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HAMILTON DE HOLANDA

Mídias / Discos & Partituras


01 Byte 10 Cordas - Ao vivo no Rio

Março.2005 | Discos

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    NOME DA FAIXA ÁUDIO PARTITURAS
NOME DA FAIXA ÁUDIO PARTITURAS
No rancho fundo [+ INFO]

(Ary Barroso)

Ainda me recordo [+ INFO]

(Pixinguinha)

O sonho [+ INFO]

(Hamilton de Holanda)

GRÁTIS
01 byte 10 cordas [+ INFO]

(Hamilton de Holanda)

GRÁTIS
Pedra sabão [+ INFO]

(Hamilton de Holanda)

GRÁTIS
Flor da vida [+ INFO]

(Hamilton de Holanda)

GRÁTIS GRÁTIS
Disparada [+ INFO]

(Téo de Barros/Geraldo Vandré)

Adios nonino [+ INFO]

(Astor Piazzolla) Part. Gabriel Grossi

01 Byte 10 Cordas - Ao vivo no Rio

*Primeiro disco de Bandolim 10 cordas solo gravado no Brasil

 

Prêmios e Imprensa

*Choc – Revista Francesa Le Monde de la Musique

*Cotação Máxima O Globo

*Cotação Máxima Folha de São Paulo

*Indicação Prêmio TIM – Melhor Solista

*Indicação Prêmio Rival – CD Instrumental

 

Gravadora Brasilianos/Biscoito fino

Produzido por Hamilton de Holanda & Marcos Portinari

 

Matérias

A Tribuna Digital

 

Hamilton de Holanda, só e ao vivo

 

Julinho Bittencourt

 Crítico de MPB

 

O bandolinista Hamilton de Holanda acaba de lançar 01 Bytes 10 Cordas, ao vivo no Rio. Trata-se de um projeto corajoso do músico, no qual ele se apresenta, com exceção de uma das faixas, sozinho. Talvez seja a primeira vez na história do bandolim que isso acontece. Qualquer erro, por favor, que me corrijam. Mas o fato é que isso não é nem de longe o mais importante do disco. O melhor mesmo fica por conta da música que ele é capaz de fazer, seja só, acompanhado de regional, banda de rock ou o que for.

 

   Hamilton conta que descobriu a técnica para executar o bandolim solo quando viveu na França, em 2002. Ele já havia desenvolvido, com a ajuda do luthier Vergílio Lima, um instrumento que tivesse as duas cordas a mais, pois necessitava de graves para formar acordes mais completos e fazer as melodias ao mesmo tempo. Isso somado à solidão européia acabou resultando num pequeno repertório, que resolveu apresentar no final de 2004 e começo de 2005, no Rio Design Leblon.

 

   O resultado é surpreendente do começo ao fim. Não se trata de exposição virtuosística ou coisa parecida. Hamilton produz música sólida, bem estruturada e boa de se ouvir. Não faz uma mera adaptação das melodias que toca. Constrói reinterpretações que não deixam o ouvinte com saudades de um grupo de apoio. E quando toca composições suas, percebe-se que elas se prestam a todo tipo de vôo e não só ao bandolim solo. Ele, neste caso, se basta em todos os sentidos.

 

   No repertório do disco Hamilton traz quatro clássicos da nossa música e quatro composições dele mesmo. Nos clássicos, como não poderia deixar de ser, parte do universo do samba e do choro, e abre o disco com No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo e Ainda me Recordo, de Pixinguinha e Benedito Lacerda. No recheio coloca composições suas delicadas e dedicadas a pessoas queridas, como seu enteado, sua filha e esposa. Além disso, ainda arrisca uma valsa no estilo de Garoto, o genial violonista e compositor.

 

   Para encerrar, ataca com Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barro, em versão monumental, e deixa para o fim um convite inesperado para o gaitista Gabriel Grossi, e juntos fazem Adios Nonino, de Astor Piazzolla. A versão é outro assombro de beleza, sensibilidade e talento dos dois músicos conterrâneos (os dois são de Brasília).

 

   01 Bytes 10 Cordas é um disco digno de saudações, por várias razões. Hamilton de Holanda serve para que os mais velhos tenham o que esperam de um grande músico, com todo o seu respeito pela tradição. E serve também para que os novos percebam outros horizontes para o choro, que não sejam só repetir nossos clássicos.

 

   Além disso, faz música como poucos, com talento digno dos grandes mestres. Segundo Hermínio Bello de Carvalho, sem exagero nenhum, Hamilton tem a sensibilidade de Jacob do Bandolim e a técnica de Luperce Miranda. O poeta vai mais longe e diz que o músico é o primeiro que se desgruda da forte digital legada por Jacob. Hamilton de Holanda é de fato único. Tem 29 anos e já construiu uma obra para ficar na história da nossa música. E 01 Bytes 10 Cordas é uma grandiosa amostra.

 

E-mail: julinhobittencourt@hotmail.com

 

 

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 digital@atribuna.com.br

 

 

 

 

 

 

Site Ziriguidum

 

O bandolim solo de Hamilton de Hollanda

Músico lança novo CD gravado ao vivo no Rio

 

por Beto Feitosa

 

Hamilton de Holanda

ouça aqui trechos do CD.

 

 

Unaminidade entre público e artistas, o virtuose do bandolim Hamilton de Holanda lança seu novo CD, dessa vez um trabalho gravado ao vivo no Rio. 01 byte 10 cordaschega ao mercado pela Biscoito Fino com um elegante encarte bilíngue em versão português/inglês preparado para voar mundo.

 

O músico, nascido no Rio e criado em Brasília, utiliza um instrumento personalizado, feito com 10 cordas para destacar os graves. Morando em Paris, em 2002, se viu sozinho. Ali começou a nascer esse repertório e arranjos, que Hamilton trouxe para o Brasil em dois shows solo, já encartado com elogios da imprensa européia. "O público tocou junto... reparem na energia das palmas e na concentração do silêncio, por exemplo, durante a música Flor da Vida; dá até para ouvir o ar condicionado", atesta no texto de apresentação do CD, gravado durante duas apresentações no palco do Rio Design do Leblon.

 

Hamilton parte do choro e, mesclando influências, faz seu bandolim chegar ao jazz cheio de improvisos e solos virtuosos, basta ouvir a inacreditável faixa-título, que o próprio músico define como um "samba tipo Baden". De tirar o fôlego.

 

Esse novo trabalho põe à prova essa mistura de influências quando o músico recria clássicos da música brasileira como No rancho fundo(Ary Barroso e Lamartine Babo), Disparada(Théo de Barros e Geraldo Vandré) e Ainda me recordo(Pixinguinha e Benedito Lacerda). Hamilton vai além e, acompanhado pela gaita de Gabriel Grossi, relê Adios nonino, clássico maior de Astos Piazzolla e Georges Coulonges.

 

Se no trabalho solo de estréia, lançado em 2002 pela Velas, Hamilton apresentava apenas uma composição própria, dessa vez ele assina quatro músicas, metade do CD. Confirmando que repete na hora de compor a criatividade e o talento notável quando toca, o músico homenageia a filha Rafaela em O sonho.

 

 1 byte 10 cordasé o resultado solo do músico que começou a se apresentar ao lado do irmão Fernando César ainda aos seis anos, e com quem chegou a lançar dois discos. Desde então já conquistou espaço acompanhando músicos como Djavan, Altamiro Carrilho, Beth Carvalho, Hermeto Pascoal, Raphael Rabello e Zélia Duncan, com quem excursiona no show Eu me transformo em outrase arranca aplausos no meio das músicas durante solos inspirados. No exterior acumula apresentações ao lado de Cesária Évora, Buena Vista Social Club e John Paul Jones, do Led Zeppellin.

 

Hamilton tem entre seus admiradores o compositor Hermínio Bello de Carvalho, que define que o músico "tem a sensibilidade de Jacob do bandolim somada à assombrosa técnica de Luperce Miranda". "Hamilton de Holanda não é apenas a grande revelação do bandolim contemporâneo, mas um dos maiores instrumentistas de todos os tempos", elogia Hermínio.

 

Garantindo que "moderno é tradição", Hamilton parte do choro, sua base. Mas sua música extrapola conceitos e rótulos em uma mistura bem temperada de emoção e virtuose. 01 byte 10 cordasé a confirmação definitiva e o registro do talento de um grande músico que, sozinho no palco, vale por um conjunto inteiro.

 

 

show Hamilton de Holanda no Paço Imperial

Todas as terças de junho (dias 7, 14, 21 e 28), às 18h30

Sala dos Archeiros - Paço Imperial – Praça XV - Centro - Rio de Janeiro

Entrada franca, com distribuição de senha uma hora antes.

 

 

Diário do Nordeste

 

1 BYTE, 10 CORDAS

 

Estréia solo do bandolinista carioca-brasiliense Hamilton de Holanda, este álbum gravado ao vivo no Rio de Janeiro confirma tudo o que se fala sobre o garoto, inclusive no encarte bilíngüe do CD. O repertório mistura Astor

 Piazolla e sua “Adiós, Nonino” com clássicos de Pixinguinha e Benedito Lacerda (“Ainda me recordo”), Ary Barroso e Lamartine Babo (“No rancho fundo”) e ainda a “Disparada” de Théo de Barros e Geraldo Vandré. Tão expressivas como as performances das próprias “O sonho”, “1 byte, 10 cordas”, “Pedra Sabão” e “Flor da Vida”, que alternam balanços mais lentos e endiabrados. Nem só de choro se faz as dez cordas desse bandolim moderno.

 

 

Site Arara.fr

 

-       01 Byte 10 Cordas, de Hamilton de Holanda - Hamilton de Holanda faz sua estréia na gravadora Biscoito Fino com seu primeiro CD solo 1 Byte, 10 Cordas, gravado ao vivo em dezembro de 2004, no palco do Rio Design do Leblon, Rio de Janeiro. O disco tem um repertório recheado de clássicos que incluem Disparada, Geraldo Vandré e Theo de Barros e Adios Nonino, de Astor Piazolla (com a participação do gaitista Gabriel Grossi), No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo, Ainda me Recordo, do mestre Pixinguinha, além de 4 composições inéditas de Hamilton: O Sonho feita para a filha Rafaela, a virtuosística Pedra Sabão, a valsa Flor da Vida e o samba-baden 1 Byte, 10 Cordas. - R$ 22

 

 

 

 

Site O Dia – Mauro Ferreira

 

 

 

01 Byte 10 Cordas (Ao Vivo no Rio)

 - Hamilton de Holanda

 

 

 Hamilton de Holanda é o melhor bandolinista de sua geração. Com fraseado preciso e vibrante, o músico carioca transita pela música brasileira com a liberdade de improviso conquistada pelo jazz. Neste primeiro disco solo, gravado ao vivo em dezembro, o virtuose apresenta temas próprios (Pedra Sabão, Flor da Vida, O Sonho) e imprime seu toque personalíssimo em músicas como  No Rancho Fundo(Ary Barroso e Lamartine Babo), Ainda me Recordo(Pixinguinha e Benedito Lacerda), Disparada(Théo de Barros e Geraldo Vandré) e o tango Adiós Nonino, de Astor Piazzolla. Formado na escola do choro, Holanda tira de seu instrumento um som límpido, moderno e, ao mesmo tempo, tradicional.

 

 

 

 

 

 

Folha de São Paulo

 

São Paulo, sexta-feira, 10 de junho de 2005

 

MPB/"01 BYTE 10 CORDAS"

 

Loucuras de um bandolim sozinho

 

ARTHUR NESTROVSKI

ARTICULISTA DA FOLHA

 

 Para quem nunca ouviu Hamilton de Holanda, um disco inteiro de bandolim solo pode parecer loucura. E é uma loucura, mesmo, no sentido extravagantemente positivo da palavra. Mal chegado aos 29 anos, Hamilton fez o disco que tem tudo para consagrá-lo como um dos maiores, senão o maior bandolinista em atividade, não só no Brasil.

 Fora daqui, aliás, essa avaliação já vai se tornando habitual (a julgar, por exemplo, pelos jornais franceses); e seu show marcado para a próxima Flip, julho em Parati, pode ser uma ocasião para que a arte de Hamilton ganhe a grande audiência que merece. Desde Jacob do Bandolim (1918-69) não se via um fenômeno parecido -muito embora, sem paradoxo, ele talvez seja "o primeiro bandolinista da nova geração a desgrudar-se" da marca direta de Jacob, como escreve Hermínio Bello de Carvalho, no encarte.

 Tocando com duas cordas a mais do que os tradicionais quatro pares, Hamilton faz do instrumento uma eletrizante novidade, em que os timbres mais diversos se cruzam. Melodia e acompanhamento: parece óbvio, mas tente fazer as duas coisas num bandolim. Palhetadas velocíssimas, num suingue de dar inveja a Baden Powell (1937-2000), alternam-se com melodias de notas pingadas, ou tremoladas, ou ainda com torrentes de escalas e frases bachianas, que compõem, com os arpejos, outro plano virtuosístico desses oito choros, sambas, valsas e canções.

 Baden, por sinal, é homenageado na faixa-título, "01 Byte 10 Cordas", onde os tons rasgados do bandolim atualizam 1.001 negaceios rítmicos dos afro-sambas. Já a velocíssima valsa "Pedra Sabão" conversa com a "Desvairada" de outro grande violonista, Garoto (1915-55). E prestam-se honras ainda a um terceiro deus, Raphael Rabello (1962-95), na introdução de "Rancho Fundo" (Ary Barroso/Lamartine Babo).

 Referências assim não são casuais. À maneira que vai se tornando característica deste nosso momento, o disco é uma pequena antologia dialogada da música brasileira, pondo lado a lado clássicos como "Ainda me Recordo" (Pixinguinha/B. Lacerda) e "Disparada" (Geraldo Vandré/ Theo de Barros) e obras do próprio Hamilton, incluindo duas lindas peças lentas, "O Sonho" (balada para a filha que vai nascer) e "Flor da Vida" (valsa esponsal).

 A última faixa abre mais o leque, com "Adiós Nonino" (Piazzolla/ Coulonges), em que participa outro virtuose da nova geração, o gaitista Gabriel Grossi -parceiro de Hamilton no quarteto que acompanha Zélia Duncan em shows e no CD "Eu me Transformo em Outras" (2004). São dois Robinhos em campo; e a atuação deles compensa até o desgaste do superinterpretado Piazzolla.

 Um disco de bandolim solo pode parecer loucura. Mas a primeira faixa nos joga de pronto num outro domínio da vida. E, ao fim, parece o contrário: loucura é tudo o que não for música, loucura é o resto, loucura é justamente o que não tem vez na sabedoria suprema do bandolim de Hamilton de Holanda.

 

 

Jornal de Brasília

 

Por Guilherme LobãoDomingo, 05 de Junho de 2005

O instrumentista brasiliense mais famoso no mundo lança primeiro disco ao vivo em performance solo

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Só um poderia com maestria domar o repertório de Ary Barroso, Pixinguinha e Astor Piazzolla no bandolim com habilidade tamanha, capaz de reformular as melodias consagradas dos gigantes, sem fazê-las perder o brilho. E este é o carioca radicado em Brasília Hamilton de Holanda, que prova mais uma vez sua genialidade no quarto álbum solo e primeiro pela Biscoito Fino, 1 Byte 10 Cordas – Ao Vivo No Rio. Sem exageros, realmente é um trabalho impecável. Escute e tire a prova.

No álbum, Hamilton é seu próprio trio – conjuga ritmo, harmonia e melodia simultaneamente no pequeno instrumento de madeira coberto por dez cordas (o bandolim padrão tem apenas oito). A experiência foi testada extra-oficialmente no Clube do Choro de Brasília – não raro, ele se desprendia da banda e visitava seu próprio ego (no bom sentido). O músico só cristalizou sua performance solo – apesar de preferir tocar em grupo – quando passou o ano de 2002 em Paris e se viu a sós com seu parceiro mais constante: o bandolim.

No repertório do show, Hamilton dribla o previsível e transita com destreza pelo chorinho (Ainda me Recordo, de Pixinguinha e Benedito Lacerda), as valsas modernizadas de seu repertório próprio (Flor da Vida e Pedra Sabão), samba (na inédita canção-título) e num dos maiores clássicos do tango de Astor Piazzolla, Adios Nonino (com participação especial do gaitista candango Gabriel Grossi). A melhor definição para o que Hamilton faz no palco é atestada pelo veterano compositor e maestro da MPB Hermínio Bello de Carvalho: "Hamilton de Holanda tem a sensibilidade de Jacob somada à assombrosa técnica de Luperce de Miranda. Mas é Hamilton de Holanda acima de tudo".

1 Byte 10 Cordas – Ao Vivo no Rio – Quarto CD solo do bandolinista (Biscoito Fino/2005). Produzido por ele e Marcos Portinari. 8 faixas. Preço médio: R$ 22.

 

 

Diário de Pernambuco

 

 

Discos

 

Instrumental - 01 Byte 10 Cordas é música instrumental brasileira de primeira. Hamilton de Holanda mostra como usar o bandolim de forma criativa, sem descambar para modernismos fúteis, nem tampouco cair no lugar-comum. Gravado ao vivo no Rio.

 

 

SEGUNDO CADERNO – O Globo

 

Hugo Sukman

 

Novidades da música mais jovem do Brasil

 

01 byte 10 cordas

 

Hamilton de Holanda

 

Pintando o sete

 

Rogério Caetano

 

Nem queiram acompanhar a renovação do choro nos últimos anos. É tanto que se renova a velha forma de tocar, originária do Rio do século XIX, que não há roda em que alguém não fale: “Já ouviu aquele novo 7 cordas?”. O choro é hoje, pela faixa etária dos cultores e seu grau de rebeldia, o gênero mais jovem do Brasil.

 

Em qualquer roda que se chegue, Rogério Caetano, violonista de 7 cordas de Goiânia radicado no Rio, é o nome. Em pouco tempo, aos vinte e poucos anos já conquistou seu espaço no mais amplo mercado de acompanhadores e agora estréia num disco seu, “Pintando o sete” (independente), no qual revela-se como compositor.

 

Não por acaso, quem o apresenta (“Com seu violão e sua alegria está escrevendo de forma definitiva a nova história do violão de 7 cordas no Brasil”) é o bandolinista Hamilton de Holanda. O gênio da vez alguns anos atrás e agora, já mestre e reinventor de seu instrumento, lança ousado disco solo, “01 byte 10 cordas” (Biscoito Fino).

 

Como Hamilton e quase todo o instrumental ligado ao choro, Rogério Caetano sai do choro para o mundo. Trata-o não como gênero, mas como universo estético, técnico e afetivo.

 

Tanto que começa “Pintando o sete” com um samba cheio de exigências técnicas, “Violão na gafieira”. Volta ao samba no diferentão “Carioquinha da gema” (sem ritmo, apenas com baixolão de André Vasconcelos e o bandolim de Hamilton), mergulha no maxixe em “Saída pela esquerda”, divide com Yamandú Costa a moderna “Valsa de mãezinha” e vai até de choro mais ortodoxo, “Amigos”.

 

Da linhagem de Dino 7 Cordas e Raphael Rabello pela inteligência das baixarias (o fraseado do polegar na sétima corda), Rogério ganhou tema-bênção, “Rogerinho no sete”, de Maurício Carrilho, mestre da atual geração, choro lindo e difícil.

 

É num choro, “Ainda me recordo”, que Hamilton de Holanda mostra sua maturidade ao bandolim de dez cordas (duas a mais, mais graves): ele não apenas sola e se acompanha ao mesmo tempo, mas faz contrapontos pixinguinianos enquanto se acompanha.

 

No ao vivo “01 byte 10 cordas” o objetivo é esse, Hamilton sozinho ao bandolim de dez, instrumento que mandou construir para se acompanhar e solar ao mesmo tempo. Parece dois em “No rancho fundo” (Ary Barroso) e dez em “Disparada” (Théo de Barros). Arrasa em quatro composições próprias, como a “valsa desvairada” “Pedra sabão” e a valsa delicada “Flor da vida”. Domínio absoluto, acompanha Gabriel Grossi (única faixa que não é solo) num “Adiós nonino” cheio de dissonâncias, improvisos e inovações. Coragem de chorão.

 

 

O Povo - Fortaleza

 

 

 

VIRTUOSE

Infinito Bandolim

 

Em seu primeiro trabalho solo, o bandolinista Hamilton de Holanda, expande os limites harmônicos e melódicos de seu instrumento ao se apresentar sozinho - no palco de uma casa noturna do Rio de Janeiro

 

Felipe Araújo

 Da Redação

 

HAMILTON no palco: visão orquestral para o bandolim/FOTO DIVULGAÇÃO

 

 

[14 Junho 22h46min 2005]

 

 Certa vez, o bandolinista Luperce Miranda, um dos grandes virtuoses das cordas do século XX, decidiu compor uma música que simulasse dois bandolins tocando ao mesmo tempo. O resultado foi a valsa ''Quando me lembro'', peça de tão difícil execução que poucos foram os instrumentistas que se arriscaram entre seus arpejos. A música não faz parte do repertório do CD 01 byte, 10 cordas, primeiro trabalho solo de Hamilton de Holanda que acaba de ser lançado pela Biscoito Fino. Mas poderia figurar sem nenhum assombro entre as interpretações que o bandolinista carioca registrou ao vivo - e sozinho - no palco do Rio Design Leblon em dezembro do ano passado. Tamanha é a técnica empregada em cada uma das oito faixas do CD, que Hamilton passa a impressão de estar tocando dois ou até mais instrumentos ao mesmo tempo.

 

A idéia de uma apresentação solo nasceu quando o músico ganhou o prêmio Icatu em 2002 e foi morar sozinho em Paris. Sem ninguém para lhe acompanhar nas harmonias, Hamilton teve que desenvolver uma técnica e um repertório que lhe permitisse solar e acompanhar ao mesmo tempo. Apesar das dificuldades iniciais, a nova concepção de interpretação revelou-se ideal para o ''deizão'', seu bandolim de dez cordas - construído especialmente para Hamilton pelo luthier Vergílio Lima. ''Eu pedi um bandolim com 10 cordas, isto é, duas a mais que o normal. Queria ter um instrumento com mais grave, que me desse a possibilidade de fazer mais acordes e que tocasse sozinho! Gostaria de fazer os acordes e a melodia ao mesmo tempo. Ele me fez um protótipo que acabou, na época, como o oficial'', conta Hamilton no encarte do CD.

 

Convidado para tocar num festival na Córsega, o bandolinista hesitou, hesitou, mas acabou encarando o desafio de subir ao palco sozinho. Pela própria natureza do bandolim, seus shows e suas gravações, até então, sempre se deram ao lado de outros instrumentistas (desde a parceria com o irmão Fernando César no sete cordas até as dobradinhas com gigantes como Marco Pereira, Raphael Rabello, Hermeto Pascoal, Altamiro Carrilho e até John Paul Jones, do Led Zepellin). ''Foi uma noite muito especial (no festival na Córsega), gostei do negócio apesar de preferir tocar em grupo. Hoje o repertório está crescidinho e senti que este era o momento para gravar, e tinha que ser ao vivo. Foram duas noites maravilhosas na cidade maravilhosa'', explica.

 

 

 

01 byte, 10 cordas abre com ''No rancho fundo'', de Ary Barroso e Lamartine Babo; e ''Ainda me recordo'', de Pixinguinha. Nesse primeiro momento do disco, Hamilton mostra sua relação saudável com a tradição da música brasileira, em especial o choro - sem nenhum tipo de nostalgia rococó e sedento pelo que de mais vivo cada uma dessas peças tem, que é justamente a capacidade de se abrirem para o improviso. Em seu caso, o improviso é resultado de uma mistura entre o vigor de um guitarrista de rock, o swing do sambista-chorão e o rigor do músico erudito, três aspectos fundamentais na definição de sua genialidade.

Em seguida, Hamilton apresenta quatro composições suas, revelando que o instrumentista soube decantar alguns códigos dos grandes autores que interpretou. A primeira delas é a balada ''O sonho'', feita para sua filha Rafaela. Em seguida, vem a música que dá nome ao CD (um samba tipo ''Baden'', na definição de Hamilton). A vigorosa ''Pedra sabão'' (uma releitura de ''Desvairada'', de Garoto, sob a ótica de Hamilton) e a delicada valsa ''Flor da Vida'', a mais bonita das quatro, encerram essa segunda parte do disco. ''Disparada'', de Theo de Barros e Geraldo Vandré; e ''Adios Nonino'', de Piazzola e Georges Coulonges, formam o terceiro e último momento do CD. A primeira evidenciando novamente que o choro é a pedra fundamental do estilo de Hamilton, a plataforma a partir de onde ele tece seus vôos vertiginosos. A segunda, a única em que o solista divide o palco (com o gaitista Gabriel Grossi), encerra o disco levando ao extremo a proposta de Hamilton de enredar seus solos por uma abordagem orquestral surpreendentemente matizada e polifônica.

 

''Hamilton de Holanda tem a sensibilidade de Jacob do Bandolim somada à assombrosa técnica de Luperce Miranda. Mas é Hamilton de Holanda acima de tudo'', celebra Hermínio Bello de Carvalho no encarte do disco. ''Seu recital solo é um enfrentamento diante de seu próprio espelho, ele dialogando com todos os instrumentos que fez concentrar em seu bandolim'', conclui. De fato, nunca o bandolim foi multiplicado para tão perto do infinito como nas mãos de Hamilton.

 

 

 

JC Online

 

 

 

01 Byte 10 Cordas

Biscoito Fino

 

Jovem mestre do bandolim

 

Discípulo assumido de Luperce Miranda e Jacob, o bandolinista carioca (criado em Brasília) Hamilton de Holanda é hoje um dos músicos brasileiros mais respeitados no Exterior. Divide seu tempo entre Brasil e França - mora em Paris -, apresentando-se constantemente ao lado de craques como Altamiro Carrilho, Beth Carvalho, Seu Jorge, Cesária Évora e até de John Paul Jones, baixista do Led Zeppelin.

 

Hamilton está lançando seu primeiro trabalho como solista, 01 Byte 10 Cordas, gravado ao vivo no final do ano passado no Rio Design Center. Mostrando habilidade e musicalidade absolutas, o artista apresenta clássicos e temas próprios, sempre com seu bandolim de dez cordas, feito por encomenda (o instrumento tem normalmente oito cordas).

 

As obras conhecidas, todas com arranjos inventivos, são No Rancho Fundo (Ary Barroso/Lamartine Babo), Disparada (Théo de Barros/

 

Geraldo Vandré), Ainda Me Recordo (Pixinguinha/Benedito Lacerda) e Adios Nonino (de Astor Piazzola, o renovador do tango; Hamilton tem aqui a participação do gaitista Gabriel Grossi).

 

Entre as composições do bandolinista, a balada Sonho, a valsa Pedra Sabão e o samba a la Baden Powell 01 Byte 10 Cordas. Criações inventivas, interpretações exemplares. Grande disco.

 

O Estado de Minas

 

 

 

 

Um Bandolim Afinado

 

Entrevistas

 

O bandolinista Hamilton de Holanda, autor de 60 composições, lança o disco “01 byte 10 cordas”, e se prepara para turnê internacional

 Hamilton de Holanda fala sobre a sua obra e futuro. (foto: Biscoito Fino (Divulgação))

 

2005-07-03 - Ailton Magioli, Estado de Minas, 2005-07-01

 

Para fugir à máxima de que o bandolinista passa 50% de seu tempo afinando o instrumento e os 50% restantes tocando desafinado, o carioca Hamilton de Holanda, de 29 anos, encomendou ao renomado luthier mineiro Vergílio Arthur Lima, de Sabará, um bandolim de dez cordas, com o qual pudesse solar e fazer o acompanhamento, ao mesmo tempo. “Queria um instrumento com mais possibilidades de acordes”, justifica Hamilton, que está lançando pela Biscoito Fino o disco 01 byte 10 cordas, gravado ao vivo no lounge do Rio Design, no Rio de Janeiro. Segundo o bandolinista criado em Brasília, onde se graduou em composição na UnB, a dificuldade em afinar seu instrumento – comparável apenas à da viola caipira – deve-se à existência das cordas duplas, que exigem que os pares estejam sempre afinados.

 

 “Tem de reafinar sempre. Trata-se de um instrumento muito agudo do qual para tirar um som mais doce é preciso virar a palheta”, ensina Hamilton de Holanda, salientando que, apesar das dificuldades, o bandolim é um instrumento de timbre único que, no Brasil, criou uma escola de personalidade a partir da obra dos mestres Jacob do Bandolim e Luperce Miranda, seguidos pelos discípulos Armandinho e Joel do Nascimento. “Os quatro são os meus professores”, orgulha-se o bandolinista carioca, lembrando que, além de tocar o instrumento desde os 5 anos, aos 13 ele compôs a primeira música, Chorinho para Pernambuco, em homenagem ao percussionista homônimo que tocava com o grupo do pai – o violonista pernambucano José Américo, um dos fundadores do Clube do Choro de Brasília, no Distrito Federal.

 

 Autor de cerca de 60 composições, entre as quais 27 já foram gravadas, gradativamente Hamilton de Holanda vai aumentando o número de composições suas nos discos que grava. “As quatro (O sonho, 01 byte e 10 cordas, Pedra-sabão e Flor da vida) que incluí no novo disco são fresquinhas”, anuncia o bandolinista, que acrescenta o mesmo número de releituras de clássicos no repertório de 01 byte e 10 cordas. “No Brasil, há tantos compositores bons que gosto de tocá-los à minha maneira”, justifica Hamilton, que desta vez gravou No rancho fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo; Ainda em recordo, de Pixinguinha e Benedito Lacerda; e Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré; além de Adios nonino, dos argentinos Astor Piazzolla e Georges Coulonges. “Parto do original, desconstruo e construo de novo a composição”, diz o músico, ao justificar a gravação dos clássicos.

 

 Criado na escola do choro – com o irmão violonista Fernando César ele formou o duo Dois de Ouro, com o qual gravou três discos –, já cristalizado como gênero, hoje Hamilton de Holanda diz que já não pode dizer que o que ele toca é choro. “Decidi não pensar se o que eu faço é choro, é bossa… Sei que a essência é a música brasileira”, afirma, fugindo de rótulos. “O choro foi fundamental para mim. Cheguei onde cheguei graças a ele. Só tenho asas para voar porque o choro me deu”, reconhece o bandolinista, que, paralelamente à carreira solo, que contabiliza três discos, gravou disco em duo com o violonista Marco Pereira.

 

 Hamilton, que também toca violão e pandeiro, vê o bandolim em sua vida como o começo, não como o fim. A carreira de solista no instrumento, acredita, aconteceu naturalmente. “Ganhei o Prêmio Visa (edição instrumental) em 1998 e, logo a seguir, começaram a chegar convites para apresentações. Já em 2000, eu participava do Free Jazz Festival. Acabei gostando”, recorda, orgulhoso, o bandolinista, que não enfrentou qualquer problema em seguir a carreira solo. “O repertório já vinha sendo feito desde menino”, justifica Hamilton, nascido em família de músicos em que, além do pai violonista, o avô foi trompetista de banda. O bandolinista, que nasceu no Rio de Janeiro e se mudou para Brasília ainda menino, viveu na capital federal até os 25 anos, retornando ao Rio depois de viver um ano na França.

 

 Depois da passagem pela Velas, de Vitor Martins, o artista agora lança 01 byte e 10 cordas pela Biscoito Fino, de Olívia Hime, com a qual assinou contrato pelo disco. “Tinha os instrumentos para gravar o disco e decidi fazê-lo junto do meu empresário (Marcos Portinari)”, afirma Hamilton de Holanda, admitindo que não pretende se ligar a uma gravadora como artista exclusivo.

 

 O bandolinista, que vive bom momento de carreira, só este mês fez seis shows no Rio, preparando-se para iniciar turnê internacional pela França, dia 17. Na agenda, quatro eventos, entre os quais o Festival de Jazz dos Cinco Continentes, em Sète, no qual também estarão presentes Hermeto Pascoal, Chucho Valdez e Michel Legrand.

 

Revista da Música Brasileira

 

 

Especial

O vôo de Hamilton de Holanda

Daniel Brazil

 

 

 

 

 A esta altura do século, ninguém duvida que uma geração de jovens músicos está redesenhando a música instrumental brasileira, tendo como base o choro, nosso maior gênero instrumental.

 

 Esta afirmação seria correta se não estivéssemos num país onde a mídia prefere dar atenção a um medíocre grupo londrino anunciado anteontem, e que desaparecerá amanhã entre centenas de iguais. Aqui, o óbvio precisa ser descoberto e proclamado todos os dias. Algo assim como um chorão faz todas as noites, ao tocar Lamentos do Pixinguinha no boteco, para os jovens fregueses que entram ali pela primeira vez.

 

 Para felicidade da nação amante da boa música, alguns nomes furaram o bloqueio mental das rádios, emissoras de TV e jornalões e atingiram um público maior. Não são veteranos comemorando bodas de ouro ou prata, mas jovens impetuosos como Yamandu Costa, o mais brilhante 7 cordas desde Rafael Rabello, ou discretos como Danilo Brito, o bandolinista vencedor do último Prêmio Visa Instrumental, em 2003.

 

 Um outro bandolinista, surgido em Brasília, tem polarizado a atenção dos adeptos da música de invenção. Hamilton de Holanda, primeiramente com o irmão no Dois de Ouro, depois em carreira solo, pontuada por encontros com músicos do calibre de Marco Pereira, com quem gravou o CD Luz das Cordas. Hamilton destacou-se, recebeu aplausos e prêmios, ganhou bolsa para estudar na França. Participou de festivais internacionais, tocou com músicos de diversas nacionalidades, abriu seu leque de influências. E voltou tocando muito. E topou o desafio de gravar um disco ao vivo, sem truques, só com o seu bandolim de 10 cordas.

 

 Gravado em dois dias, no Rio de Janeiro, o disco é um assombro. Primeiro, pelo fato de que nunca neste país um bandolinista tinha encarado um palco sozinho, sem nenhum grupo de apoio. Segundo, porque seu virtuosismo esparrama-se em cada faixa como um tsunami contra o qual não adianta espernear.

 

 Hamilton alterna clássicos inesperados, como Disparada ou No Rancho Fundo, pescados fora das redes habituais do choro, com músicas próprias que vão do virtuosismo contrapontístico de Pedra Sabão até o lirismo de Flor da Vida. Soa provocante na faixa que dá nome ao disco, 01 Byte 10 Cordas, e sugere proximidade com o universo musical de Yamandu Costa ao regravar Adios Noniño, de Piazzolla, aqui com a única participação especial do disco, o gaitista Gabriel Grossi.

 

 Esta pepita, lançada pela Biscoito Fino com uma capa de atitude roqueira, está destinada a figurar como um marco da música instrumental contemporânea. É o desafio de um jovem músico que ignora as cansadas guitarras distorcidas e abraça a tradição "bandoleira" com a gana de quem quer mudar o rumo das coisas através de uma nova música, sem perder as referências históricas.

 

 Estão lá Pixinguinha, Ary Barroso e Lamartine para confirmar. E está lá, em texto do próprio Hamilton, a referência ao baiano Armandinho, outro que ousou dar o salto além da tradição.

 

 01 Byte 10 Cordas, apesar do nome esquisito, é um disco essencial. Que sirva de inspiração para que muitos garotos corram atrás de partituras de choro e de bandolins. Em música, heróis são sempre necessários.

 

 

 

Site Julio Medaglia

 

 

 

HAMILTON DE HOLANDA

 

 Brasília, felizmente, não é apenas palco de escândalos políticos e maracutaias. Muito boa música tem saído dali, talvez, em grande parte, inspirada pelas sempre geniais linhas arquitetônicas de Oscar Niemeyer, emolduradas pelo maravilhoso céu do cerrado.

 Pouca gente sabe que o "Choro", gênero musical carioca por natureza, tem tido, em Brasília, um grande desenvolvimento, impulsionado, desde os anos 70, pela ida para lá de mestres, como Waldir Azevedo. Foi nessas efervescentes rodas de choro, em pleno Planalto Central, que cresceu o bandolinista Hamilton de Holanda.

 Menino prodígio, Hamilton começou a se apresentar muito cedo, e, ainda adolescente, tocou com grandes nomes de nossa música, como com Altamiro Carrilho, Hermeto Pascoal e Raphael Rabello.

 Chegando à maturidade artística no final dos anos 90 com os discos "Destroçando a Macaxeira" (1997) e "A Nova Cara do Velho Choro" (1998), Hamilton de Holanda ocupa, atualmente, um lugar de destaque entre os maiores bandolinistas brasileiros. E, mais do que isso, tem sido um inovador, ampliando, como ninguém, as possibilidades desse pequeno instrumento, transcendendo totalmente seu universo tradicional, das rodas de choro.

 Depois de uma bem-sucedida parceria com o violonista Marco Pereira, no CD "Luz de cordas", Hamilton volta ao disco ("01 Byte 10 Cordas"), desta vez sozinho, em gravação realizada ao vivo, com um instrumento que teve de se adaptar ao seu virtuosismo: um bandolim com um par de cordas a mais... Em uma palavra: imperdível.

 

Ouça aqui um fragmento de "Ainda me Recordo", de Pixinguinha e Benedito Lacerda, faixa do CD "01 Byte 10 Cordas".

 

Capa do CD "01 Byte 10 Cordas" (Biscoito Fino)

 

Moderno é tradição

 

Por Amaro Filho, do Recife

 

As vezes não é muito prazeroso escrever sobre eventos passados, principalmente quando se trata de shows musicais. Mas eu não poderia deixar de registrar com satisfação, e indicar para todos que em algum lugar do mundo possam ter a oportunidade de assistir, ao show do músico bandolinista virtuose chamado Hamilton de Holanda. O show é simples e fenomenal. Imperdível. O que ele faz com o bandolim é de deixar o público de queixo caído.

 

Excepcional músico, seus arranjos tornam até mesmo uma música bonita, mas já carimbada como Disparada(Théo de Barros e Geraldo Vandré) virar uma novidade por meio do seu bandolim modernode dez cordas. Sua primeira apresentação em Pernambuco (terra de seus pais), ocorreu no belíssimo teatro de Santa Isabel, por ocasião do III Encontro de Violões e Bandolins, produzido pelo incessante promotor da boa música instrumental no Recife, em especial o choro, Luis Guimarães.

 

Hamilton de Holanda falou da sua satisfação em tocar no Recife, e que antes só vinha a passeio com os pais para conhecer nossas praias -  dessa vez teve outra missão:  tocar seu bandolim de dez cordas para uma platéia nova mas que o deixou muito a vontade como ele próprio afirmou. Fez um convite  a jovem iniciante bandolinista Maíra, do Grupo Choro Brasil para tocar junto com ele.  Juntos, tocaram um clássico de Jacob do Bandolim, Santa Morena.

 

Em Adios Nonino(Astor Piazzola e Geoges Coulonges) o bamba acompanhado apenas do seu bandolim conseguiu por bom tempo aplausos da platéia que de pé foi ao delírio. Sua interpretação deve ter deixado o próprio Piazzola abestalhado onde quer que ele esteja. E olha que no seu disco mais recente (01 byte 10 cordas) na faixa do clássico de Piazzola, tem uma participação especial do músico Gabriel Grossi tocando gaita fazendo a vez do bandoneom. O que vimos no teatro Santa Isabel somente com o bandolim de Hamilton já fora bom demais.

 

No bom disco 01 byte 10 cordas(Biscoito fino) gravado ao vivo no Rio de Janeiro o bandolinista toca 08 músicas entre clássicos da boa música brasileira como, No rancho fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo), Disparada, e não deixando a tradição, Ainda me recordo,(de Pixinguinha e Bendito Lacerda),além de 04 composições sua, O sonho(inspirada no sonho premonitório que teve sobre o nascimento de sua filha, Rafaela),  Pedra sabão,Flor da vida,e a faixa título01 byte 10 cordasdedicada a seu enteado, Bruno, e ao grande violonista Baden Powel. É vigoroso. Eu já ouviu umas cinqüenta vezes.

 

Num depoimento avalizado de quem conhece muito de música brasileira, Hermínio Bello de Carvalho, diz: “Hamilton de Holanda tem a sensibilidade de Jacob do Bandolim somada à assombrosa técnica de Luperce Miranda. Mas é Hamilton de Holanda acima de tudo”.

 

AMARO FILHO é radialista ( Recife-PE )

 

 

 

 

Música e tecnologia

 

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

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Hamilton de Holanda reinventa a tradição do bandolim

 por João Pequeno

Novo disco ao vivo foi quase todo gravado em M-Box

foto: Divulgação

Hamilton em show ao lado de Seu Jorge, na Via Funchal, São Paulo

 Aos 29 anos, Hamilton de Holanda já é considerado o maior renovador da linguagem do bandolim no Brasil. A inovação tecnológica não tem a ver, porém, com o título de seu disco mais recente, 1 byte e 10 cordas (Biscoito Fino), em que põe à prova, ao vivo, sua performance sem acompanhamento. Longe do terreno high tech, a idéia é artesanal e acústica. Há cinco anos, Hamilton toca um bandolim de dez cordas, com um par mais grave afinado em Dó, para poder fazer acordes junto com a melodia mais facilmente.

 

A origem do bandolim de dez cordas remonta a 2000, quando Hamilton pediu a Virgílio Lima, luthier de Sabará, Minas Gerais, que lhe fizesse um instrumento com um par de cordas mais graves, para afinar em Dó. "Já tinha três instrumentos convencionais feitos por ele e resolvi testar este recurso", lembra. Além de mais largo para abrigar o par extra, o bandolim de dez cordas teve que ser construído com uma caixa maior, "para dar maior profundidade aos acordes e fazer soar bem as cordas mais graves". A intenção do músico era poder tocar só um instrumento que, normalmente, é usado como parte de conjuntos, principalmente de choro, para temas e improvisos.

 

A referência de Hamilton de Holanda em relação ao bandolim de dez cordas é semelhante à do falecido jogador Leônidas da Silva, considerado o pai da bicicleta. Artilheiro da Copa do Mundo de 1938, Leônidas dizia não saber se havia inventado a bicicleta, mas que nunca tinha visto ninguém fazê-la antes. Hamilton também não reivindica a paternidade do par de cordas, mas não se lembra de conhecer ninguém que porventura o tenha antecedido.

 

Bandolins prediletos de Jacob serviram como referência

 

 Atualmente, o músico toca outro bandolim de cinco pares. Seu modelo atual foi construído pelo carioca Tércio Ribeiro, o mesmo que havia sido escolhido pelo Instituto Jacob do Bandolim para reformar, em 2002, os instrumentos que Jacob considerava seus favoritos e que permaneciam fechados em duas caixas desde 1969, ano de sua morte.  "Eu queria um instrumento com um som parecido com aquele, que mesmo depois de tanto tempo ainda causava inveja. Cheguei para ele e disse 'pega o que aprendeu e faz um de dez pra mim'", conta.

 

 

Hamilton em show ao lado de Seu Jorge, na Via Funchal, São Paulo

 

 O resultado foi um bandolim com tampo e laterais de madeira de maple (a árvore daquela folha que estampa a bandeira do Canadá), frente de pinho e braço de cedro com escala de ébano.

 

Para soar diferente

 

Deixando as metáforas futebolísticas, a diferença que Hamilton de Holanda perseguiu em relação aos bandolins convencionais - além da maior facilidade para se apresentar sem acompanhamento -, foi inspirada em outras cordas mais graves afinadas em Dó, as dos violões de sete cordas de Raphael Rabello e Dino Sete Cordas. Embora não tenha sido primeiro a usar este violão, foi Dino que criou a maneira adotada até hoje para tocá-lo, diferente do violão comum, de seis.

 

 

 

O primeiro registro do uso de violão de sete cordas data de 1910, com Otávio Vianna, o China, irmão de Pixinguinha e integrante do grupo Oito Batutas. Também tocando com Pixinguinha no Oito Batutas,  Tute conseguiu, na década de 40, respaldo com as sete cordas. Dino o admirava tanto que só passou do violão comum ao de sete depois que ele morreu, para que não pensasse que o estava imitando. Mas foi ele quem acabou consagrando sua maneira de tocar, inspirado nos contrapontos de graves que Pixinguinha passara a fazer à flauta de Benedito Lacerda, desde que havia adotado o sax em lugar da clarineta. Estes contrapontos no violão de sete ficaram conhecidos no universo do samba e do choro como baixaria, que, assim como os chamados turnarounds do blues, marcam e colorem as divisões entre estrofes e modulações, além de prepararem a entrada dos solos instrumentais, fazendo uma espécie de introdução.

 

Apesar da influência e da admiração pela música de Jacob do Bandolim, bem como de outros ícones do choro, Hamilton de Holanda é tão reverente às fórmulas tradicionais do estilo quanto Astor Piazolla era ao tango - ou seja, nada. Embora não seja xingado por puristas, como foi por várias vezes o bandoneonista argentino, Hamilton não se limita ao choro strictu sensu, passeando por outras praias, "até porque pessoas como Jacob, Pixinguinha e outros já fizeram isto tão bem que eu não via sentido. Quando toco com um grupo de choro tradicional, toco da maneira tradicional, mas quando faço meus shows e discos solo, me obrigo a passear por outras possibilidades".

 

Entre estas possibilidades, incluem-se, somente em 1 byte e 10 cordas, músicas de outros estilos como o samba-canção No rancho fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo; a toada Disparada de Geraldo Vandré; e o tango Adios monino, por coincidência ou não, de Astor Piazzola. Esta é a única música do disco em que o bandolinista toca acompanhado, pela gaita de Gabriel Grossi.

 

Alguém já ouviu bandolim em funk? Nem o próprio Hamilton de Holanda até dois anos atrás, quando conheceu e tocou um, ao vivo, com o colega norte-americano Mike Marshall. O encontro ocorreu durante um congresso de bandolinistas em Lunel, no sul da França. A jam, em cima do funk composto por Marshall, curiosamente também marcou o primeiro solo de contrabaixo da vida do ex-Led Zepellin John Paul Jones - segundo palavras do próprio, lembra Hamilton. "Pela manhã, eu e Marshall estávamos dando um workshop, quando eu ia passar uma música do Jacob no contrabaixo e um cara diferente, brancão, se levantou, disse para eu ficar no bandolim e deixar o baixo com ele. Só depois fui saber quem ele era e o convidei para tocar conosco à noite. Depois, ele veio me dizer que nunca havia solado no baixo, talvez por falta de espaço", lembra.

 

Além de se apresentar solo e com conjuntos, já tocou, entre outros, com o violonista Marcos Pereira, com o multiinstrumentista e experimentador-mor Hermeto Pascoal, e com a cantora caboverdiana Cesária Évora, no disco Voz d´amor (2003), que faturou o prêmio Grammy de world music. "É muito interessante a música de Cabo Verde, porque lembra coisas que eram tocadas aqui no Brasil em 1870, por aí, com cavaquinho ao invés de bandolim", ressalta.

 

Músico usa ponte wireless entre dois pré-amps nos shows

 

Ao vivo, Hamilton utiliza a técnica pouco usual de dois pré-amplificadores. Ele usa um captador Fishman Standard preso por dentro do bandolim e ligado ao pré-amp Gig Pro da empresa norte-americana LR Baggs. Este pré, por sua vez, é ligado a um transmissor de microfone sem fio, "que pode ser um AKG ou Shure, varia". Dali, o som é enviado para outro pré-amp, desta vez um Aphex 107, e em seguida para as caixas.

 

A vantagem desta amplificação, segundo o músico, é que "quando o som chega à caixa, é como se fosse tirado de um bom microfone, mas sem microfonia,  feedback. Sai mais redondo", afirma.

 

Maior parte do disco ao vivo foi gravada em uma M-Box

 

Esta técnica foi aproveitada, junto com outros recursos, na gravação do disco ao vivo 1 byte, 10 cordas. Responsável pelo registro, o técnico Daniel Mussy captou o bandolim de Hamilton por três vias, uma delas aproveitando o sistema usual do músico e outras duas por microfones posicionados em frente ao instrumento. Nesta posição, ele pôs um AKG 451 e um Neumann U87, ligados a um pré Universal Audio 2610, em estéreo.

 

Para captar o som do público foram usados dois AKG C451. Para a voz do músico, quando este falava com a platéia (Hamilton não canta), um Shure SM58. A gaita de Gabriel Grossi em Adios Monino, único instrumento usado além do bandolim, passou por um Shure SM57. Todas estas vias foram amplificadas em um pré Digimax LT.

 

Curiosamente, seis das oito faixas do disco acabaram sendo retiradas de um show, no mesmo Leblon Lounge (localizado no shopping Rio Design Center, no Rio), que serviria, em princípio, apenas como uma espécie de ensaio de gravação. "Levei uma M-Box do Pro Tools, que grava apenas dois canais em estéreo (L/R) no meu laptop para ter uma idéia de como seria. No dia  da gravação propriamente dita, fizemos em sete canais com um Pro Tools TDM, profissional e muito mais caro, mas eis que quando fomos selecionar as faixas, vimos que a maioria das músicas estava melhor nos registros do ensaio. Então, não havia porque não aproveitá-las, o mais importante é a música e a tecnologia deve servir a ela, e não o contrário", analisa.

 

Para dividir as sete vias em dois canais, no ensaio que acabou virando gravação, Daniel Mussy direcionou os canais para a mesa de som do Leblon Lounge, "um modelo simples, rudimentar até, que eu nem lembro qual era",  e o puxou em L/R para a M-Box.

 Apenas Adios Monino, que tinha um instrumento extra, e Disparada foram para o disco nas versões da gravação oficial, feita no TDM. 



*Hamilton usa bandolim Tércio Ribeiro e cordas Elixir.