HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: fevereiro 2013


Hamilton de Holanda – Reinvenção do instrumento na criação musical

por Caio Garrido РBlog M̼sica Contempor̢nea.

Hamilton de Holanda, exímio bandolinista brasileiro, vem sucessivamente atingindo os ápices da música contemporânea brasileira instrumental. Uma de suas últimas grandes referências é o álbum “Brasilianos 3”, lançado no final do ano de 2011. Hamilton não é apenas o que chamamos de instrumentista e compositor; Hamilton vai além; É um criador. Reinventando a forma de tocar bandolim, cria também um novo instrumento, que transgride as formas comuns e conhecidas, para compor uma nova música e uma nova história. Vamos a ela nesta entrevista realizada pelo Blog Música Contemporânea.

– Hamilton, você considera que já tenha atingido alguma espécie de maturidade por seus 30 anos de carreira musical? É necessário um longo período de maturação da forma de tocar para maximizar a criatividade e chegar ao que chamamos de estilo?

Com certeza me sinto mais maduro hoje do que 10 anos atrás. O tempo moldou o meu estilo musical e a minha pessoa. Acontece que estou sempre buscando o que gosto de fazer, de criar, através de shows, discos, parcerias, viagens, no dia a dia com a família e os amigos, para conseguir sintetizar todas essas informações e ter um resultado artístico fluente e verdadeiro. Com o tempo, você aprende a peneirar aquilo que pode somar e deixar pra lá aquilo que atrapalha.

РLi em uma recente entrevista no qual voc̻ diz algo sobre a import̢ncia da intimidade com o instrumento. O quanto desta intimidade ̩ fruto de uma crescente intimidade consigo mesmo? O caminho em dire̤̣o a fraseados mais simples ̩ realizado pensando nisso ou ̩ apenas uma consequ̻ncia da explora̤̣o musical e interior?

O importante nesta questão é a soma da técnica com o sentimento. Quanto mais intimidade técnica você tem com o instrumento, fica mais fácil você expressar suas ideias e sentimentos. Sobre a intimidade comigo mesmo que você cita na questão, já fico sozinho o bastante em quartos de hotel. Gosto mesmo é de estar entre amigos, com a família. A solidão é importante, mas não é o que mais gosto. Não faço música só pra mim, faço pra me encontrar com as pessoas.

РNo trabalho em grupo, a aproxima̤̣o entre os m̼sicos contribui para suas composi̵̤es?

Eu acho que sim. Nos meus trabalhos, isso faz diferença. Já vi grupos tocarem muito bem e depois descobri que não havia nenhuma ligação afetiva entre os músicos. Isso existe; não no meu caso.

– Existe alguma diferença no approach/abordagem quando se mudam as formações da banda? O álbum “Brasilianos 3” tem diferenças em relação aos trabalhos anteriores?

Existem duas diferenças: a personalidade de cada músico influencia diretamente no resultado do trabalho, e claro, que tipo de instrumento cada um toca. Minhas decisões na hora de fazer um trabalho são tomadas em função dessas variantes, sempre buscando o máximo que pode ser feito por cada um e por cada instrumento, respeitando e trabalhando lado a lado com as peculiaridades de cada um.

РA reinven̤̣o na sua forma de tocar bandolim influenciou a forma como comp̵e?

Influenciou completamente. Eu sempre faço algo que tenha um sentido musical, que passe por acordes e ritmos que possam emocionar o ouvinte, o espectador, mas sempre com um toque do desafio, de encontrar algo que ainda não fiz. Nesse último ano tenho pensado também como contribuir mais ativamente para a evolução do bandolim, então tenho composto música-estudo. Fiz uma série de Caprichos, inspirado em Paganini. Músicas que, além de músicas, são estudos, e se eu não disser que são estudos, as pessoas nem vão perceber.

РVoc̻ cita como influ̻ncias suas desde grandes m̼sicos at̩ pintores e escritores. Como essas artes e artistas influenciam sua obra?

Na verdade, qualquer acontecimento da vida me influencia, a antena está ligada 24 horas por dia. Vejo um quadro e me transporto, o mesmo acontece com um filme, um livro. É muito bom compor após o impacto que uma obra causa em minha mente, em meu coração. É uma maneira de me comunicar com a alma das pessoas.

– Quais direções você acha que se encaminhará sua vida e os próximos trabalhos?

Também gostaria de ter essa resposta, mas minha bola de cristal é muito turva, não consigo ver com precisão o meu futuro. E gosto que seja assim. Quando decidi ser músico profissional, sabia que seria assim, cada dia uma nova história, e todas elas interligadas com o passado e com o futuro. O que me resta é viver e agradecer.

РQual limita̤̣o mais te ensinou e te levou mais longe na sua vida de m̼sico?

Tocar bandolim!

Hamilton de Holanda toca com João Bosco e Carlos Malta na Lapa

. Bandolinista se junta a ilustres convidados na 5ª edição do Baile do Almeidinha, no Circo Voador.

LARISSA FERRARI – O Globo

RIO – Neste domingo, às 20 horas, o bandolinista Hamilton de Holanda conduz mais um tradicional Baile do Almeidinha, no Circo Voador, na Lapa. O violonista João Bosco e o flautista Carlos Malta sobem ao palco com Hamilton e sua orquestra, formada por Eduardo Neves (sopro), Guto Wirtt (baixo), Rafael dos Anjos (violão), Thiago da Serrinha (percussão) e Xande Figueiredo (bateria).

Esta é a 5ª edição da festa sob o comando de Hamilton de Holanda e orquestra. O músico começou a se apresentar no Baile do Almeidinha no fim de agosto do ano passado. Hamilton considera uma honra poder dar continuidade a história de gafieira da casa de shows, depois dos maestros Paulo Moura e Severino Araújo (regente da lendária Orquestra Tabajara).

— O Baile é o lugar onde toco de uma maneira muito relaxada. O público encontra só alegria, alto astral. Temos altas doses de coisas boas. Sinto todos leves no fim da noite. Cada convidado vem com a sua magia. Bosco trará clássicos de sua obra que você pode apenas curtir e ouvir, mas, se quiser bailar, é bom também. Malta vem com um repertório nordestino para a turma arrastar a sandália — contou Hamilton.

João Bosco promete tocar as canções “Incompatibilidade de gênios”, “Sinhá” (faixa do último álbum de Chico Buarque, “Digipack”, de 2011), “Dois pra lá, dois pra cá” e “Linha de passe”.

Pessoas com sobrenome “Almeida” ou “Almeidinha” e damas têm entrada gratuita até às 21 horas. Basta enviar um e-mail para baile@circovoador.com.br. A meia-entrada está R$ 20 para estudantes, menores de 21 anos, idosos e para quem levar 1 kg de alimento ou e-flyer. O ingresso inteiro custa R$ 40.

40 anos sem Pixinguinha

Hamilton de Holanda revelou, em agosto, que está preparando uma homenagem ao compositor Pixinguinha, que faleceu no dia 17 de fevereiro de 1973, há 40 anos. Para esse projeto, intitulado “O mundo de Pixinguinha”, também idealizado pelos produtores Marcos Portinari e Lu Araújo, Hamilton viajou à Europa para gravar com o acordeonista francês Richard Galliano, os pianistas cubanos Chucho Váldes e Omar Sosa, o pianista italiano Stefano Bollani e o pianista português Mário Laginha.

— Alguns desses músicos estrangeiros já conheciam o trabalho de Pixinguinha. Outros não. Este é um dos objetivos da iniciativa: ajudar a divulgar mais ainda o nome dele. Todos têm admiração e comentam uma coisa em comum: Pixinguinha é gênio, muito moderno para a época — elogiou Hamilton.

Segundo o bandolinista, eles estão planejando lançar um documentário e um DVD. Haverá uma turnê por cidades brasileiras para marcar o lançamento de “O mundo de Pixinguinha” em CD. Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte já estão confirmadas.

— Durante esses anos, me dediquei muito a compor, mas queria voltar de alguma maneira às minhas origens mais profundas, através da música de Pixinguinha. Ele é uma espécie de pai da música popular brasileira. Foi um dos primeiros, senão o primeiro, que fundiu a música europeia com a africana de maneira brasileiramente definitiva — explicou Hamilton.