HAMILTON DE HOLANDA

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Hamilton de Holanda lança disco em tributo ao samba e a Chico Buarque

 

POR LEONARDO LICHOTE 21/04/2016 6:00
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RIO – Uma das formas mais rápidas de entender o lugar de Hamilton de Holanda na música brasileira hoje é pesquisar o nome do artista no YouTube. Tem Hamilton tocando jazz na França com seu Quinteto; pagodeando popularíssimo com Diogo Nogueira ou Zeca Pagodinho; relendo “Índios”, da Legião Urbana, num estádio, acompanhado de uma orquestra; ao lado de Wynton Marsalis num Pixinguinha incendiário; fazendo dançar o Circo Voador em seu Baile do Almeidinha… Difícil pensar em alguém que transite como o instrumentista e compositor, que agora se atira na aventura de reler clássicos de Chico Buarque, no álbum “Samba de Chico” (Biscoito Fino). No disco, como em todas as outras empreitadas — estão no forno uma homenagem a Milton Nascimento e um dedicado ao repertório infantil —, ele aparece à vontade.

— É da minha personalidade. Amo choro, mas sempre achei que podia tocar outras coisas no bandolim. Menino, tocava Djavan, Plebe Rude, Legião, coisas que ninguém fazia na época — conta. — Nasci em Brasília, uma cidade jovem, então tinha vizinho mato-grossense, mineiro, pernambucano. Não tenho opinião sobre nenhuma música antes de ouvir. E me comporto perante a música como na vida. No Almeidinha o ritmo é fundamental, e quando toco num teatro posso explorar detalhes das palhetadas, assim como ajo diferente quando estou numa fila de banco e num restaurante.

Hamilton — que lembra que sua formação era de violino e bandolim na escola de música, durante a semana, e rodas de samba e choro no fim de semana, “acompanhando os bêbados” — diz também que ainda hoje ecoa nele um ensinamento do pai:

— Ele dizia: “Aprende a tocar seu bandolim que você vai fazer um monte de amigos”. Tenho muito isso.

ÁLBUM INCLUI INÉDITA DO BANDOLINISTA

Em “Samba de Chico” (um tributo ao gênero e ao compositor), Hamilton segue sua vocação. Há ali, na verdade, um tanto de sua trajetória com Chico, que já fazia parte do seu repertório no Almeidinha, em seu Trio, e em seu duo com o pianista italiano Stefano Bollani.

— Não quis fazer pesquisa para escolher o repertório, fui lembrando coisas de que gostava, que queria tocar e, quando chegou num número bom, parei — conta o bandolinista, que incluiu uma inédita sua no disco. — Fiz a música “Samba de Chico” com um sabor daqueles sambas de Noel, Ismael.

No disco, Hamilton tem a companhia do percussionista Thiago da Serrinha e dos baixistas Guto Wirtti e André Vasconcellos. Ele também recebe três convidados especiais: Bollani (“Piano na Mangueira” e “Vai trabalhar vagabundo”); o próprio Chico (“A volta do malandro” e “Vai trabalhar vagabundo”); e a cantora catalã Sílvia Pérez Cruz (“Atrás da porta” e “O meu amor”). De passagem pelo Brasil, Sílvia participará do Baile do Almeidinha neste sábado.

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Hamilton explica que nas releituras buscou sempre expor um olhar novo, alternando momentos de maior ou menor reverência sobre o original. Em cada faixa, um caminho:

— Em “Construção”, fiz o arranjo com a letra do lado, achava importante ali transmitir, sem a letra, o sentimento poético da música. “O meu amor”, na qual Sílvia participa, tem as palmas do flamenco, mas no ritmo do samba. Acabou soando como uma morna cabo-verdiana. “Quem te viu quem te vê” quis desconstruir mesmo, só entrego no fim. Quando Chico ouviu pela primeira vez, demorou a sacar: “Que música é essa? É minha?”.

Baile do Almeidinha

Onde: Circo Voador — Rua dos Arcos s/nº (2533-0354).

Quando: Sáb., às 21h30m.

Quanto: De R$ 10 a R$ 60.

Classificação: 18 anos (de 14 a 17 com os pais).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/musica/hamilton-de-holanda-lanca-disco-em-tributo-ao-samba-a-chico-buarque-19134764#ixzz46XX7ZOYy

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