HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Arquivo do mês: maio 2015


A Bituca e o bandolim caprichoso de Hamilton de Holanda

Por Kátia Cilene(Barbacena Mais)

A Universidade de Música Bituca já é o curso mais disputado no país pelos estudantes que escolhem a música como profissão. Na última semana a Bituca formou cerca de 200 alunos e recebeu outros tantos que iniciam sua trajetória.

A Bituca e o bandolim caprichoso de Hamilton de Holanda

Um dia frio, daqueles que faz de Barbacena a nossa e velha e boa cidade. E nada mais representativo de nós mesmos aqui na Serra da Mantiqueira do que o Ponto de Partida, uma mistura de cultura, empreendedorismo, mineiridade, garra e talento. E o oito de abril marcava uma data especial: formatura de uma turma de alunos da Bituca, uma experiência inédita no ensino da música, o início de um novo ano letivo naquela chamada de Universidade de Música Popular e a presença do bandolim mágico e caprichoso de Hamilton de Holanda, instrumentista e compositor reconhecido internacionalmente.

Na chegada já uma surpresa. Uma não, duas: o piso de mármore e o paisagismo viçoso do Inhotim – ambos como moldura para a Estação Ponto de Partida, imóveis da antiga Sericícola completamente recuperados para a alegria do patrimônio cultural de Barbacena. Só falta mesmo o Ministério da Agricultura criar vergonha na cara e desocupar o primeiro casarão. E ainda era de manhã, quase onze horas. Os jovens formandos chegavam de toda parte, como também a imprensa – todos recebidos com o sorriso dos atores, quer dizer, dos integrantes do Ponto, dublês deles mesmos pela desenvoltura e múltiplas atividades.

Concorridíssimo, o workshop de Hamilton de Holanda revelou um músico extraordinário para quem não o conhecia, o mágico ‘inventor’ do bandolim de dez cordas. ‘Presente de vô’, como ele disse, quando se viu gente estava como o bandolim na mão. “Cresci no choro, no samba e na bossa nova. Música é música, sem preconceito. A técnica é importante, no mínimo, para alimentar a intuição, esta fundamental. Divido-me entre o profissionalismo e a coisa lúdica. Acordo cedo, planejo, tenho o pé no chão”, disse ou insinuou o músico, entre milhares de acordes e as perguntas de Gilvan de Oliveira e Pablo Bertola.

Na saída, os formandos, quando questionados, tinham respostas na ponta da língua, para os estudantes de canto, e na ponta dos dedos, para os instrumentistas. “A Bituca é uma melodia. Eu, se pudesse, saía de um curso e entrava em outro. Aqui é o início de uma carreira para todos nós. Eu estou me formando e iniciando um outro curso. Quando vi que tinha passado nas provas de acesso aos cursos senti que minha vida iria mudar. Formar é uma alegria e uma tristeza. Foi a melhor época da minha vida”, disseram vários alunos.

Quando deu quatro horas, o tempo havia esquentado mas já começava a esfriar novamente. Isso do lado de fora. Porque dentro do peito dos novos alunos o coração batia descompassado – eles ainda iriam aprender o compasso musical da vida dos estudantes de música. “Confesso, estou nervoso. Vim de longe mas já me sinto em casa. Nossa, Barbacena preserva o verde. Não sabia que aqui era tão bonito. Um dia vou ser cantora, vocês vão ver. Vou fazer esse sonho virar realidade”, diziam entre sorrisos e esperança de uma formação para fundamentar a intuição de uma profissão – como afirmou Hamilton de Holanda.

A aula inaugural para os 230 novos alunos foi uma pequena demonstração da estrutura da Bituca, que tem novos patrocinadores, como a GVT e futuramente a Petrobrás, entre outros. E como não poderia faltar, com a palavra, Regina Bertola. “A Bituca é a escola de música que tem mais candidatos por vaga, mais do que UFMG ou a Unicamp. Ninguém pode ser rico se abandonar a sua herança. É comum, quando jovem, quem tem talento pra música, ser o sucesso das festas de aniversário e dos encontros familiares, mas se eles disserem para os pais que querem ser músicos na vida vão ouvir: escolha uma profissão primeiro. A música é a consequência da vida, todo mundo aqui na Bituca ensina e aprende. Vocês vão tirar da escola o que colocarem aqui. Ela é uma escola para desatar amarras mas disciplinadora. Temos que ter foco. Este é um espaço de confiança. A música nos leva a dimensão do eterno, mas, para chegar lá, temos que ser humanos”, disse ela, não nessa ordem. Sendo completada por Gilvan de Oliveira: “Este lugar é o ponto de partida nesta travessia”, unindo o grupo com a canção do artista que empresta seu nome ao espaço cultural.

E o frio aumentava enquanto a emoção aquecia a todos. E chegou a hora do show, sempre em horários adequados e com o profissionalismo do Ponto. A garoa ameaçou mas ficou só nisso mesmo. Dessa vez acompanhado, Hamilton de Holanda mostrou novamente o seu bandolim com composições próprias, de Tom Jobim, Baden Powell, Geraldo Vandré, entre outros. A plateia delirou. Poucas vezes a cidade viu e ouviu um instrumentista tão completo.

Que dia! Ou melhor, que noite!! Ah, especial mesmo. E Ponto!

ContraPonto com Hamilton de Holanda

.contraPonto

por 
Entrevistado:

Hamilton de Holanda

Arranjador e violonista

Data da entrevista: 20/03/2015

01) Se você tivesse que ouvir apenas uma música só durante um mês inteiro, qual escolheria?

Alguma bem alegre do Tom Jobim, ou do Villa-Lobos, do Dorival Caymmi, do Milton Nascimento, Pixinguinha, Baden Powell, Hermeto Pascoal, hahahahhaahha, impossível uma só!

02) Se você tivesse que eleger outro instrumento musical pra tocar que não fosse o seu, qual escolheria?

Piano.

03) Qual o personagem da História você gostaria de ter sido?

Alguém que viajasse pelo tempo, não sei se isso vai ser possível . Mas acho J. S. Bach um grande personagem da História.

04) Se o chef Paul Bocuse se oferecesse pra cozinhar pra você, qual prato você pediria pra ele fazer?

Eu aceitaria um menu confiance.

05) Quem você gostaria que estivesse sentado na poltrona ao lado da sua no avião?

Minha família.

06) Que filme você gostaria de ter dirigido, que livro você gostaria de ter escrito e que música você gostaria de ter composto?

O filme “De volta para o futuro”, algum livro do A. Schoenberg, alguma música dos mesmos compositores já citados.

07) Sabemos que nem sempre é bom conhecer nossos ídolos de perto. Muito menos conviver com eles… Mas se você tivesse que ser o braço direito (ou esquerdo…) de um grande compositor, escritor, pintor ou cientista, vivo ou já passado desta pra melhor, quem você escolheria?

Não sei… Gostaria de ter sido aluno do J. S. Bach ou do Pixinguinha.

08) A que grande evento da História você gostaria de ter assistido ao vivo?

Gostaria de ter assistido a um show do Pixinguinha em Paris com Os 8 Batutas, em 1922, deve ter sido muito bonito.

09) Qual o seu personagem de desenho animado preferido?

Papa-léguas e Fred Flintstone.

10) Qual personagem atual que você não hesitaria em deixar um dia inteiro ajoelhado no milho?

Qualquer corrupto que ainda insista em puxar o Brasil pra trás.

11) O que você está ouvindo atualmente?

Jazz, samba, rap, música brasileira em geral, música instrumental, música clássica, sei lá, é tanta coisa… Agora estou ouvindo músicas infantis pra um projeto que vou gravar com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, aproveito pra curtir com meus filhos!

Obra de Hamilton de Holanda chega a Alemanha

“Não quero rotular minha música para não me podar, a criação tem que ser livre”, diz o bandolinista brasileiro, que tem cinco discos lançados na Alemanha pelo selo de jazz MPS.

Eclética, virtuosa e cheia de sentimentos, a música do bandolinista Hamilton de Holanda é difícil de ser rotulada, mas seu fascínio é fácil de ser compreendido.

Com uma carreira consolidada no Brasil, onde gravou ao lado de gigantes como Chico Buarque e Maria Bethânia, e apresentações na Europa e Estados Unidos, Hamilton tem suas obras mais recentes lançadas na Alemanha.

Bandolim é uma coletânea com destaques dos álbuns Trio, Pelo Brasil, Brasilianos 2 e 3. Todos esses títulos estão sendo lançados na Alemanha pelo selo MPS, especializado em jazz.

“Eu não quero rotular minha música para não me podar, a criação tem que ser livre. A melodia quando nasce não tem nacionalidade, sua essência é pura”, disse o músico em entrevista à DW Brasil em Berlim.

Hamilton se apresentou pela primeira vez na capital alemã para um grupo de jornalistas. No clima intimista da apresentação ele mostrou suas técnicas e a maneira como ele e seu bandolim transformam canções em histórias – uma jornada que busca nas raízes da música brasileira uma maneira para expandir suas possibilidades.

“No começo, me lembrou um pouco uma prova na universidade, mas depois me senti em casa. Lembrei das festas de quando eu era pequeno, quando, nos fins de semana, reuníamos amigos e família para tocar”, diz Hamilton.

Brasília eclética

Filho de pernambucanos, Hamilton nasceu no Rio de Janeiro, mas em seguida sua família, repleta de músicos, mudou-se para Brasília. Desde pequeno, ele participava de rodas de samba e choro em casa. Aos 5 anos, depois de ganhar um bandolim do avô de presente de Natal, passou a estudar música.

“Comecei com o violino porque não tinha professor de bandolim na escola. Passava a semana estudando música clássica e no fim de semana participava das rodas de choro”, conta.

Apesar da formação clássica e da base musical no samba e no choro, Hamilton também foi influenciado pela cena rock de Brasília e chegou até a tocar baixo em uma banda. Seu ouvido apurado também apreciava MPB e jazz. “Brasília é uma cidade nova, onde as tradições se encontraram. Eu cresci no meio de tudo isso. Essa mistura foi definitiva na minha formação”, afirma.

Pequena orquestra

A maturidade e a complexidade do trabalho de Hamilton acabaram ficando pequenas para um bandolim de apenas oito cordas. Depois de estudar violão e composição, ele percebeu que precisava expandir o som do seu instrumento.

“Eu via um pianista e achava legal que ele tocava melodia e acorde ao mesmo tempo. Queria fazer isso com o bandolim, então pedi para criarem um com dez cordas, que acabou virando meu instrumento”, diz Hamilton.

Após terminar a universidade, Hamilton ganhou uma bolsa e passou uma temporada em Paris, explorando e aperfeiçoando o som de seu novo instrumento. “Foi uma necessidade de expressão artística. Quando estudei, pegávamos uma obra de Bach ou Villa-Lobos e dissecávamos todos os instrumentos. Queria tocar meu bandolim como uma pequena orquestra”, relembra.

Hamilton participou da escolha do repertório de Bandolim. O disco é uma espécie de introdução à recente produção do compositor e instrumentista. As faixas de seus últimos discos apresentam o eclético trabalho do músico em gravações solo, em trio e quinteto.

“Compor é minha maior verdade artística. Quando componho, sou aquilo que vejo no mundo com aquilo que eu aprendi de outros músicos. Estudei muito, mas não quero que minha música seja só pensar. Gosto de partir do espontâneo. O pensamento entra mais para dar um retoque. Se não for assim, ninguém vai se emocionar. Nem mesmo eu”, diz o músico.

“Bossa Negra” em concerto no Tivoli BBVA

Os brasileiros Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda sobem ao palco do Teatro Tivoli BBVA no dia 12 de maio, às 21h30.

POR: SUSANA BRITO
07 MAIO 2015, 08:00

“Bossa Negra” é a fusão dos universos por onde ambos os músicos “viajam” – Samba, Choro e Jazz – e pretende mostrar ao mundo o olhar da terra de Vera Cruz sobre a música universal.
O cantor Diogo Nogueira traz, segundo a crítica, “a entidade do Samba autoral, nascido nos morros, que canta e encanta o Brasil”. Já o instrumentista Hamilton de Holanda nasceu na “tradição do Choro e traz nos dedos a erudição da Villa-Lobos, a genialidade de Pixinguinha e a sofisticação despojada de Tom Jobim”, numa leitura brasileira do Jazz.

O disco da dupla de m̼sicos foi lan̤ado em agosto no Brasil e re̼ne 13 temas Рfaixas originais e vers̵es de m̼sicas de nomes conceituados, como Caetano Veloso, Arlindo Cruz, Jọo Nogueira, Ary Barroso, Vinicius de Moraes, Pixinguinha, entre outros.

A primeira parte do espetáculo será preenchida com a atuação dos “Sacundeia”, um grupo de samba composto por jovens músicos brasileiros residentes em Lisboa. Betinho Mateus, Iro Borges, Beto Souza, Eron Gabriel, Jackson Azarias e Derek Viana compõem a banda, descrita pela critica como “um grupo de Samba com qualidade, novidades, modernidade, produção, profissionalismo e inovação”.