HAMILTON DE HOLANDA

Blog


Stefano Bollani e Hamilton de Holanda, um duo de virtuoses

 

Por Luiz Orlando Carneiro(Jornal do Brasil)

O italiano Stefano Bollani, 40 anos, não é apenas o mais aclamado pianista de jazz de seu país. Sua fama espalhou-se pela Europa e chegou aos Estados Unidos, desde que foi eleito pelo grande trompetista Enrico Rava o seu parceiro predileto, como atestam os quatro álbuns que gravaram para a ECM entre 2003-2008: Easy living, com o quinteto italiano; Tati, em trio com o baterista Paul Motian;The third man, em duo; New York days, em quinteto com Mark Turner (sax tenor), Larry Grenadier (baixo) e Motian. Da discografia mais recente de Bollani – um virtuose eclético de formação clássica, que adora a boa música popular brasileira – destacam-se: Orvieto (ECM), duo com mestre Chick Corea gravado em 2010, no festival de jazz anual que tem lugar naquela cidade fundada pelos etruscos; oConcerto campestre de Francis Poulenc (1889-1963), originalmente para cravo e orquestra, com a Filarmônica del Teatro Regio di Torino (selo Avie).

O carioca Hamilton Holanda, 37 anos, criado e formado em Brasília, é o maior bandolinista (de 10 cordas, e não de oito) do mundo. Em matéria de técnica e de criatividade não tem competidores no instrumento que, no Brasil, é o “violino” do chorinho e, no Mediterrâneo (Itália e França), o companheiro do acordeão na interpretação das cançonetas de bares e ruas. Tanto é assim que ele faz o maior sucesso quando se apresenta nos festivais europeus de música como convidado especial de improvisadores do quilate do acordeonista Richard Galliano. E também do pianista Stefano Bollani (A dupla pode ser vista-ouvida, no youtube, em ação no Festival de Bolzano, no Tirol italiano, 2009, ou em Lacco Ameno, 2011).

Finalmente, o dono da ECM, Manfred Eicher, resolveu lançar um CD com esta extraordinária dupla, gravada em apresentação, em agosto do ano passado, no festival Middelheim Jazz (Antuérpia, Holanda). Trata-se de O que será – uma seleção de 10 faixas que inclui, além da faixa-título (Chico Buarque), de pouco mais de três minutos, improvisações a partir dos seguintes temas: Canto de Ossanha (8m50), de Baden Powell; Rosa (3m35), de Pixinguinha; Apanhei-te cavaquinho (5m20), de Ernesto Nazareth; Luiza (6M15), de Tom Jobim; Beatriz (3m20), de Edu Lobo; Oblivión (4m30), de Astor Piazzolla; os originais Il barbone di Siviglia (6m25) e Caprichos de Espanha (3m); a canção Guarda che luna (6m50).

Numa entrevista concedida a Ted Panken (Downbeat, maio 2012), Stefano Bollani garantiu que não costuma fazer, antes dos concertos, os chamados soundchecks (tomadas de som): “Tento sempre não ter na cabeça nenhum som antes de começar a tocar”. E também disse que é mais “divertido” tocar na base do aqui e agora do que compor. Ou seja, ele usa a sua prodigiosa técnica a serviço de um modo de expressão musical – e não de um tipo de música – que chamamos de jazz

Hamilton de Holanda pensa do mesmo jeito, a julgar pelo destaque que dá no seu site à afirmação de que “o importante não é o passado (a tradição) nem o futuro (a modernidade)”, mas a “intercessão” entre o ontem e o amanhã, “no momento presente, aqui e agora”. E não é por acaso, certamente, que ele e o genial multi-instrumentista Hermeto Pascoal emergiram do chorinho – o modo de expressão mais espontâneo e envolvente da música popular instrumental brasileira. (36)

O CD O que será, do duo Bollani-Holanda, é iguaria musical fina para os ouvintes mais exigentes. Vale dizer, para os que apreciam Pixinguinha e Villa-Lobos. E também Martial Solal, Ahmad Jamal e Keith Jarrett – para citar três pianistas de jazz que Stefano Bollani qalifica de “real masters”.

***

P.S.- O duo Bollani-Holanda apresenta-se no próximo dia 1º de setembro, um domingo, às 20 horas, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto (MG), na programação do Festival Mimo. Este festival musical, que está completando 10 anos, começou nesta última sexta-feira em Pararaty (RJ), e se encerra no dia 8 de setembro, em Olinda (PE). Nesta cidade, o duo vai tocar no dia 6/9. No dia seguinte, também na Igreja da Sé de Olinda, a atração do festival será o acordeonista francês Richard Galliano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>