HAMILTON DE HOLANDA

BLOG / Autor: hholanda


“Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim” – Novo projeto do bandolinista está no ar

Para celebrar o centenário de Jacob do Bandolim, Hamilton de Holanda tece, como as populares rendeiras, nó a nó o fio da memória da obra do músico e forma um mosaico próprio. A homenagem não podia ser menor: o box “Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim”, com quatro discos com identidades completamente diferentes, que exaltam o preciosismo do mestre – em lançamento pela Deck.

Jacob foi o principal músico responsável pela existência de uma identidade brasileira no bandolim. Ele viveu pouco mais meio século e produziu, em 20 anos, uma das mais importantes discografias da música popular, com o seu estilo de tocar e sua maneira de compor que se misturavam, potencializados pela busca da qualidade, do perfeito acabamento.

Hamilton teve Jacob como referência primeira no bandolim, mas ao longo de sua trajetória somou variadas experiências. E, depois de dar a volta ao mundo dezenas de vezes com seu instrumento, Hamilton volta ao quintal da infância – a obra de Jacob – e propõe uma múltipla recriação dessa obra, tirando-a da zona de conforto original – o gueto do choro – e colocando-a em diálogo com diferentes linguagens, timbres e universos.

Jacob 10ZZ – Ouça em https://goo.gl/ydoyfZ

A formação instrumental que reúne bandolim de 10 cordas, contrabaixo acústico (Guto Wirtti) e percussão (Thiago da Serrinha) tem sido uma escolha constante nos últimos trabalhos de Hamilton.  Nessa formação, o bandolim tem todo o espaço para criar, não só em termos melódicos, mas na rítmica dos acompanhamentos e em intrincadas “rearmonizações”, deixando ainda o contrabaixo e a percussão com muito terreno para evoluir.

Jacob Bossa – https://goo.gl/Z5QCir

Cabem aqui todas as bossas, os acentos mais díspares e surpreendentes, numa celebração fluente da liberdade rítmica e harmônica. Com o piano e o acordeom de Marcelo Caldi e o contrabaixo de Guto Wirtti, a obra de Jacob experimenta novos sotaques e novas levadas, do ijexá ao bolero. De quebra, Hamilton canta e recebe em duas faixas o trompete cristalino de Aquiles Moraes. Jacob livre de qualquer amarra.

Jacob Black – https://goo.gl/oseJVk

Partindo da construção de um plano rítmico-harmônico original, tecido pelo violão de Rafael dos Anjos e a percussão de Thiago da Serrinha e Luiz Augusto, cria-se o ambiente para receber as melodias jacobianas. O diálogo entre esses planos faz com que a obra de Jacob ganhe um novo acento, uma nova dimensão, revelando afinidades com o universo afro-brasileiro que se estendem improvavelmente nas valsas “De coração a coração” e “Feia”.

Jacob Baby – https://goo.gl/8X5W4X

Dentre as experiências de Jacob com instrumentos, figura o bandolim de 10 cordas aqui usado e que tem um timbre determinante para um resultado sonoro delicado, transparente. Esse instrumento raro ganha a companhia do cavaquinho e do bouzouki, instrumento de origem grega e muito usado até hoje na música do Mediterrâneo. Os andamentos calmos e o clima de caixinha de música embalam as melodias preciosas de Jacob para bebês e crianças.

Com tanta intimidade com a matéria-prima e um leque imenso de possibilidades para explorar nas áreas de improvisação e arranjo, “Hamilton de Holanda toca Jacob do Bandolim” areja a obra do autor centenário, garantindo muitas décadas de durabilidade e interesse. E deixa no ar a certeza que esse foi apenas o primeiro centenário de um autor que permanecerá na música do planeta. Jacob vive, Hamilton brilha.

- Texto adaptado do original de Henrique Cazes.

Hamilton de Holanda lança Jacob 10ZZ em show no Rio de Janeiro e em São Paulo

Hamilton de Holanda faz ressoar pelos seus dedos as influências de vários mestres. Talvez um dos artistas mais especiais, significativos e marcantes na sua musicalidade seja Jacob do Bandolim, que conquistou como poucos a excelência na performance de um instrumento. Se estivesse vivo, completaria 100 anos de idade neste ano. A celebração de seu centenário, assim como a de sua obra, é a inspiração para o novo trabalho de Hamilton de Holanda: “Jacob 10zz”,  já disponível nas plataformas digitais e em vinil. A estreia nos palcos do novo disco do Hamilton de Holanda Trio acontece no próximo dia 6 de maio no Teatro Oi Casagrande, no Rio de Janeiro; e no dia 25 de maio na Casa Natura Musical, em São Paulo.

No show, Hamilton de Holanda contará com a mesma formação do álbum, com Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e Thiago da Serrinha (percussão). Eles formam o Hamilton de Holanda Trio e lançam seu terceiro trabalho juntos. Os dois primeiros acumulam importantes prêmios da música, como o 18º Grammy Latino de Melhor Disco de Música Instrumental, por “Samba de Chico” (2016).

Jacob 10zz” é o primeiro da série de discos que Hamilton de Holanda está produzindo em celebração aos 100 anos de Jacob, e chegou às plataformas digitais no último dia 23 de abril, Dia Nacional do Choro. Em parceria com a gravadora Deck, o projeto está em andamento e consiste em álbuns com diferentes interpretações do repertório de Jacob, que serão lançados em um box no segundo semestre.

O nome do álbum faz referência ao bandolim de 10 cordas do Hamilton, e ao parentesco entre o Choro e o Jazz. “Procurei um título com poucas letras e um som direto, que pudesse dar significado à concepção deste trabalho. É o choro do Jacob com uma pitada de jazz. Não necessariamente todas as faixas são desse gênero, mas têm essa maneira de tocar, que utiliza muito a improvisação e solos criados no momento da gravação. O nome resumiu bem o espírito do disco” – conta Hamilton.

Gravado no estúdio Tambor (Rio de Janeiro) com produção de Hamilton de Holanda e Marcos Portinari, “Jacob 10ZZ” traz 12 faixas, 10 delas assinadas por Jacob do Bandolim. O repertório foi escolhido a partir de composições interpretadas por Hamilton há muitos anos. A seleção foi feita buscando equilíbrio entre as músicas lentas, líricas, sambadas e complexas. Estão neste primeiro álbum os clássicos “Remelexo”, “Alvorada”, “Assanhado” e “Mágoas”, entre outros.

Na cuidadosa seleção, apenas duas músicas não são de autoria de Jacob. “Naquela Mesa”, composta por seu filho Sérgio Bittencourt, na ocasião de sua morte. A canção lenta e cheia de sentimento ganhou uma versão com inspiração no Jazz Manouche de Django Reinhardt. E, encerrando o disco, “Serenata Jacarepaguá”, única assinada por Hamilton. “É uma música que foi feita no estúdio na hora da gravação. Foi uma forma de agradecer ao Jacob, afinal acho que a composição é a maneira do compositor expressar o que tem de mais profundo na sua alma. O nome é uma referência ao bairro onde ele morou muito tempo de sua vida. Nela eu mostro, além da minha inspiração, o meu olhar e meu caminho também através da música” – explica Hamilton.

Ouça na sua plataforma preferida: https://goo.gl/coLQvn

UMA VIAGEM PELO SOM DA IMAGEM

O tempo fechou rapidamente, a chuva apertou, deu a sua benção e abriu alas para o “Som da Imagem”. Dentro do Oi Casa Grande, na noite de 27 de fevereiro, não se ouvia chuva – a sua presença se fazia notar pelos cabelos e roupas que pingavam, como uma lembrança de que lá fora o mundo desabava sobre o Rio de Janeiro. Mesmo com o burburinho sobre as ruas alagadas, as poltronas do teatro foram sendo ocupadas pelos que resolveram adentrar a noite, desafiando a chuva forte para ver e ouvir o espetáculo.

“Vai ser tipo cinema mudo. A gente só entende o que se passa na tela por causa da música”,  uma senhora tentava explicar a proposta do show à sua amiga que apontava para o telão branco com ar de indagação.

Acomodadas, as pessoas mergulharam na escuridão da plateia e, logo que o show começou, foram magnetizadas pela música e pelos vídeos projetados. O público mantinha os olhos e ouvidos atentos para o que se passava no palco, e essa imersão forte produziu um estado onírico no ambiente. Ali, no breu, a banda tocou embrenhando a música por ruas movimentadas do Centro do Rio de Janeiro, por trilhos de trens, cidades antigas, florestas, entre pés dançantes e lábios que assobiavam. Era um verdadeiro passeio guiado pelo som, que indicava o caminho interpretativo dos vídeos, que ora eram percebidos como introspectivos, ora como alegres, ora saudosos, ou mesmo de suspense. Como em uma via de mão dupla, a música era o norte das imagens, que por sua vez serviram de inspiração para a criação musical.

No processo de composição e de preparação do show, Hamilton usou os vídeos como um estímulo. Compunha ao mesmo tempo em que assistia aos registros e, assim, nasceram diversas composições instantâneas. O desafio era absorver a atmosfera dos lugares, as lembranças e sensações que eles despertavam, e produzir simultaneamente composições de uma forma bem intuitiva.

Ao ver um vídeo do céu banhado de estrelas, imaginou imediatamente uma música sideral, despertou-lhe a ideia de uma viagem à lua, ao espaço, uma composição de extraterrestres e, assim, flertou com uma sonoridade diferente das que já tinha feito antes, aproximando-se de timbres de teclado. Algumas imagens foram feitas em viagens de Hamilton e seu empresário Marcos Portinari pelo mundo. As imagens do Rio de Janeiro ficaram por conta de Rafaê e Nelson Porto.

E foi assim, brincando de alquimista, que a banda fez a leitura musical das imagens. Thiago da Serrinha, músico que há algum tempo toca ao lado de Hamilton, e Macaco Branco, que traz a experiência riquíssima como mestre de bateria da Unidos de Vila Isabel, assumiram a percussão. Marcelo Caldi derramou a sua sensibilidade e serenidade sobre as teclas da sanfona e do teclado, e o jovem brasiliense Pedro Martins mostrou de uma forma espetacular a sua noção musical de coletivo e ao mesmo tempo não poupou a emoção e o talento nos solos.

A banda passeou por um roteiro com variadas nuances de sentimentos que a música pode transmitir. Intercalou-se euforia com tristeza, que deu espaço para a estranheza e para o belo. Ao final, desembocou na ideia do “Samba da Bênção”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell: “é melhor ser alegre que ser triste”, com a harmonia entre o que se vê e o que se escuta.

O som faz parte da memória e da identidade de um lugar. Participa do corpo da cidade: é a vibração do espaço. Com todas as suas fissuras, construções, cicatrizes e pegadas, essas regiões produzem uma sonoridade única que, em conjunto com o que trazemos de vivência, nos remetem a diferentes sensações e inspirações. O som do vento soprando nos troncos das árvores de uma floresta, de trânsito de carros em uma das vias mais movimentadas de São Paulo, do estalo de um beijo, de uma feira de rua, do silêncio incômodo de uma noite estrelada. Por ser vibração, ele adentra o nosso corpo e remexe com o que a gente tem de mais íntimo. E foi em busca desse frisson que Hamilton procurou fazer experiências com as suas impressões. Acomodou o instrumento nos braços e viajou por aí.

Por Maria Carolina Rodrigues

Primeiro Baile do Almeidinha de 2018

Depois de um 2017 intenso, com shows em Portugal, Escócia e Itália e a celebração de cinco anos de existência, o Baile do Almeidinha ganha a primeira edição de 2018. A festa acontece dia 18 de janeiro, no Circo Voador, e faz parte da programação especial de verão da casa de shows. Para esquentar ainda mais o encontro, a Bateria da Estação Primeira de Mangueira faz participação especial, dando um gostinho do que vem por aí no tão esperado carnaval do Rio de Janeiro. Ela já esteve presente em uma edição anterior, afagando as saudades da folia e agitando a lona da Lapa com a sua potente orquestra percussiva.

Hamilton de Holanda e a banda A Magnífica vão tocar clássicos da música brasileira – “Chega de Saudade” (Tom Jobim / Vinicius de Moraes), “Sem Compromisso” (Geraldo Pereira / Nelson Trigueiro) e “Timoneiro” (Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho) estão no roteiro – e outras canções já conhecidas pelos frequentadores das tradicionais quintas-feiras da Lapa, como “Xote do Almeidinha”, “A Escola e a Bola” e “Capricho de Raphael”, composições próprias lançadas no álbum “Hamilton de Holanda e o Baile do Almeidinha” (2015).

A abertura fica por conta do Quarteto A4 e, nos intervalos, DJ Lencinho assume a música que promete agitar o público. Os portões abrem às 21h.

Nascido no coração da boemia carioca e inspirado nas tradicionais gafieiras da Lapa, o Baile do Almeidinha é hoje uma das principais festas de música ao vivo do Rio de Janeiro. Ele surgiu há cinco anos a partir da união de ideias de Hamilton de Holanda e do seu parceiro e empresário Marcos Portinari, que aliaram-se à resistência cultural do Circo Voador.

“A ideia com o Baile do Almeidinha é fazer da maravilhosa música brasileira um encontro com a dança e seus encantos. Aproveitei, também, para quebrar uma lenda na qual nunca acreditei: que o gênero instrumental não é capaz de interagir. A prova disso é o Baile que já tem um público cativo e a cada noite o Circo Voador é transformado em um grande karaokê coletivo”, conta Hamilton.

A banda A Magnífica, que sobe ao palco com Hamilton, é composta por Guto Wirti (contrabaixo), Rafael dos Anjos (violão), Thiago da Serrinha (percussão), Eduardo Neves (flauta, flautim e saxofone), Aquiles de Moraes (trompete), Xande Figueiredo (bateria) e Marcelo Caldi (acordeon). Em completa sintonia e com um repertório cheio de clássicos da música brasileira, eles produzem uma sonoridade que torna o espaço pulsante.

A noite conta sempre com convidados especiais e, desde 2012, já foram mais de 200 artistas que se apresentaram no palco do Baile, como Roberta Sá, João Bosco, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Monarco, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Silvia Pérez Cruz, Stefano Bollani, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Luiz Caldas.

SERVIÇO

Hamilton de Holanda e o Baile do Almeidinha

Participação especial: Bateria da Estação Primeira de Mangueira

Abertura: Quarteto A4

Pista: DJ Lencinho

Data: 18/01, quinta-feira

Local: Circo Voador – Rua dos Arcos s/nº, Lapa

Abertura da casa: 21h

Capacidade: 2.000 pessoas

Classificação: 18 anos (de 14 a 17 somente acompanhado dos pais)

INGRESSOS

Vendas online: www.ingressorapido.com.br

Bilheteria do Circo: terça a quinta, das 12h às 19h; sexta, das 12h à meia-noite (exceto feriados); sábado, a partir das 14h

1° Lote:*

R$ 20 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos)

R$ 20 (cliente Odeon que apresentar ingresso de algum filme do cinema ou cliente Clube Sou + Rio)**

R$ 20 (ingresso solidário válido com 1kg de alimento)

R$ 40 (inteira)

2º Lote:

R$ 30 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos)

R$ 30 (cliente Odeon que apresentar ingresso de algum filme do cinema ou cliente Clube Sou + Rio)**

R$ 30 (ingresso solidário válido com 1kg de alimento)

R$ 60 (inteira)

* Lote sujeito a alteração sem aviso prévio

** O desconto é válido apenas para ingressos comprados na bilheteria do Circo. É necessário apresentar o ingresso Odeon/Voucher Sou +Rio no ato da compra.

Damas e cavalheiros com “Almeida” no sobrenome pagam R$ 20 a noite toda

Um papo entre duas línguas

Hamilton de Holanda e escritora mineira Conceição Evaristo harmonizam suas obras, constituindo um diálogo intenso e afiado entre as duas diferentes formas de linguagem artística. Ele, com a sua riqueza rítmica, trará o coração na ponta dos dedos, tocando o bandolim com aquela singular sonoridade que produz. Ela, com a arte da escrevivência, lerá alguns de seus emocionantes e fortes poemas.

Eles apresentam esse trabalho ao público no Festival de Música e Poesia do Pará, no dia 14 de outubro, no Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O projeto surgiu a partir de um convite da Semana da Arte de São Paulo, com a finalidade de abordar uma questão fundamental: as culturas diaspóricas africanas na pluralidade das artes brasileiras.

Nesse show, poesia e música tem o mesmo peso e se fundem, como se fossem porosos e constituíssem uma estrutura única. Se entrelaçam por terem muito em comum. Não só com relação ao teor do conteúdo, mas palavra é som, antes mesmo de ser uma forma escrita. E é nessa sua natureza que mora uma grande semelhança com a música. A fala é uma melodia, pois tem ritmo e entonação.

Ambas as formas de arte despertam diferentes interpretações. Quando se juntam, transcendem os seus sentidos isolados, ganhando novas possibilidades de compreensão e gerando novas sensações.

A poesia da Conceição Evaristo e a música do Hamilton de Holanda unidas formam uma grande fala, no qual não cabe uma verdade absoluta tão requisitada atualmente. Em meio a um cenário tão conservador, que essa fala ecoe alto por aí.