRASILIANOS 3

Really lovely work from Hamilton De Holanda – the third entry in his Brasilianos series, and possibly the most compelling so far! Hamilton plays a 10 string mandolin with effortless ease – spinning out rich tones and colors that go far beyond traditional Brazilian use of a bandolim – and working in spacious territory that also includes harmonica from Gabriel Grossi, guitar from Daniel Santiago, bass from Andre Vasconcellos, and drums from Marcio Bahia. There’s plenty of jazz inflections – and in ways, the album’s almost like some of the best ECM sessions of this time from the late 70s – those few that really got the mix of modes right. Titles include “JK Proibido”, “Prece Ao Santo Ceu”, “Primeiras Ideias”, “Saudades De Brasilia”, “Saudades Do Rio”, “Guerra E Paz”, “Caos E Harmonia”, and ‘A Marcha Dos Candangos”. ~ Dusty Groove

Entrevista para o Sudtirol Jazz Festival, 2012

1. You are playing mandolin…how does it come that you have chosen this instrument and which capabilities in music it gives you?

Eu sou bandolinista por obra do destino, com a ajuda da família. Não escolhi o instrumento. Eu era pequeno, 4/5 anos de idade, já tocava um pouco aqueles instrumentos de brinquedo com uma escala só. Também a escaleta (melódica). No natal de 1981, quando eu tinha 5 anos, ganhei meu primeiro bandolim de meu avô. Nunca soube o real motivo dele ter escolhido o bandolim. O que importa é que ele se tornou parte de minha alma, do corpo. É através dele que me comunico com o mundo, com as pessoas.

2. The connection between brazilian music and american jazz during the 70ies brought along world-famous pieces such as “the girl from ipanema”, which was created by Astrud Gilberto, her husband Joao Gilberto and the saxophonist Stan Getz. What do the 70ies signify to you and which is the role that jazz plays today in Brazil?

Eu fui mais influenciado pela música de Pixinguinha e pelo choro. Gosto muito do Jazz e sou um profundo admirador da obra do Tom Jobim, que é o compositor de todas as músicas deste disco que você se refere “Getz/Gilberto”, dos anos 60. Eu escutei na minha adolescência os discos do João Gilberto, geniais. Acho saudável a mistura dos gêneros, e, em geral o jazz se misturou bem com gêneros brasileiros. Hoje em dia, sinto um interesse maior de estrangeiros e músicos de jazz pelo repertório do choro.

3. Today Brazil is developing more and more, economically and geopolitically. How do you see this changes as a citizen and musician?

O que sinto é que todos querem vir para o Brasil, que é a terra prometida, que é o País onde se tem ótimas oportunidades de trabalho, de investimento e que tem o povo muito alegre, feliz, trabalhador e acolhedor. Fico contente com o momento que estamos passando, mas é preciso ter serenidade e atenção pra que a imagem seja sempre fiel à realidade, que as diferenças diminuam, para que o cidadão esteja sempre conectado com os cuidados com o planeta e com o ser humano.

4.This year you will be playing at Südtirol Jazzfestival AltoAdige for the fourth time and like a few years ago, when you met Stefano Bollani, this year you will perform at the opening concert once again. What do such meetings with other musician mean to you?

Eu aprendi música em casa. Música pra mim sempre foi para agregar as pessoas, uma maneira muito especial de celebrar a vida. Então o encontro musical é o principal motivo de minha relação profunda com a ela. É onde as almas podem se encontrar. Fico honrado de fazer a noite de abertura do festival ao lado tantos músicos incríveis.

5. Last year you were performing together with the colombian harpist Edmar Castaneda at the Prinoth Factory in Vipiteno and you discovered that both of your cities – Rio de Janeiro and Medellin – hold a ropeway which was build by this company. Both of them were build to give better transport facilities to the inhabitants of poorer areas of this cities. Can you tell us your point of view?

Na verdade, essa foi a segunda vez que toquei em Vipiteno. Esse é um assunto muito complexo para uma simples resposta. O que acho é que qualquer ação no sentido de aproximar as pessoas, de diminuir as diferenças sociais e econômicas é muito importante pro desenvolvimento do ser humano. Acho que a humanidade deve caminhar na direção para onde se entenda que somos iguais na essência, apesar de diferenças e que isso, acima de tudo, nos dê a boa consciência do cuidado que precisamos ter com o nosso planeta. Cuidar do planeta, respeitando a regionalidade.

6. Which are your plans for the future, your future music-projects and whit whom would you love to play by all means?

O futuro é o resultado do que vivemos ontem e hoje. Espero continuar fazendo o que gosto, que é tocar, compor, viajar, gravar discos, cuidando da família e dos amigos. Os trabalhos vão acontecendo de acordo com o tempo.

Sobre “Brasilianos 3″, O Globo

Hamilton de Holanda apresenta sua diversidade musical

RAFAELA SANTOS
Publicado:
1/06/12 – 13h27

RIO – Num santinho com o rosto de Pixinguinha, está a seguinte reza: “Dai-nos clareza para escolher e paciência para aceitar a ‘não música’ que escutamos. Mostrai o caminho do perdão e nunca maldizer um colega de profissão”. O bandolinista Hamilton de Holanda segue à risca o ensinamento que leu no papel intitulado de oração do músico. O instrumentista passeia nas mais diversificadas tribos musicais, que vão desde o grupo Molejo até Maria Bethânia. Uma prova dessa diversidade sonora poderá ser conferida no show com o repertório do último disco “Brasilianos 3″ , que acontece nesta sexta e no sábado, às 20h, no Espaço Cultural Furnas Eletrobras.
— Como músico eu não tenho problema em tocar um outro estilo. Eu sempre busco a beleza, um ritmo que tenha a melodia bonita e isso reflete na minha composição. Essa mistura surgiu por uma falta de preconceito. Eu nunca vou dizer que não gosto de uma coisa sem antes conhecê-la. É o coração que emociona — conta Hamilton de 35 anos, sendo 31 deles dedicados à música.
No Ipod, ele carrega canções que vão do popular ao clássico. Bethânia, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Bob Marley se misturam com Piazzolla e Villa Lobos. Para ele, essa falta de diálogo entre os gêneros musicais não é exclusivo dos instrumentistas, mas sim, de músicos de todos os estilos.
— Eu acompanho os mais diversificados sons, mas isso não significa que eu vá ouvi-lo sempre. Acho que quando a gente fala de música, estamos contando sobre a vida. Todo estilo é válido, uma questão cultura mesmo, e é preciso respeitar — conta o músico que há 10 anos ampliou o número de cordas do seu bandolim para 10 ( o tradicional possui 8 ) para criar um novo ritmo.
A agenda de shows internacionais anda recheada. Foi na Itália, aliás, que Hamilton de Holanda soube de sua indicação ao Prêmio da Música Brasileira 2012 como melhor solista pelo CD “Brasilianos 3”.
— Acho que o prêmio serve para dar reconhecimento, para mostrar as pessoas que estão fazendo música. É ruim porque, às vezes, você concorre com um amigo — fala o músico, que ganhou para casa duas premiações para o álbum “Ao Vivo Na Europa” e de melhor disco instrumental do ano com “Gismontipascoal”.
O disco só foi gravado depois de iniciada a turnê, por desejo do próprio bandolinista, que gosta de ir entrosando a banda antes de entrar no estúdio. Há seis anos no projeto “Brasilianos”, Hamilton toca ao lado de André Vasconcellos (baixo acústico), Gabriel Grossi (harmônica), Marcio Bahia (bateria) e Daniel Santiago (violão). O amadurecimento foi a palavra-chave para a evolução do trabalho que nessa terceira edição, conta com canções como “Guerra e Paz”, inspirada nos painéis de Cândido Portinari e músicas sobre Brasília e Rio, cidades onde morou.
— Esse é um trabalho muito coletivo. Existe uma participação intelectual dos músicos. Com o tempo, percebemos o que cada um gostava e isso deu uma evolução no trabalho do grupo.

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Matéria sobre “Brasilianos 3″ – Jornal O Povo

Bandolim universal

Consagrado mundialmente, Hamilton de Holanda lança o terceiro disco da série Brasilianos, em que reafirma sua paixão pelo Brasil e sua verve cosmopolita

Felipe Araújo

O disco é o mais maduro da série Brasilianos

O bandolinista Hamilton de Holanda é, hoje, o principal embaixador da música brasileira pelo mundo. Tamanha é sua capacidade de diálogo com outros artistas e gêneros que se situam para além das fronteiras do choro – berço estético a partir do qual foi potencializando seu virtuosismo. E tantas são as referências com quem vem cruzando suas cordas ao longo dos anos: Chucho Valdés, o endiabrado Stefano Bollani, Richard Galliano, os cubanos do Buena Vista Social Club, os venezuelanos do Ensamble Gurrufio, a cantora Melody Gardot e até John Paul Jones, ex-baixista do Led Zepellin, já dividiram palco e gravações – e também trocaram elogios – com Hamilton.

Sua (já extensa) discografia se compõe, portanto, de idas e vindas entre registros no exterior e projetos voltados para os estratos mais profundos e os sentidos mais nobres da música brasileira. Esperança – Ao vivo na Europa, lançado no ano passado, e sua colaboração com o Ensamble Gurrufio (lançada em disco em 2010), por exemplo, são registros fundamentais dessas jornadas de Hamilton por outras latitudes. Já Brasilianos 3, seu mais novo disco, traz Hamilton de volta pra casa e reafirma seu profundo compromisso – tanto como instrumentista quanto como compositor – com um projeto musical que dê conta da grandeza da alma de seu País.

O disco é formado por nove faixas, todas compostas por Hamilton. Os músicos são do quarteto que já lhe escuda há alguns anos e que está entre as melhores formações instrumentais da história da música brasileira: André Vasconcelos no contrabaixo, Gabriel Grossi na harmônica, Márcio Bahia na bateria e Daniel Santiago no violão. Nas mãos desses cinco músicos, as fronteiras entre o choro, o samba, o baião, o jazz e o rock vão se esfumaçando.

Ao longo do disco, eles percorrem as veredas de tocantes composições como “JK proibido”, “Saudades do Rio” e “Prece o Santo Céu”. “Primeiras Ideias”, um choro jazz que alterna frases ágeis e andamentos lentos, recende a “Amacord”, de Nino Rota. “A marcha dos candangos” e “Saudades de Brasília” mostram a precisão e a criatividade do diálogo entre as cordas e a harmônica de Gabriel Grossi. “Caos e harmonia” propõe um blues introdutório que deságua para um jazz entrecortado por frases e contratempos surpreendentes.

Simplicidade

O disco é o mais emocionado e também o mais maduro entre os três que compõe a série Brasilianos. Os dois primeiros volumes – lançados em 2006 e 2010 – são trabalhos mais vigorosos do ponto de vista da técnica. Nesses registros, Hamilton propõe textos musicais mais expressionistas, baseados mais na força de seu virtuosismo. Em Brasilianos 3, um sentimento de ternura e de suave plangência percorre todas as faixas. “A música precisa ser sofisticada e acessível ao mesmo tempo. Pra isso, ela precisa guardar em sua essência a simplicidade”, ele afirmou em entrevista recente na Itália. “Ela precisa ser simples como um abraço”. O disco é a expressão dessa busca empreendida por Hamilton na direção da simplicidade.

Milton Nascimento participa da faixa “Guerra e Paz I” com seus falsetes e solfejos encantados. “Milton deu o ar de sua graça de maneira mágica e definitiva em ‘Guerra e Paz I’”, afirma Hamilton no material de divulgação material disponibilizado em seu site (www.hamiltondeholanda.com). O significado dos títulos das músicas? Para Hamilton, tudo muito visual e espontâneo. “As músicas contam histórias e estórias que não precisam de palavras pra serem ditas e vividas. Quando as composições são feitas, por vezes o cenário dá o motivo. Em outras ocasiões, melodias, rítmos e harmonias se encontram pelo simples motivo de se transfomarem em uma nova música. Como amigos que se encontram”, defende Hamilton.

“Música também é imagem, tem cheiro, é lembrança. Saudade. Alegria, tristeza. Amor. Ela pode ser improvisada, pode ser séria, se for fanfarrônica também vale, afinal de contas o bom humor faz bem à saúde. Outra coisa que também faz bem é tocar com os amigos, como isso é bom”. Em Brasilianos 3, Hamilton novamente transforma em melodia essas imagens, cheiros e amizades que têm marcado seu imaginário – profundamente brasileiro mas também sensivelmente universal. E mais uma vez dá seu testemunho de amor à música e ao Brasil.

SERVIÇO

Brasilianos 3
O que: novo disco do bandolinista Hamilton de Holanda
Gravadora Microservice,
9 faixas.
Para escutar o disco, acesso
www.hamiltondeholanda.com

Saiba mais

O primeiro disco da série Brasilianos foi lançado em 2006 e o segundo, em 2010.

Por conta do CD Brasilianos 3, Hamilton foi indicado como melhor solista no Prêmio da Música Brasileira 2012.

Mesmo aos 35 anos, Hamilton tem uma carreira já de 31 anos. Seu primeiro show foi aos 4 anos.

“Príncipe do bandolim” e “Jimi Hendrix do bandolim” são alguns apelidos que lhe foram dados pela imprensa internacional.