HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: setembro 2013


Hamilton de Holanda no programa do Jô

Hamilton de Holanda conta que sonhava em ser neto de Silvio Santos

Bandolinista está lançando três trabalhos novos por um selo especializado em jazz

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No Programa do Jô da úlltina quarta-feira(18/09/2013), o apresentador Jô Soares entrevistou o bandolinista Hamilton de Holanda, que está lançando três novos CDs: “Trio”, “O que será” e “Mundo de Pixinguinha”, todos pelo selo ECM, especializado em jazz.

Durante a entrevista, Hamilton comentou como começou o seu interesse por música. “Acho que foi desde a barriga da minha mãe. Tinha uma época que meu pai pagava dez reais para meu irmão me dar aula e me dava cinco reais para ter aula”, brincou.

Hamilton de Holanda também revelou que não sonhava em ser músico na infância, tinha um sonho, digamos, diferente. “Minha mãe diz que eu queria ser neto do Silvio Santos”, contou o bandolinista.

O bandolinista ainda deu palinhas de “Santa Morena”, de Jacob do Bandolim, “Naquele Tempo”, “Carinhoso” e “Um a zero”, as três de Pixinguinha, e fez um improviso incrível, acompanhado pela flauta do Derico, do Sexteto.

Para assistir a entrevista na íntegra, basta clicar no link abaixo:

Hamilton РJ̫ Soares

.Hamilton de Holanda participa do Programa do Jô desta quarta-feira (Foto: TV Globo/Programa do Jô)Hamilton de Holanda participou do Programa do Jô na última quarta-feira(18/09/2013) (Foto: TV Globo/Programa do Jô)

Parceria entre Hamilton de Holanda e Stefano Bollani valoriza união da música de Itália e Brasil, e alcança o mundo


Choro para o mundo »

O pianista italiano e o bandolinista brasileiro lançam CD pelo prestigiado selo ECM, com registro ao vivo de temas instrumentais dos dois países.

Eduardo Trisṭo Giṛo РEM Cultura

Stefano Bollani e Hamilton de Holanda criaram sintonia que tem agradado ao público nos dois lados do Atlântico   (Tom Cabral/Divulgação )

Stefano Bollani e Hamilton de Holanda criaram sintonia que tem agradado ao público nos dois lados do Atlântico

Já consagrado no Brasil como maior bandolinista da atualidade, o carioca Hamilton de Holanda parte, agora, para a conquista definitiva do prestígio internacional. As viagens para participar de festivais mundo afora já fazem parte de seu cotidiano, mas dois dos três discos que esse artista em plena forma lançou este ano sinalizam mais claramente essa direção. A começar por O que será, gravado com o pianista italiano Stefano Bollani e lançado pela gravadora alemã ECM, ainda hoje referência mundial em música instrumental.

Em apresentações feitas para lançar o disco – no Brasil o duo estreou em Olinda (PE), no começo do mês – o repertório foi essencialmente música brasileira: de Chico Buarque (Beatriz) a Egberto Gismonti (Lôro), passando por Pixinguinha (1×0, Segura ele e Rosa), Cartola (a inspiradíssima versão de As rosas não falam) e Baden Powell com Vinicius de Moraes (Canto de Ossanha). Essa é a essência do disco O que será, que conta também com duas boas peças autorais, Il barbone de Siviglia (do italiano) e Caprichos de Espanha (do brasileiro). A desenvoltura do artista no bandolim de 10 cordas é impressionante.

Bollani, que Hamilton conheceu há cinco anos num festival italiano, faz graça o tempo todo (além de tocar muito bem). Brinca na hora de ajustar a altura de sua banqueta, ao esticar partitura quilométrica sobre o piano e ao fazer fundo musical sentimental enquanto o bandolinista confessa se sentir feliz por tocar na terra de seus pais. Por meio dele, que já tem discos lançados pela ECM, surgiu a oportunidade de lançar o registro do show que fizeram ano passado na Bélgica pela gravadora, que tem sobretudo discos de estúdio em seu catálogo.

“Ele é um cara muito bem-humorado, praticamente um humorista. Quando morei na França, ganhei um disco dele no qual canta Trem das onze. Virei fã. Pelo ritmo que ele tem, você pensa que é um brasileiro tocando, é impressionante. Ele gosta muito de MPB e choro. Tem a mente aberta, em primeiro lugar. Tem técnica e harmonia do nível dos norte-americanos considerados top do jazz. E tem esse humor, que deixa as coisas leves. Mas com profundidade, como demonstra em Oblivión, peça de Piazzolla que gravamos, cheia de sentimento”, elogia.

Boa companhia

Pouco depois do primeiro show que fizeram, em 2008, o empresário do italiano logo marcou série de apresentações pela Europa. A performance captada em O que será foi das últimas, na Antuérpia (Bélgica), em agosto do ano passado. Bollani resolveu mostrar o material para Manfred Eicher, fundador e produtor de todos os discos da ECM, que não quis lapidar a parceria dos dois músicos em estúdio, mas lançar do jeito que a conheceu, ou seja, ao vivo. Tudo aconteceu tão rápido que Hamilton nem sequer conheceu pessoalmente Eicher.

“Sinto ter chegado a uma gravadora de que gosto muito, de artistas de que gosto demais. Sei o Köln Concert, do Keith Jarrett, de cor. E estou nessa gravadora tocando música brasileira, que é o que me deixa mais feliz. Não estou inventando nada para tocar lá. O que toco aqui e lá é a mesma coisa”, comemora o bandolinista. O repertório dos dois não para de crescer e não são descartadas as possibilidades de novos shows, discos e até um DVD. “E sou eu que fico insistindo para incluirmos músicas italianas”, revela Hamilton.

Música para Portinari

Paralelamente, o bandolinista se desdobra entre muitos outros projetos. Dias antes de estrear com Bollani em Olinda, esteve em Belo Horizonte para lançar outro disco, Mundo de Pixinguinha, no qual revisita a obra do mestre do choro em duos com convidados de diferentes origens, como o trompetista norte-americano Wynton Marsalis, os pianistas cubanos Chucho Valdés e Omar Sosa, o acordeonista francês Richard Galliano, o pianista português Mario Laginha e o próprio Stefano Bollani, além de André Mehmari (piano), Carlos Malta (sax tenor) e Odette Ernest Dias (flauta), esses três últimos residentes no Brasil.

Sosa provavelmente voltará a se reunir com Hamilton, como revela o bandolinista: “Vamos fazer algo juntos, como uma turnê pelos Estados Unidos. Em algum momento vai rolar algo mais profundo com ele, pois me liguei muito a ele. É um cara mais da direção, que sabe dos elementos todos que a música tem e pode ter, e viaja naquilo, pensando em arranjo, enxergando de fora. Sem falar no desenvolvimento rítmico, que te deixa sem chão”.

Também em desenvolvimento está a colaboração com Milton Nascimento, que deverá gravar com o quinteto de Hamilton, formado por Daniel Santiago (violão), Gabriel Grossi (gaita), André Vasconcellos (baixo acústico) e Márcio Bahia (bateria). A aproximação entre os dois começou quando Bituca o convidou para compor temas inspirados nos painéis de Candido Portinari, que compõem a mostra Guerra e paz, de Portinari – que será trazida para Belo Horizonte em breve, marcando a reinauguração do Cine Brasil.

Hamilton quer manter a média de, pelo menos, dois álbuns lançados por ano. Sem descuidar da qualidade em detrimento da quantidade, o artista vem mantendo alto o nível de seus trabalhos e, em relação a isso, relembra com prazer a reclamação (bem-humorada) que ouviu recentemente de um fã: “Não tenho tempo nem dinheiro para comprar todos os seus discos”.

No ritmo dos orixás

Mundo de Pixinguinha, disco de Hamilton de Holanda do qual Omar Sosa participa, não é o único namoro do pianista cubano com a música brasileira. Ele também esteve em Olinda este mês para tocar no festival Mimo e lá conheceu os músicos do terreiro Xambá, com quem imediatamente decidiu gravar um disco ano que vem, já batizado de Dos manos. Será baseado na fusão de elementos da santería cubana com os da música dos pernambucanos.

O pianista cubano Omar Sosa está à vontade entre os músicos brasileiros  (Beto Figueroa/Divulgação)

O pianista cubano Omar Sosa está à vontade entre os músicos brasileiros

Sosa justifica seu entusiasmo: “Temos os mesmo orixás e os ritmos acabam sendo similares, apesar de os instrumentos serem diferentes. Não é nada novo para mim. Sou santeiro, religioso e é como se estivesse na minha casa de santo, que aqui se chama terreiro. Era como se estivesse no bairro de minha família, em Camaguey. Escutei algo novo em termos melódicos, mas o mesmo em essência. Me impressionei em ver meninos de 8, 9 anos tocando incrivelmente como profissionais, certos de que essa é a verdade, o caminho, a luz”.

Fora isso, o pianista, que mora em Barcelona, na Espanha, viajará ainda este ano para a China, onde gravará com Wu Tong, músico local que toca sheng (instrumento de sopro). É apenas parte dos trabalhos para conceber Águas transparentes, disco que terá também convidados do Mali e representantes das tradições afro-cubana e afro-venezuelana – também é estudada a participação de cantoras, como a norte-americana Cassandra Wilson.

O disco mais recente de Sosa, Eggun, foi a base do repertório de sua apresentação em Olinda. O trabalho é um tributo ao lendário álbum Kind of blue, do trompetista Miles Davis – mas sem releitura de uma música sequer. “Colhi fragmentos de solos de Miles, Cannonball Adderley e John Coltrane para criar as melodias. Todas são novas, mas não são, pois foram criadas a partir de notas que eles já tocaram. Criei harmonias respeitando a essência do disco e também o tempo dos temas, pois é uma música contemplativa”, explica Sosa.

Hamilton de Holanda/Stefano Bollani: O que sera (2013) – Review – All About Jazz

(12/09/2013)
Por John Kelman

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Intentional or not, ECM’s simultaneously release of Iranian kamencheh master Kayhan Kalhor and Turkish baglama expert Erdal Erzincan’s Kula Kulluk Yakişir Mi (2013) with O que será, which captures a positively electrifying 2012 performance by efferverscent Italian pianist Stefano Bollani and Brazilian bandolim virtuoso Hamilton de Holanda, does more than merely celebrate the intimate potential of the duo. Variants, they may be, but there are also timbral similarities between de Holanda’s bandolim (mandolin) and Erzincan’s baglama (saz) in their use of doubled (or, in the case of the baglama, sometimes tripled) strings.

There, however, the comparisons end. Previous ECM recordings including his aptly named Piano Solo (2007) and more recent trio date, Stone in the Water (2009), have demonstrated both Bollani’s knowledge and virtuosity, transcending reductionist labels—even ones as broad-scoped as jazz—to draw upon sources ranging from classical to pop, along with his ongoing interest in Brazilian music. But it’s been on duo recordings like Orvieto (2011), with one-time influenceChick Corea, and The Third Man (2008), with fellow Italian and one-time mentor Enrico Rava, that the pianist has most assuredly demonstrated a career-defining ability to imbue music with both humor and joie du vivre while being, at the same time, capable of profound depth: sometimes staggeringly complex, elsewhere unyieldingly beautiful.

With de Holanda—equally expansive in range and a star in his own right, having collaborated with everyone from Richard Galliano to Bela Fleck—Bollani has, perhaps, found the perfect partner. Not only does de Holanda possess similar instrumental mastery, but he is as capable of pushing Bollani to turn on a dime as the pianist is in driving the mandolinist to change directions at thought-speed, the pair occasionally throwing in seeming non sequiturs that invariably reveal themselves as anything but.

O que seráis like watching two hyperkinetic kids in a musical candy store, looking to sample everything they can get their hands on. On pieces like Bollani’s “Il Barbone Di Siviglia, (The Tramp of Seville)” and the frenetic closer, “Apanhei-te Cavaquinho” there’s an exciting sense of the two playing constant cat-and mouse, Bollani breaking away from form into a high-speed passage of unfettered freedom only to get pulled back in by de Holanda, as if to say “catch up!” The mischief is palpable; it’s almost possible to see the two grinning at each other madly as they interact, sometimes at speeds that would be considered impossible were they not here to be heard.

But an overarching sense of humor and relentless synchronicity don’t mean that Bollani and de Holanda aren’t capable of greater sensitivity. The duo’s opening look at “Beatriz” is short and sweet, while Antonio Carlos Jobim’s “Luiza” and {Astor Piazzolla}}’s “Oblivion” are, if not totally serious, then at least clearly reverential, as the two instruments engage at a near-mitochondrial level.

The inclusion of audience reactions throughout the show help make O que sera a breathtaking 54-minute break from life’s trials and tribulations; as close to being there as any audio recording can be, it’s proof positive that serious music can be fun, too.

Track Listing: Beatriz; Il Barbone di Seviglia; Caprichos de Espanha; Guarda Che Luna; Luiza; O Que Será; Rosa; Canto de Ossanha; Oblivión; Apanhei-te Cavaquinho.

PIXINGUINHA DE ROUPA NOVA

Novo álbum de Hamilton de Holanda reúne visões estrangeiras da obra do chorão carioca

por Itamar Dantas

Hamilton de Holanda tem muitos amigos. Em suas andanças pelo mundo, o bandolinista sempre procura parcerias para realizar novos trabalhos e, não raro, as parcerias se tornam amizades. O instrumentista resolveu trazer alguns companheiros de profissão para interpretar um dos grandes nomes da música popular instrumental brasileira: Pixinguinha (1897-1973).

O álbum se chama Mundo de Pixinguinha. Para a empreitada, Holanda convidou parceiros de peso do jazz: os estrangeiros são o trompetista Wynton Marsalis (Estados Unidos), o acordeonista Richard Galliano (França) e os pianistas Stefano Bollani (Itália), Chucho Valdés e Omar Sosa (Cuba). Do Brasil, nomes como André Mehmari (piano), Carlos Malta (sax) e Odette Ernest Dias (flauta).

Alguns dos estrangeiros ficaram impressionados ao conhecer a obra do flautista e saxofonista chorão. Chucho Valdés se emocionou ao ouvir “Lamentos”. ”Ele ficou exaltado e muito emocionado. Todos se impressionaram com a música do Pixinguinha”, conta Holanda. O bandolinista tem intimidade com esse repertório. Desde o início dos seus estudos, já procurava as músicas do mestre do choro para ampliar suas técnicas no instrumento. “Das dez primeiras músicas que aprendi, cinco eram dele”, conta.

A obra foi preparada com esmero. As gravações se deram nos países de origem de seus convidados e depois a masterização e mixagem foram feitas no Brasil. Hamilton de Holanda confessa nervosismo na hora de registrar as gravações, mas, avaliando o resultado final, garante que ficou satisfeito. “Nesta semana ouvi de novo o disco, tive uma boa impressão. Diante do Galliano, um cara que tem uma história imensa na música francesa, eu pensava: ‘Isso tem que ser maravilhoso!’. Quero, daqui a 20 anos, ouvir e gostar também. Eu me lembro de quando comecei a tocar e meu pai dizia que tocando um instrumento eu faria grandes amigos. Isso é a base de um trabalho como este”, garante Holanda.

O disco vem de uma conversa entre Holanda, Lu Araújo e Marcos Portinari durante a exposição Pixinguinha, que ocupou o CCBB de Brasília em 2012. A mostra teve a curadoria de Lu, que passou à produção do álbum com Marcos Portinari. Em paralelo a este lançamento, o artista lança o disco Trio, acompanhado por André Vasconcellos (contrabaixo acústico) e Thiago da Serrinha (percussão). Nesse trabalho, temas de sua autoria e a visita à música de Chico Buarque, João Bosco e Baden Powell.