HAMILTON DE HOLANDA

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Crítica: ‘Caprichos’, de Hamilton de Holanda.

 

Em álbum duplo com composições próprias, músico atesta seu bom momento e dialoga com virtuosos companheiros da cena instrumental

POR SILVIO ESSINGER

08/07/2014 6:00
Não é brinquedo. Hamilton de Holanda e seu bandolim de 10 cordas: temas vão além dos limites do instrumento Foto: Divulgação / DivulgaçãoNão é brinquedo. Hamilton de Holanda e seu bandolim de 10 cordas: temas vão além dos limites do instrumento - Divulgação / Divulgação

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RIO — Pode, mesmo, parecer capricho de um músico que, em 17 anos de carreira fonográfica, não desligou o botão “Rec”. Mas, nesse álbum duplo, que agora ganha lançamento em formato físico, em CD, não falta ao bandolinista Hamilton de Holanda o que dizer/tocar.

Logo depois de “Mundo de Pixinguinha”, de discos com o pianista italiano Stefano Bollani e com Hermeto Pascoal, e prestes a soltar o álbum “Bossa negra”, com Diogo Nogueira, o músico reúne 24 de suas composições, os seus “caprichos”, em um só pacote. Temas feitos no bandolim de 10 cordas, instrumento cujos horizontes Hamilton vem tentando alargar há alguns anos — e que, por essa mesma razão, não ficam presos nos limites do bandolinístico.

Em “Caprichos”, Hamilton de Holanda tem lá os seus momentos solo (já explorados com fineza no CD “Íntimo”, de 2007), mas ele divide boa parte do álbum com músicos que cresceram (e apareceram) junto a ele, e que formaram uma das cenas mais sólidas do instrumental brasileiro.

Beleza há de sobra no encontro com o pianista André Mehmari, no “Capricho de Pixinguinha”. Já os violonistas Rogerio Caetano (em “Capricho do Luperce”) e Rafael dos Anjos (no “Capricho de valsa”) remexem tradições em seus passeios com Hamilton. As impossibilidades hermetísticas de “Capricho de valsa” ficam para trás no duo com o acordeonista Bebê Kramer. E o bandolinista ainda brinca de caixinha de música como forma de abrir espaço à gaita virtuosa de Gabriel Grossi.

A visão panorâmica da música brasileira de Hamilton de Holanda se denuncia em faixas como “Capricho do retirante” (solo, que reimagina o lamento violeiro nordestino como possível blues brasileiro) e “Capricho de Raphael”, um prodígio de choro/maxixe com André Vasconcellos (contrabaixo) e Thiago da Serrinha (percussão).

Com garra, mas intimista; limpo, expressivo, viril e alegre, “Caprichos” atesta o grande momento de Hamilton, aos 38 anos. E os bandolins em contraponto, no “Último capricho”, dão o gran finale para esse disco necessário.

Cotação: Ótimo

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