HAMILTON DE HOLANDA

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HAMILTON DE HOLANDA FAZ SHOW DESCONTRAÍDO EM PORTO ALEGRE

por Guilherme Stumpf(Blah Cultural) – 16/10/2015

O maior bandolinista do Brasil. Assim podemos definir Hamilton de Holanda. O show “Pelo Brasil”, que passou por Porto Alegre na última terça-feira, dia 13 de outubro, vai ficar na memória. Luzes muito bem colocadas, imagens projetadas no fundo do palco do Theatro São Pedro, com belos depoimentos, serviam de base para a desenvoltura de Hamilton com o seu instrumento.

O show descontraído, onde o artista conversava constantemente com o público, teve canções inéditas, feitas especialmente para esse projeto. Composições que mesclavam entre os ritmos brasileiros, indo desde o bumba-meu-boi até o chamamé da região Sul. Dessa maneira, Hamilton conquistou o público gaúcho. Composições brilhantes, que receberam fortes saudações. Duas especiais que eu destacaria são as canções: “Mata Barata” e “O jumento e a capivara”.

Hamilton se mostrou cordial, conversando e brincando com o público. Em determinado momento, é projetado um vídeo de seu pai, contando como iniciou o filho na música, dizendo que “pagava R$10,00 pro irmão de Hamilton lhe dar aulas de bandolim e R$5,00 para o Hamilton assistir a aula”. Ainda brincou que, hoje em dia, ele até sabe tocar um pouquinho de bandolim.

Depois, o bandolinista comentou da escolha do bandolim e de onde surge sua inspiração. Brincou que sempre anda com um gravador, nunca sabendo qual o momento que ela pode chegar. Disse ao público que o Theatro São Pedro despertava um clima barroco e que ficou com vontade de fazer uma canção. Ali, de improviso, fez uma música. Brincou com o rapaz da técnica do som, dizendo: “gravou aí?”. Ele tamém comentou sobre as diferenças de bandolim, explicando que o seu tinha cinco pares de cordas, ao invés de quatro, e demostrou a diferença do som, ao executar “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga.

Outro momento marcante foi quando comentou a situação mundial de imigração. Contou que ficou extremamente emocionado com o caso do menino encontrado morto em uma praia da Turquia, enquanto tentava chegar à Europa. Em homenagem a ele, fez a canção “Mar da indiferença”, que arrebatou o coração dos ouvintes.

O show chegou ao fim com a música “Brasileirinho”, que experimentou outras versões, como em reggae e outras em uma velocidade absurda! No bis o público pediu tantas músicas, que Hamilton brincou, dizendo que “teria que voltar amanhã e fazer um novo show pra vocês”. De fato, poderia. Venha sempre, Hamilton, será sempre bem-vindo”

O bandolim de Hamilton de Holanda

Em plenitude criativa, o virtuose do bandolim faz turnê por 12 estados com repertório autoral inédito e ingressos a preço baixo

por Ana Ferraz — Carta Capital.

No telão, um garoto toca bandolim ao lado do pai, que dedilha o violão. A imagem do pequeno instrumentista sério e compenetrado emociona o público. A atitude profissional e o talento precoce impressionam. Aos 8 anos o músico mirim acumula três anos de prática e dois de palco. Aprendeu a tocar antes mesmo de ser alfabetizado. Na contagem oficial, Hamilton de Holanda tem 18 anos de profissão e 28 trabalhos lançados, entre vídeos e CDs.

Na contabilidade afetiva, do primeiro instrumento aos 5 anos, presente de Natal do avô, aos atuais 39, são 34 anos de bandolim. “Não imaginei que ele me levasse tão longe em reconhecimento e carinho do público. Para ser sincero, me sinto começando, pois se não for assim paro de tocar”, diz o artista, reverenciado nos Estados Unidos como “o Jimi Hendrix do bandolim” e conhecido na França como “príncipe do bandolim”.

Filho, neto, sobrinho e irmão de músicos, Holanda até que tentou fugir do destino aparentemente traçado ao nascer numa casa onde diversos instrumentos ficavam sempre na sala, ao alcance de quem desejasse tocar, tão integrados ao ambiente quanto o sofá e as almofadas. Prestou vestibular e frequentou a faculdade de ciências contábeis até o terceiro semestre, quando a cerveja com os amigos no bar da esquina tornou-se inapelavelmente mais atraente. “Larguei tudo e fui estudar Composição na Universidade de Brasília.”

Jacob-do-BandolimJacob do Bandolim, uma das inspirações eternas de um músico com lastro no choro. Créditos: Conteúdo Expresso

Estava nos genes, estava na alma. “Tocar era tão natural que não dava para perceber se era ruim ou bom. Quase um vício, só que sem causar nenhum mal”, diverte-se o artista nascido no Rio de Janeiro e criado a partir dos 11 meses na capital do País, onde o pai frequentava com assiduidade o Clube do Choro. “O choro é meu lastro, sou um chorão até hoje”, conta o músico, admirador ardoroso dePixinguinha, homenageado por ele no CD Mundo de Pixinguinha (2013), e de Jacob do Bandolim, entre outros grandes.

Crescer em Brasília, “onde tem gaúcho, mineiro, gente de todo lugar”, ser filho de pernambucanos, viajar pelo Brasil e ter contato com culturas diversificadas há tempos lhe açularam a vontade de levar adiante um projeto voltado para a  cultura popular. A materialização do desejo é Pelo Brasil, um périplo de 15 shows em 12 estados com repertório autoral inédito e ingressos a preço baixo.

“Sempre quis fazer algo assim. Compus 14 músicas inspiradas em diversos ritmos e criamos um espetáculo multimídia. No palco, o bandolim solo, ao fundo, um cenário com projeções. Para cada música se conta uma história sobre o País, os gêneros musicais e um pouco da minha biografia. É íntimo e universal. Emoção e diversão.” Entre os ritmos escolhidos para representar o Brasil estão choro, maracatu, bumba meu boi, moda de viola, chamamé, “que é multinacional, tem no Uruguai, na Argentina, no Paraguai e no Brasil”, e macaxeira.

“É um projeto grande, de dois anos, contemplado pelo programa Petrobras Cultural. A primeira fase foi de experimentação do formato, de amadurecimento. Na pré-produção revivi muita coisa, tenho coleções de pesquisa de ritmos brasileiros. O público se reconhece nas escolhas musicais. Depois do show muitas vezes alguém se aproxima para me dizer ‘puxa, lembrei do meu pai, de quando era pequeno e ouvia isso’. Para mim, essa é a parte fundamental, chegar ao coração dos espectadores”, afirma o premiado instrumentista.

A troca afetiva com a plateia é um dos pilares sobre os quais Holanda solidifica a carreira. “A sensação de que você faz uma coisa que transmite alegria me dá mais motivação para viver. Dois momentos me deixam em êxtase, quando acabo de compor uma música e sai aquela verdade pura e a partir daquele instante ela não é mais minha, e quando estou tocando e alguém vem e me diz ‘obrigado, me fez bem, me fez feliz’. No fundo, a gente quer ser querido, embora na condição de artista busque coisas sem ter a obrigatoriedade de agradar.”

Em ótima fase produtiva, embasada em equilíbrio emocional e amadurecimento profissional, as composições lhe vêm a qualquer momento. “Componho a toda hora, gravo no celular, escrevo no computador. Ontem mesmo fiz duas músicas. As ideias estão fluindo muito bem e me sinto melhor hoje do que há dez anos”, conta, jeito tranquilo e prosa sem afetação.

PixinguinhaPixinguinha, ídolo admirado e homenageado pelo instrumentista. Créditos: D.A Press

A vida profissional apoia-se no tripé compor, interpretar e improvisar. Engana-se quem atribui a produção caudalosa somente a uma entidade intangível conhecida por dom. Há muito trabalho por trás de cada melodia caprichosamente construída. “Há dias em que só treino improviso. Existe uma cultura equivocada que é a exaltação do autodidatismo. O aprimoramento tem de ser constante. Quanto mais busco, mais tenho a aprender. E quando você encara a composição como ofício vem mais fácil.” No seu caso, a disciplina que burila o talento não é sacrifício, é fruição.

A marca da precocidade associada a Holanda por vezes oculta a realidade sob um falso véu. “Comecei bem cedo e entre ser considerado um garoto prodígio e me tornar um profissional houve uma caminhada diária, uma construção. O percurso é difícil para todos.” O virtuose toca violino, baixo e cavaquinho. “Mas meu instrumento é o bandolim.” Por ser pequeno, sua execução é difícil e exige grande habilidade, a afinação é demorada e efêmera e a literatura é menor que a dedicada ao violino.

Considerado um revolucionário do bandolim, Holanda notabilizou-se ao acrescentar duas cordas ao instrumento tradicionalmente construído com oito. “Há 13 anos fiquei com vontade que ele fosse maior para poder expressar ideias polifônicas. As oito cordas me limitavam. Encomendei ao luthier um bandolim com dez cordas, feito com madeira barata, pois se não ficasse bom não teríamos prejuízo. Mas ficou muito bom.”

O bandolinista investe no aumento do público de música instrumental. “Quero tocar em lugares onde nunca estive, é uma proposta de minha carreira, abrir portas. Nesta turnê, gostaria de me apresentar ao menos em uma cidade de cada região. O mercado da música instrumental cresce, percebo interesse maior de plateias mais jovens, que querem conhecer e tocar.”

Em giros pela Europa e Estados Unidos, percebe uma curiosidade mais aguçada em relação a músicas consideradas diferentes, um aplauso mais demorado. Por aqui, o sangue ferve. “A vibração no Brasil é mais calorosa, o público fica de pé.”

Se na turnê anterior dividiu os holofotes com Diogo Nogueira no show Bossa Nova, que passou por 12 países, desta vez  sobe ao palco sozinho. Ou quase, pois entabula conversas com a plateia. Em Cuiabá, brincou com o gênero lambadão e arrancou participação animada do público.

O balão de ensaio para este périplo se deu na primeira fase de Pelo Brasil, em 2014, quando fez 12 apresentações abertas em Brasília, Ceilândia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e na fluminense Campos dos Goytacazes. Foi o tempo certo para refinar as propostas de unir imagens e textos e testar a reação do público.

A segunda e definitiva etapa chega com o lançamento de Pelo Brasil, com delícias como Carimbobó, O Jumento e a Capivara, Sambaíba, O Amor é a Canção, A Escola e a Bola,Chama Lá e Frevinho. A programação prevê apresentações até 13 de outubro. Mas os pedidos para estender a temporada têm chegado e o bandolinista não sabe quando será o último show.

Entre as surpresas de Pelo Brasil está o momento em que Holanda compõe uma música ao vivo. Jeito tranquilo, atribui a serenidade criativa a corridas periódicas e ao que galhofeiramente define como “meditação bandolinal”. “No dia do show em Belo Horizonte, achei um passarinho caído no chão e recolhi com cuidado na esperança de que se recupere. No palco, fiz uma valsa inspirada no canto imaginado dele.” As coisas estão no mundo, é só preciso aprender.

Hamilton de Holanda faz show de lançamento do CD “Pelo Brasil” em Floripa

Contemplado pelo programa Petrobras Cultural, bandolinista Hamilton de Holanda lança, simultaneamente no Brasil (Brasilianos) e na Europa (famoso selo alemão MPS), o disco PELO BRASIL, um retrato da diversidade musical brasileira, que será apresentado em uma turnê nacional de 15 shows por 12 estados brasileiros. A estreia aconteceu no Teatro Colina, dia 10 de setembro, em São José dos Campos. No dia seguinte, a montagem passou pela capital paulista e segue pelo país até outubro e chega a Florianópolis no dia 9 para apresentação única no Teatro Governador Pedro Ivo.

O projeto PELO BRASIL consiste na concepção, criação e circulação nacional de um concerto multimídia solo do premiado bandolinista HAMILTON DE HOLANDA, compositor e criador da técnica polifônica do Bandolim Brasileiro de 10 cordas, o músico é um dos poucos no mundo com recursos para fazer um espetáculo interativo de bandolim solo que une música, textos, projeções e iluminação.

Com repertório baseado em composições autorais inéditas, como “Carimbobó”, “O jumento e a capivara”, “Sambaíba”, “O Amor e a canção”, “A escola e a bola”, “Chama lá” e “Frevinho”, o projeto PELO BRASIL propõe uma travessia musical interativa que exalta alguns dos ritmos brasileiros mais representativos, como o Choro, o Baião, o Maracatu, o Samba, o Bumba-meu-boi, a Moda de viola e o Chamamé.

“Meu objetivo com o PELO BRASIL é poder levar minha música de forma mais acessível a todos os recantos possíveis. Estou muito feliz por este novo desafio. Ter o suporte do patrocínio da Petrobras para compor músicas inéditas e aproximar minha arte de ferramentas de entretenimento como projeção, cenografia, iluminação e poesia, tudo isso dentro de meu país, pra mim é um luxo. Poder ajudar a popularizar o conceito, assim como já acontece no exterior, de que é normal ir a um show solo de instrumentos fora do que é considerado padrão como o violão e o piano. Possibilita a expansão do horizonte da nossa tolerância, incentiva e promove em nosso país as diferentes manifestações culturais. Multiplicidade também é identidade.”, declara, animado, Hamilton de Holanda.

Com direção geral de Marcos Portinari, interferências sonoras de Frango Kaos, design de luz de Marina Stoll, imagens do VJ Boca e arte de Fernando Salles, PELO BRASIL é um espetáculo interativo que mistura música, textos e projeções, possibilitando ao espectador uma experiência íntima e singular, como no momento em que Hamilton toca com sua própria imagem de quando era uma criança de apenas 6 anos. Outro ponto alto é a criação ao vivo de uma música, uma espécie de mergulho ao interior da alma. Uma tela branca pintada pelo artista, desnudo, percorrendo na frente da plateia caminhos virgens a ambos, desmistificando na prática o processo de criação e tornando cada apresentação única.

Com o patrocínio da Petrobras foi possível dividir o projeto em duas etapas. A primeira (2014) permitiu ao instrumentista apresentar 12 ensaios abertos, com apresentações em Brasília, Ceilândia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Campos dos Goytacazes. Numa obra em progresso, esse momento inicial serviu para testar a aplicação da obra, além de afinar junto à sua equipe e ao público a formatação e o conteúdo da montagem.

“Faz toda diferença ter condições para o experimento, permitindo-se agir, refletir, seguir, recuar e recomeçar, transformando a ideia em algo palpável e possível de se aplicar e compartilhar. Desfrutar na música instrumental de procedimentos comuns aos grandes artistas do universo pop é muito legal. E é por isso que digo, sem demagogias, que ter o patrocínio possibilita desfrutar dessa regalia. E que continue assim. Minha pequena contribuição é oferecer o meu melhor a cada dia, e disponibilizar a todos gratuitamente o disco digital PELO BRASIL, no site do projeto.” diz Hamilton.

Hamilton de Holanda, o “Jimi Hendrix” do bandolim

Transgressor do instrumento e criador de uma técnica revolucionária, o bandolinista contagia plateias em turnês por todo o mundo, construindo uma carreira de inúmeros prêmios, de uma música focada na beleza e na espontaneidade. Hamilton é um músico que une tradição e modernidade passando com tranquilidade pelas mais diferentes formações (solo, duo, quinteto, orquestra), consolidando, assim, uma maneira de expor ideias musicais e impressões sobre a vida com “o coração na ponta dos dedos.

Hamilton está em constante produção e enfileira 28 lançamentos em 18 anos de profissão. Ao lado de seu empresário/parceiro, Marcos Portinari, as ideias fervilham, fluem livremente, e os projetos não param. Eles estreiam PELO BRASIL, na sequência de três grandes lançamentos, ambos com sucesso de crítica e púbico: “Caprichos”, projeto solo que sintetiza seu trabalho como compositor, que foi indicado ao 15 Grammy Latino entre os melhores discos de música instrumental; “Bossa Negra”, parceria inédita com o cantor Diogo Nogueira, cotado entre os melhores trabalhos de 2014; e “Hamilton de Holanda e O Baile do Almeidinha”, fruto da gafieira contemporânea que há três anos ocupa o Circo Voador. Hamilton acaba de ganhar o Prêmio da Música em duas categorias com o disco “Trio”, ao lado de Thiago da Serrinha e André Vasconcellos.Hamilton de Holanda faz show de lançamento do CD "Pelo Brasil"