HAMILTON DE HOLANDA

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Crônica sobre um tal Almeidinha…

 

Há quatro anos que os amantes do Baile do Almeidinha se perguntam quem é esse tal Almeidinha que dá nome ao Baile comandado por Hamilton de Holanda, que virou sucesso em todo Brasil ?

Almeidinha, servidor público exemplar, pessoa integra que tem a ética como o seu bem. Dedicado, dono de um alegre sorriso estampado, trata igual à todos. Na sua cartilha defende o funcionalismo público à que se dedicou por inteiro e diz “ Minha profissão é injustamente mal afamada, e muito em virtude desses apadrinhamentos e uso político-eleitoreiro que sempre se fez dele, principalmente a pouca vergonha da barganha para favores eleitoreiros. E você que me conheçe sabe que não sou adepto da carteirada ou do infame Sabe com quem você está falando?”. Por isso não acha graça ou admite piadinhas do tipo. Acredita que quem exerce honradamente a sua função e atribuição merece total reconhecimento e isso desenrola enveredando numa teia das suas teorias “ Veja os professores, dedicam toda uma vida à nos formar cidadãos e qual a valorização que recebem? Nenhuma! O que ganham? Quase Nada perto da responsabilidade de alimentar as almas dos alunos. Precisam de ter outro trabalho, plano de saúde e o que ganham mal se dá para colocar comida no bucho. É dar muito pouco e querer demais e depois reclama-se dos cidadãos que temos?”.

Mas não é só de trabalho que vive Almeidinha, ele adora a vida através da pespectiva de seus selos, com eles realiza seu sonho de voar e faz um alerta – “Coleção de selos não é o mesmo que filatelia, seu estudo. Um verdadeiro filatelista é como um detetive que está sempre atento aos pequenos detalhes.” Pode passar horas, dias, semanas ou anos viajando pelo mundo sem sequer sair de casa, sempre na tentativa de desvendar qualquer vestigio que revele por onde andou, qual tipo de cola ou mistura disponíveis e a maneira utilizada por exemplo o dedo, um pincel ou os labios e por ai vai…

No começo da infância a sua coleção, tipica de todo iniciante, não seguia nenhum critério, a variedade era tão grande quanto a curiosidade, até que com os anos decidiu-se especializar na sua outra paixão de colecionador – seus passaros – ou melhor seus melhores amigos: canarios, arapongas, rolinhas, corrupiões, pardais, pintassilgos e rouxinois. A dedicaçnao de Almeidinha é tanta que pode-se até sem diploma chama-lo de Ornitólogo com especialidade na Canaricultura de estudo relacionado exclusivamente sobre a criação de canários de cativeiro “ Vc sabia que para um pardal, a média de 250 vezes por segundo de abertura e fechamento das cordas vocais é o necessário para produzir as melodias maravilhosas que ouvimos.  E que esta variedade de contrações musculares permite que cada pássaro tenha um repertório próprio para sua espécie, destinado a cada situação.” Ele acha tudo isso incrivel !!

Almeidinha está em seu paraiso mora em casa própria, herança dos pais, e pouco precisa para sobreviver. Assim pode se dedicar as suas paixões..

Mas numa sexta-feira de carnaval, de ponto facultativo, foi trabalhar. O calor infernal o barulho das buzinas e gritaria das pessoas, a sujeira colorida das calçadas o fez sentir o peso do fim de um expediente que nada aconteceu. A volta para casa de poucas conduções disponiveis foi tranquila pois diferente dos outras voltas o trem estava vazio, chegou em casa tirou sua calça de linho e camisa branca engomada suada quando de repente viu a ponta de um iceberg que até hoje procura por seus limites, uma tragédia! Um de seus prediletos, “o Barão”, tinha sido devorado pelo gordo gato do vizinho  Almeidinha caiu duro no frio chão de ladrilhos, e por lá ficou por algum tempo.

Levantou e não acreditou o que tinha acontecido. Olhou para aquele monte de gaiolas e por mais doido que possa parecer se viu repetido em cada uma delas. A unica coisa que era diferente era a cor da sua camisa e seu canto. Será que tinha morrido? pensou. Será que estou louco? E olhava para as gaiolas e os varios clones pulavam de um lado para o outro cantando. A cena de Dali, ele conhecia bem dali pelo um selo comemorativo que tinha recebido de um amigo da repartição que sabia de sua paixão filatelista. De volta a gaiola ele começøu a sentir caustrofobia e as barras frias mais pareciam uma, uma, uma prisão….Prisão ? Mas eu amo meus pássaros, compro a melhor ração, agua filtrada, limpo as gaiolas todos os dias, aprecio seus cantos suas conversas. Um dia li numa revista enquanto esperava no consultorio dentário que a grande variedade de notas musicais registradas pelos pássaros nos cantos matinais tem sido através dos séculos motivo de inspiração para músicos, poetas, artistas e qualquer indivíduo que tenha o prazer de ainda poder ouvir o canto dos pássaros onde mora. “

Mas que coisa é esse que está acontecendo? Foi pela sua incapacidade em gritar que deu um grande estalo e começou como num espelho perceber que apesar de tudo, esses passaros mereciam liberdade, mereciam voar coisa que hoje até imagino que não saibam mais. Talvez se até abrir essas gaiolas por mais cuidadas que sejam, nunca se comparará a voar na briza do campo pousar no alto de uma mangueira e saborear uma manga , um jambo, uma jaca mole pois é e acoado na lembrança de tantas tentativas, em seu departamento, de suborno – e aquela gaiola vazia que tinha cido cena de um crime passional,  Almeidinha teve pela primeira vez em seus 42 anos de existencia, uma explosão de emoções foi quando uma coisa nova o libertou –  Soltar em voz altiva um palavrão:  PUTA QUE PARIU !!!

E apartir dai Almeidinha nunca mais foi o mesmo……

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