HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: janeiro 2013


Hamilton de Holanda presente em homenagem a Raphael Rabello

Referência do violão de sete cordas, o músico Raphael Rabello ganha homenagem

Álbum de Rogério Caetano tem participações especiais de Yamandu Costa e Hamilton de Holanda

Estado de Minas

O goiano Rogério Caetano presta merecido tributo a um dos maiores nomes do violão de sete cordas de todos os tempos, o fluminense Raphael Rabello, que faria 50 anos em outubro passado. Um abraço no Raphael Rabello (Acari) reúne composições de Rogério e outros craques, como Yamandu Costa, Alessandro Penezzi, Hamilton de Holanda, Mauricio Carrilho, Marco Pereira e o sobrinho do homenageado, Julião Rabello.

Morto em 1995, Raphael deixou incontáveis discípulos, cativados por sua técnica e composições, registradas em discos ao lado de grandes figuras da música brasileira (Dino Sete Cordas, Paulo Moura, Ney Matogrosso, Elizeth
Cardoso, entre outros). Atuou como músico de estúdio, formou o grupo Camerata Carioca, escreveu música que foi letrada por Paulo César Pinheiro e tocou em vários países, chegando a dar aulas de música numa faculdade de Los Angeles, nos Estados Unidos.

“A levada, o sabor rítmico e o virtuosismo do violão do Raphael fazem parte do legado que ele deixou. Ele chegou a um nível que se tornou parâmetro e, não
fosse por isso, o nível da minha música e da de outros, como Alessandro Pennezi, Yamandu e Hamilton de Holanda, não teria chegado aonde chegou. Hoje tocamos de igual para igual com qualquer músico do mundo. A referência de violão ficou diferente depois do Raphael”, analisa Rogério.

A ideia de homenagear o violonista com um disco foi de Rogério, prontamente aceita pela cavaquinista Luciana Rabello, irmã de Raphael e uma das sócias da gravadora Acari. “Sabia que que muitas pessoas tinham músicas escritas em homenagem ao Raphael, e por isso chamamos pessoas que são influenciadas por ele ou tiveram contato com ele, como João Lyra e Marco Pereira”, conta Rogério, que assina a produção musical do disco.

Encontros “Tentamos deixar cada faixa no estilo do convidado. Eu por exemplo, usei a levada e frases de gravações feitas por ele. Cada um na sua forma, mas
todos inspirados nele”, explica Rogério. De sua própria lavra, incluiu Obrigado Rapha! e Mãos de anjo (com Fernando César) – o músico toca em cinco faixas. O repertório é aberto com Capricho de Raphael, peça do bandolinista Hamilton de Holanda da qual participam Guto Wirtti (baixo) e Jorginho do Pandeiro, além de Rogério e Hamilton.

Entre os outros músicos que participaram das gravações estão Leo Gandelman (saxofone), Pretinho da Serrinha (percussão), Luciana Rabelo (cavaquinho), Cristóvão Bastos (piano; ele assina a música Choro saudoso), Caio Márcio (violão e guitarra), Bebê Kramer (acordeom) e Pedro Aune (baixo). Destaque para o encontro de gigantes em Samba pro Rapha (Yamandu Costa), protagonizado pelo violonista Yamandu e Hamilton de Holanda.

Por fim, vale registrar o cuidado que a produção do disco teve de chamar o pandeirista Celso Silva, que participou da segunda formação do primeiro grupo com o qual Raphael tocou, Os Carioquinhas, formado em 1976 com sua irmã Luciana – o violonista Maurício Carrilho passou a integrá-lo posteriormente. O encontro dos três foi registrado em Rapha e Carola, faixa que também teve a
participação de João Lyra (violão), Pedro Paes (clarinete) e Pedro Amorim (bandolim).

Vem aí mais uma edição do Baile do Almeidinha

Um dos projetos mais interessantes do Circo Voador(RJ), o baile do Almeidinha, comandado por Hamilton de Holanda e Orquestra, chega ao verão do Circo com fôlego renovado no domingo, 03 de fevereiro, a partir das 20h. Além de adicionar novas músicas ao excelente repertório de gafieira que já é executado, Hamilton recebe nesta edição de verão toda a técnica instrumental do Carlos Malta.

A banda liderada por ninguém menos que Hamilton de Holanda (bandolim 10 cordas) traz ainda Guto Wirtt (baixo), Eduardo Neves (sopros), Thiago da Serrinha (percussão), Rafael dos Anjos (violão) e Xande Figueiredo (bateria). Um timaço!

E tem mais: pessoas com sobrenome “Almeida” ou “Almeidinha” e damas têm entrada gratuita entre 20 e 21h. Basta se cadastrar no site e pegar o eflyer no campo promoções. Almeida, cunhado do Almeidinha, cuida da discotecagem nos intervalos, mantendo o baile a toda com uma miscigenação que passeia pelo forró, merengue, kuduro, zouk, salsa, samba, bolero, samba-rock, etc!

Hamilton de Holanda e Orquestra com Carlos Malta tem tudo para fazer bonito no palco. E a gente convida você a chegar junto e fazer bonito no salão.

Maiores informações: www.circovoador.com

Bandolinista diz que se emocionou ao tocar na posse de Joaquim Barbosa

por EVANDRO ÉBOLI(O Globo)

BRASÍLIA – Consagrado instrumentista no Brasil, e também fora do país, o bandolinista Hamilton de Holanda contou que se emocionou ao tocar ontem na cerimônia de posse de Joaquim Barbosa como presidente do STF. Amigo do ex-presidente da Corte Ayres Britto, um frequentador do Clube do Choro na capital federal, Hamilton se disse surpreso com o convite do cerimonial e preparou um arranjo especial para o Hino Nacional. Em entrevista ao GLOBO, o músico, que é de Brasília, disse ainda que o fato de tocar na sua cidade o inspirou a caprichar ainda mais na execução da melodia.

- O ministro Joaquim me disse que ficaria feliz se eu tocasse o hino, o que para mim foi uma honra. Um evento com uma importância dessa ser embalado pelo meu bandolim…Não achei ruim não – contou bem humorado Hamilton, que vive no Rio.

- Confesso que me emocionei bastante. Me preparei de maneira diferente. Brasília é o lugar onde cresci e cidade pelo qual tenho carinho imenso e que me deu tudo na música. E o mundo inteiro estava ali, virado para aquele plenário. Foi muita emoção. Acalentou meu coração – completou.

Não foi a primeira vez que o instrumentista tocou o Hino Nacional em público, nem em cerimônia oficial, e também na presença de autoridades. Já se exibiu em solenidades e ocasiões onde estavam os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – num encontro de presidentes da América Latina – e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa solenidade esportiva. E até no exterior, em comemoração no 7 de Setembro em Otawa, no Canadá, já se exibiu com sua versão do hino brasileiro.

O bandolim de Hamilton foi feito sob encomenda por um luthier para o
músico. Tem dez cordas, e não as tradicionais oito. Ele elogiou a acústica do plenário do STF, com caixas de som espalhadas em todo canto, o que facilitou a reverberação do instrumento. Não usou parafernálias, apenas o microfone.

- Foi uma interpretação como gosta de fazer um músico popular, de forma espontâneo. Deixa o momento mandar, a emoção. Mas não inventei muito, fiz um arranjo especial, mas a versão tradicional. Deixei a porta aberta para o som do bandolim. A qualidade da sala é ótima, com as caixas bem distribuídas e que pegaram bem o timbre com que toquei, o que facilitou.
Hamilton diz que não ficou nervoso, mas confessou que fez um ensaio antes, a chamada passagem de som.

- Foi espontânea a execução, mas não me arrisquei não. Fiz a passagem do som sim.
O instrumentista revela que sugeriu a Joaquim inserir “Carinhoso”, de Pixinguinha e Braguinha, no meio do Hino Nacional, mas foi desaconselhado.

- Acho “Carinhoso” uma música também bem representativa do Brasil e no coração dos brasileiros, mas o ministro disse melhor não, que era uma cerimônia oficial, mais formal, e que poderia ter gente que não iria gostar. Compreendi. O hino é lindo do mesmo jeito.
Hamilton ainda elogiou a trajetória de Joaquim e o fato de ele ser o primeiro negro na presidência da Corte.

- O que mais me chama a atenção é a maneira como ele chegou onde chegou. Com muita luta, muito trabalho e me identifico com isso. A posse dele representa um divisor para o país. Ele luta pela liberdade e independência do Poder Judiciário. Isso me deixa com esperança.
Na cerimônia estava também a presidente Dilma Rousseff, para quem Hamilton tocou pela primeira vez. No seu Facebook, Hamilton postou uma foto sua tocando na cerimônia, com Dilma olhando para ele. E faz a pergunta: será que a presidente gostou?

- Acho que gostou sim.

Editais de música vão contemplar artistas de todo o país

12/12/2012 – 10h48

por LUCAS NOBILE

Foram anunciados na última terça (11), em São Paulo, os selecionados nos editais do Natura Musical 2012. São 24 projetos, sendo 11 nacionais e 13 regionais, estes destinados a apoiar iniciativas na Bahia e no Pará. Em sete anos do programa, esta é a primeira vez que projetos destes dois Estados foram selecionados em caráter regional.

No mês de outubro, já tinham sido divulgados artistas contemplados na primeira fase do edital nacional da empresa. Casos de Ney Matogrosso –para a circulação do novo show do artista por seis capitais brasileiras, Rio, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e Salvador, e gravação de um disco com o repertório das apresentações–, Lurdez da Luz e do Grupo Uirapuru – Orquestra de Barro, de Fortaleza.

“Existe um equilíbrio para incentivar artistas de vários estágios de desenvolvimento, fomentar a música nova, artistas que ainda estão se consolidando, mas também fazer com que mais pessoas tenham acesso à obra de nomes consagrados, como o Ney. Quando patrocinamos o Milton [Nascimento], graças ao programa ele fez shows com ingressos de até R$ 100, ou seja, mais populares em se tratando de um Milton Nascimento. Sem o edital, os ingressos custariam o preço de um show da Madonna, por exemplo”, diz Karen Cavalcanti, gerente de marketing institucional da Natura.

Nesta terça foram anunciados também os contemplados na segunda fase do edital nacional do programa. Entre eles, destaque para “Mundo de Pixinguinha”. No projeto, o bandolinista e compositor Hamilton de Holanda gravará um disco em homenagem a Pixinguinha, com convidados internacionais. Existe a proposta de reunir três grandes pianistas estrangeiros: o cubano Chucho Valdés, o americano Chick Corea e o italiano Stefano Bollani.

“O programa presta um serviço muito importante para a música. A ideia começou quando a [produtora] Lu Araújo montou a exposição sobre o Pixinguinha. Eu fiquei impactado mais uma vez com o tipo de composição dele. Pixinguinha tem que virar nome de rua, de aeroporto, ganhar tudo do que é homenagem mesmo”, diz Hamilton de Holanda.

Também na segunda fase do edital nacional, foram contemplados Marcelo Jeneci (com a produção do disco “Doce Loucura” e doze shows), Siba (com a circulação da turnê do álbum “Avante”, lançado este ano), DJ Dolores (com vinil e CD de trilhas produzidas por ele) e Abayomy Afrobeat Orquestra (incentivo à turnê de lançamento do primeiro disco da banda).

“Fizemos 40 shows no ano de 2012 com ‘Avante’ sem patrocínios. Este edital é a continuidade desta turnê, nos possibilita ir a lugares que ainda não fomos e a voltar a outros de uma forma ainda mais estruturada”, diz Siba.

Além deles, foram selecionados os projetos “Ponto BR – Na Eira” (com circulação e oficinas do coletivo que aborda diversos gêneros musicais do país), “A Música das Cachoeiras” (expedição que vai documentar e mapear músicas de festejos populares da Amazônia, com um livro-CD) e “Pantanais” (caravana que vai circular pelo país mostrando a cultura dos pantanais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).

REGIONAIS

Os Estados da Bahia e do Pará foram contemplados pela primeira vez com editais regionais no Natura Musical. Na Bahia, os selecionados foram as cantoras Márcia Castro e Marcela Bellas, o bloco do Ilê-Ayê, Russo Passapusso (BaianaSystem, Dubstereo e BembaTrio) e uma extensão do festival de documentários musicais In-Edit.

No Pará, foram escolhidos 8 projetos, contemplando nomes como Felipe Cordeiro, Sebastião Tapajós, Mestre Solano, Juliana Sinimbú, Balaio Sonoro, entre outros.

“Buscamos Estados que tenham algo para oferecer de interessante. A Bahia tem um mercado extraordinário, que vai muito além do axé. E com o Pará existe a expectativa de ‘será que o pará vai ser o novo Pernambuco’?”, diz Karen Cavalcanti sobre a efervescência cultural dos dois Estados contemplados.

Nobre Bandolim

IRLAM ROCHA LIMA

Há mais de uma década, músicos brasilienses, liderados por Hamilton de Holanda,se reúnem em torno de uma causa nobre. Solidários,eles fazem um show, organizado pela Biblioteca Demonstrativa, com renda revertida para os projetos da Abrace. Pelo quarto ano consecutivo, esse espetáculo tem como palco o Teatro Oi Brasília, que vai ser ocupado por 40 instrumentistas hoje e amanhã,a partir das 20h. “Esse show foi idealizado pela saudosa Conceição Salles há 11 anos. Na época, ela fazia uma consulta sobre a possibilidade de eu estar à frente de um evento beneficente. Estava morando em Paris, mas como vinha passar o fim de ano em Brasília, aceitei o convite de imediato. Nos primeiros anos, fizemos na Biblioteca Demonstrativa. Depois, passamos pelo Teatro Plínio Marcos e pelo Teatro dos Bancários, até chegar ao Teatro Oi Brasília, em 2008”,lembra o bandolinista. Segundo Hamilton, além de ter caráter solidário, o show é “uma celebração musical entre companheiros de ofício”. “Neste ano, vamos homenagear a Conceição Salles, que esteve ao nosso lado em 2011, pouco antes de partir (em 7 de janeiro).” Divididos em grupos, os músicos — 20 numa noite e 20 na outra — vão interpretar repertório abrangente, que inclui choro, samba e jazz.

Em família

Âncora do encontro, Hamilton de Holanda vai atuar como mestre de cerimônia e dividirá a cena com outros instrumentistas. “Esse show me permite fazer uma retomada do grupo Dois de Ouro, o primeiro que formei, com meu irmão, o violonista Fernando César, tendo a companhia do nosso pai, José Américo, outro violonista e primeiro mestre”, anuncia. “Juntos, vamos fazer Delicado, de Waldir Azevedo, música que a Conceição gostava muito”,acrescenta. Como pianista Renato Vasconcellos e o baterista Leander Motta — único músico que tomou parte de todas as edições do show —, Hamilton vai interpretar o clássico Suíte Brasília. Outros que têm presença confirmada são o violonista Daniel Santiago e o gaitista Gabriel Grossi, do Quinteto, grupo que tem o bandolinista como líder. Participam, ainda, Rogério Caetano, violonista radicado no Rio de Janeiro, Henrique Neto e Rafael dos Anjos, integrantes do conjunto Choro Livre. Esta vai ser a quarta apresentação do bandolinista na cidade nos últimos 30 dias. Ele tocou o Hino nacional na posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal; interpretou AveMaria, de Gonoud, na missa de sétimo dia de Oscar Niemeyer, na Catedral Metropolitana; e foi uma das atrações do festival Umbria Jazz, sábado passado, no Clube de Engenharia.