HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: outubro 2013


Hamilton de Holanda – Tributo a Pixinguinha

Por http://tenhomaisdiscosqueamigos.com

Hamilton de Holanda no Rio 1024x768 Resenha: Hamilton de Holanda   Tributo a Pixinguinha

Texto, fotos e video: Nathália Pandeló

Pixinguinha é uma entidade. O tipo de presença marcante no chorinho, gênero que ajudou a dar forma, com ramificações por toda a música popular brasileira. Não por acaso, o Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril, seu aniversário. Como se, com seu nascimento, nascesse também aquela música que, de triste, tem muito pouco.

Por isso, quem o homenageia deve fazê-lo com o mesmo cuidado com que o próprio Mestre dos Chorões compunha suas hoje imortais músicas. Foi com essa reverência queHamilton de Holanda montou seu show “Tributo a Pixinguinha”, fruto de um CD lançado esse ano com participações de músicos de diversos países em releituras à base de seu poderoso bandolim de 10 cordas.

No repertório, “Um a zero”, “Os cinco companheiros”, “Lamentos”, “Rosa, “Cochichando” e “Carinhoso”. Fazem parte do show ainda “Luiza”, de Tom Jobim, “Capricho de Raphael”, do próprio Hamilton em homenagem ao violonista Raphael Rabello, e “Um chorinho em cochabamba”, de seu flautista Eduardo Neves. Completam o time o contrabaixista André Vasconcellos, o violonista Rafael dos Anjos e o percussionista Thiago da Serrinha.

Em arranjos ora reflexivos, ora dançantes – assim como na obra do próprio Pixinga -, a banda passeia com desenvoltura pela sonoridade que remete às suas composições. Com uma bateria pontual e elegante e o contrabaixo acústico fazendo a cama para essa sonoridade, Hamilton propôs uma uma formação pouco tradicional no choro. Mais que reapresentar para o público as frases já tão conhecidas, o quinteto surpreendeu com interpretações que iam da delicadeza de “Rosa” à explosão rítimica que é “Cochabamba” em um delicioso clima de jam session.

Hamilton de Holanda toca Pixinguinha 1024x713 Resenha: Hamilton de Holanda   Tributo a Pixinguinha

Mas foi em seus momentos solo, no início e no final do show, que o bandolinista brilhou. Não apenas porque estivesse apenas ele no centro do Teatro de Arena do Caixa Cultural, no Rio de Janeiro. Foram o seu virtuosismo e, principalmente, a sensibilidade para dar sentido a cada uma das notas naquele turbilhão que pareciam prender a respiração da plateia durante uma das mais belas versões de “Carinhoso”. Ninguém tentou cantar a letra de João de Barro, um dos hinos da nossa música. Eles estavam ali para ouvir.

Com ingressos esgotados e uma fila que parecia interminável para levar o “Mundo de Pixinguinha” para casa, é difícil acreditar que o choro esteja morrendo. Ao mesmo tempo em que é triste ver essa forma de expressão musical tão rica perder espaço nas praças (onde é o seu lugar!), é um alívio ver um público jovem entre os tantos idosos que lotaram o teatro para ouvir música instrumental. Muitos deles vinham visivelmente do trabalho após enfrentar o trânsito ferrenho carioca em horário de pico. O próprio Hamilton, em um dos momentos de descontração, contou como precisou largar o carro em algum ponto da Barra da Tijuca para pegar um metrô e conseguir chegar a tempo. Mas não parecia importar. Era um encontro de “chorões” – e todos saíram dali com sorrisos estampados no rosto. Viva Pixinguinha.

Hamilton de Holanda lança três discos e recebe indicação ao Grammy Latino

por Bernardo Scartezini(Veja Brasília)

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Hamilton na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional: crescer sem perder Brasília de vista (Foto: Michael Melo)Hamilton na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional: crescer sem perder Brasília de vista (Foto: Michael Melo)

Este ano tem sido agitado até para os elevados padrões do bandolinista Hamilton de Holanda, que se tornou habitué do circuito internacional de música instrumental desde meados da década passada. O brasiliense de 37 anos nascido no Rio está lançando — ao mesmo tempo — três discos: O que Será, Mundo de Pixinguinha eTrio. Juntos, eles comprovam sua versatilidade.

“Eu sou um chorão”, apresenta-se ele, sabedor da responsabilidade que chama para si com essa frase. O chorão Hamilton não se limita a contemplar a história de um dos mais ricos gêneros musicais brasileiros. Ao olhar para trás, reinventa o passado e ajuda a criar um futuro, acolhendo parceiros diversos e várias influências, como se percebe nas suas novas obras.

O que Será é o registro fonográfico do seu encontro com o pianista italiano Stefano Bollani, um brasilianista de 40 anos. Os dois se conheceram no festival de jazz de Bolzano, norte da Itália, durante o verão europeu de 2009. Bollani já tinha chamado a atenção de Hamilton com uma gravação de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. A cumplicidade foi imediata, e os dois engataram uma série de vinte concertos em 2012. O último, em 17 de agosto, na cidade de Antuérpia (Bélgica), rendeu o álbum que sai agora pela ECM.

Uma das mais conceituadas gravadoras de jazz do planeta, a alemã ECM abriga artistas como o americano Keith Jarrett. Poucos brasileiros passaram por lá. Além de Hamilton, só Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. O contato foi feito por Bollani. Agora, esse passaporte pode abrir ainda mais portas para o bandolinista no exterior.

Hamilton sabe da importância de ter o apoio de um selo de renome. Mesmo assim, não abre mão da independência que conquistou. Desde 2005, ele é dono do próprio trabalho. Fundou a gravadora Brasilianos em sociedade com seu empresário, Marcos Portinari. Por isso, pode disponibilizar sua discografia para audição e compra pela internet (www.hamiltondeholanda.com). O que Será já está na página, a exemplo dos outros dois novos títulos.

O disco Mundo de Pixinguinha é um tributo à universalidade do compositor carioca — além de prova da capacidade de Hamilton de se adaptar aos convidados dos diferentes duetos que formam o álbum. A música Agradecendo se tornou uma valsa parisiense, com o acordeonista francês Richard Galliano, enquanto Benguelê foi criada em raízes caribenhas na companhia do pianista cubano Chucho Valdés.

Os arranjos foram escritos previamente por Hamilton, levando em conta o estilo de cada artista. Mas o tempo em estúdio era exíguo. “Tínhamos quinze, vinte minutos para acertar antes do início da gravação”, lembra. “A ideia era justamente registrar a música daquele breve momento.”

O trompetista americano Wynton Marsalis, de 51 anos, recebeu Hamilton no Lincoln Center, em Nova York, centro cultural do qual é o diretor. Herdeiro do jazz de Nova Orleans, Marsalis imprimiu ao choro Um a Zero as digitais daquele estilo musical que influenciou decisivamente Pixinguinha (1897-1973).

Semelhante justiça poética pode ser ouvida na flauta de Odette Ernest Dias, de 84 anos, em Carinhoso. Na década de 70, ela foi decisiva para a formação da cena instrumental brasiliense. As rodas de música em seu apartamento dariam origem ao Clube do Choro, e, se Hamilton de Holanda apareceu nesta cidade, Odette é em parte responsável por isso.

“Cada um faz o seu caminho. Hamilton fez o dele por si só”, aprova Odette. “Ele é um virtuoso. No sentido de reunir várias virtudes. A excelência técnica é apenas uma delas.”

Pesquisador da música brasileira, o cavaquinista Henrique Cazes, de 54 anos, esmiúça as qualidades de Hamilton. “Ao dominar o bandolim de dez cordas, em vez das usuais oito, ele ampliou a capacidade do instrumento. Como tem a cabeça aberta, pode tocar com quem quer que seja, usando seu conhecimento técnico para atingir outras linguagens. E, uma vez que estudou composição na UnB, ele vai além da habilidade de execução.”

Tal capacidade acaba de ser chancelada com a indicação de Trio para o prêmio Grammy Latino. O disco registra Hamilton como solista, acompanhado apenas por baixo e percussão. No encarte do CD, lê-se o mantra do jovem mestre: “Moderno é tradição”.

Seu virtuosismo foi testado na capital há duas semanas. Morando no Rio desde 2003, ele habitualmente retorna a Brasília. Na última passagem pela cidade, apresentou-se com a banda de jazz do maestro Mário Adnet para tocar músicas de Antonio Carlos Jobim. Detalhe: Tom não compunha para bandolim. Mas Hamilton de Holanda não é um bandolinista qualquer.

Do choro ao jazz

A versatilidade do bandolinista nos novos CDs

O que Será

Concerto na Bélgica ao lado do pianista italiano Stefano Bollani. Entram versões jazzísticas para Chico Buarque e Tom Jobim.

Mundo de Pixinguinha

O compositor é reinventado em parcerias. Destaque para a participação de Wynton Marsalis.

Trio

Hamilton no estúdio com o contrabaixista André Vasconcellos e o percussionista Thiago da Serrinha. O disco foi indicado ao Grammy Latino.

Hamilton de Holanda realiza o seu ‘Tributo a Pixinguinha’

por Monica Ramalho (Belmira Comunicação,Caixinha de Música)

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta o grande bandolinista Hamilton de Holanda em espetáculo musical que homenageia Pixinguinha. Com sólida carreira de prêmios nacionais e internacionais, recentemente indicado pela sexta vez ao Latin Grammy 2013 (na categoria internacional ‘Melhor Disco Instrumental’), Hamilton juntou-se a um time de amigos musicais para prestar mais uma homenagem ao pai do choro. Serão quatro shows na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 13 de outubro (de quinta a domingo), a partir das 19h, com patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Acompanhado pelos craques Rafael dos Anjos no violão, André Vasconcellos no baixo acústico, Eduardo Neves nos sopros e Thiago da Serrinha na percussão, o bandolinista vai reinventar, nestes shows, um punhado de clássicos de Pixinguinha, como “Naquele tempo”, “Carinhoso”, “1 x 0”, “Segura ele”, “Os 5 companheiros”, “Yaô”, “Lamentos” e “Rosa”, além das autorais “Capricho de Pixinguinha” e “Aquarela na Quixaba”. A produção é de Marcos Portinari e a assessoria de imprensa, da Belmira Comunicação.

Hamilton sempre quis encontrar o momento certo para prestar uma homenagem ao gênero e ao compositor que foram tão presentes em sua infância e adolescência e que o ajudaram no processo de maturar a sua carreira, que hoje se traduz em liberdade de fusão de gêneros e ritmos sem perder a brasilidade. As suas homenagens a Pixinguinha e ao choro começaram neste 2013, com o recente lançamento do “Mundo de Pixinguinha”, álbum patrocinado pela Natura Musical e gravado em duetos com célebres músicos internacionais (Wynton Marsalis e Chucho Valdes, entre outros), proporcionando, assim, o feliz encontro do choro com o jazz.

Recentemente, o bandolinista dividiu o palco, num importante festival, com o pianista italiano e seu parceiro da gravadora ECM (juntos lançaram o CD “O que será”), Stefano Bollani, e um dos expoentes do jazz, o também pianista Chick Corea. Durante a passagem de som, Hamilton e Bollani estavam tocando “1 X 0”, de Pixinguinha. O animado e curioso Corea, que filmava em seu celular, falou: “Que beleza, esse músico foi muito influênciado por Tom Jobim”. Ao passo que Hamilton respondeu: “Foi exatamente o contrário: Tom Jobim é quem foi muito influenciado por Pixinguinha”. Fatos como esse o ajudaram a pontuar, ao longo de 2012, que era chegada a hora de celebrar a obra de Pixinguinha e a se afirmar também como chorão.

No início da carreira, Hamilton era identificado como chorão – longe de ser um desaforo, mas com o passar do tempo e a adição de mais duas cordas ao bandolim, 10 no total, Hamilton buscava a liberdade de poder tocar – seja choro, samba, lundu, clássico, jazz ou qualquer outra coisa – sem precisar de rótulos. E essa conquista se tornou o seu diferencial. Usa do instrumento como o nome propriamente diz (como “um instrumento”) e dos ritmos na função de protetor da beleza, do momento presente – a música ser uma espécie de fotografia. “E nessa posição achei bacana poder voltar a tradição do gênio Pixinguinha e minhas raízes, conjugando tudo o que aprendi” diz o músico.

“Choro pra mim é clássico. Nasceu da mistura de Europa, África e Brasil, de maneira espontânea, e o tempo o fez definitivo. É um quadro pintado por Pixinguinha e tantos outros compositores inspirados no estilo saltitante, alegre (ao contrário do nome) e com uma tendência ao virtuosismo instrumental. Se você tocar qualquer tipo de música com essa formação característica – solista, violões, cavaquinho e pandeiro -, vai dizer que é choro, de tão popular que se transformou essa sonoridade. E eu venho desta tradição”, pontua Hamilton.

Outro ponto importante que une Pixinguinha a Hamilton foi a ideia de se criar o Dia Nacional do Choro e da escolha do dia da comemoração para ser no dia do aniversário de Pixinguinha. Quem o ajudou foi o pai de um amigo que era assessor do falecido senador Arthur da Távola, que encaminhou a proposta ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Alguns meses depois, em setembro de 2000, FHC homologou o Dia Nacional do Choro em 23 de abril.

Tributo a Pixinguinha, com Hamilton de Holanda e banda

QUANDO: de 10 a 13 de outubro (de quinta a domingo), às 19h

ONDE: CAIXA Cultural Rio de Janeiro / Teatro de Arena (Av. Almirante Barroso, 25, no Centro do Rio. Tel: 3980-3815)

QUANTO:
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada para estudantes, maiores de 65 anos e correntistas da CAIXA)

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