HAMILTON DE HOLANDA

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Um papo entre duas línguas

 

Hamilton de Holanda e escritora mineira Conceição Evaristo harmonizam suas obras, constituindo um diálogo intenso e afiado entre as duas diferentes formas de linguagem artística. Ele, com a sua riqueza rítmica, trará o coração na ponta dos dedos, tocando o bandolim com aquela singular sonoridade que produz. Ela, com a arte da escrevivência, lerá alguns de seus emocionantes e fortes poemas.

Eles apresentam esse trabalho ao público no Festival de Música e Poesia do Pará, no dia 14 de outubro, no Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O projeto surgiu a partir de um convite da Semana da Arte de São Paulo, com a finalidade de abordar uma questão fundamental: as culturas diaspóricas africanas na pluralidade das artes brasileiras.

Nesse show, poesia e música tem o mesmo peso e se fundem, como se fossem porosos e constituíssem uma estrutura única. Se entrelaçam por terem muito em comum. Não só com relação ao teor do conteúdo, mas palavra é som, antes mesmo de ser uma forma escrita. E é nessa sua natureza que mora uma grande semelhança com a música. A fala é uma melodia, pois tem ritmo e entonação.

Ambas as formas de arte despertam diferentes interpretações. Quando se juntam, transcendem os seus sentidos isolados, ganhando novas possibilidades de compreensão e gerando novas sensações.

A poesia da Conceição Evaristo e a música do Hamilton de Holanda unidas formam uma grande fala, no qual não cabe uma verdade absoluta tão requisitada atualmente. Em meio a um cenário tão conservador, que essa fala ecoe alto por aí.

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